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De adepto a indiscutível:“O meu sonho sempre foi a selecção nacional” – Carlos Ponck

De adepto a indiscutível dos “Tubarões Azuis”, o jovem confessou ao A NAÇÃO, numa extensa entrevista que o seu sonho sempre foi representar a selecção nacional.

Após o final de uma época coroada com a conquista da Taça de Portugal, o internacional cabo-verdiano, Carlos Ponck, encontra-se em Mindelo. De adepto a indiscutível dos “Tubarões Azuis”, o jovem confessou ao A NAÇÃO, numa extensa entrevista que o seu sonho sempre foi representar a selecção nacional. Hoje dedicação e o mediatismo alcançado nas duas últimas épocas deram-lhe essa possibilidade, contudo a caminhada não foi fácil.

Nasceu em São Vicente e cresceu pelas ruas de Tchetchénia, um dos bairros mais problemáticos da ilha. A paixão pelo futebol era maior bem maior que a vontade de estudar, motivo que o levou a desistir da escola já no Liceu. Falamos de Carlos Ponck, hoje um dos mais cotados e experimentados jogadores da selecção nacional de futebol

Os primeiros toques na bola foram dados em miúdo na equipa Casa de Shell. Na infância passou ainda por alguns outros clubes da cidade do Mindelo. Já durante a adolescência teve algumas passagens pelo Derby, intercaladas com uma passagem pela Académica do porto Novo. Os primeiros títulos chegaram em 2013, nos séniores do Mindelense, nomeadamente campeão regional de São Vicente e Nacional.

Nesse mesmo ano Cabo Verde fazia a primeira de duas participações no Campeonato Africano das Nações (CAN). Um dia de muita alegria foi quando Cabo Verde garantiu a passagem aos quartos-de-final da prova com a vitória de 2-1 sobre a Angola. Nessa altura Carlos Ponck nem imaginava o que o destino lhe reservava, pelo que como um bom adepto calçou uns ténis e no espaço de cinco minutos já estava nas ruas de Mindelo no meio da euforia dos mindelenses que comemoravam o feito histórico.

Actualmente ele está do outro lado, o dos jogadores e, sabe muito bem o significado de cada vitória com a camisola dos “Tubarões Azuis”. “O meu sonho sempre foi a selecção nacional. Desde menino a minha ambição maior nem era jogar no estrangeiro. Quando eu ainda estava aqui em Cabo Verde eu vibrei como adepto, quando fomos para CAN 2013. Ganhamos a Angola e saí de Ribeirinha a correr. Era um dia de desfile dos Mandigas. A correr fiz cinco minutos de Ribeirinha até o centro da cidade do Mindelo, onde houve uma grande festa”, recorda o jovem Tubarão Azul.

A estreia de Ponck pela selecção nacional deu-se em Março de 2017, numa amigável com o Luxemburgo, em que Cabo Verde venceu por 2-0. Desde essa primeira chamada, não mais falhou uma convocatória, passando a condição de indiscutível.

Apanhou pela metade a fase de qualificação de Cabo Verde para o Mundial 2018. Nessa fase Cabo Verde conseguiu apenas duas vitórias (ambas diante da Africa do Sul) num total de seis jogos. Pese embora o combinado nacional tenha falhado esse objectivo Ponck diz ter guardado os bons momentos vividos no seio da selecção nesses primeiros tempos.

Regresso de Águas

O regresso de Rui Águas ao comando técnico da selecção nacional foi um bom prenúncio na óptica do jogador. A primeira passagem do técnico luso pela selecção foi coroada com a presença na CAN 2015. Nesta segunda passagem o efeito do treinador foi imediato. Primeiramente por ter escalado uma convocatória maioritariamente de jovens, que culminou com duas vitória, frente a Argélia (3-2) e Andorra ( conquista Taça cidade de Almada). Ponck alinhou nas duas partidas.

“Rui Águas é uma pessoa com a qual nunca tinha trabalhado, mas agora trabalhando com ele em poucos dias,  gostei imenso. Já deu pra ver o seu valor. Ele tem a mística da selecção e ele realça que a selecção é uma família e foi esse o segredo na Argélia. Após uma fraca prestação na primeira parte ele disse-nos algo que surtiu efeito. Na segunda aparte entramos diferentes para melhor”, confessa.

Começo em Portugal

Carlos Ponck é, desde Dezembro de 2015, jogador do Sport Lisboa e Benfica. Entretanto, por motivos diversos, nunca conseguiu afirmar-se no clube da Luz. Antes desse período, o jovem já tinha passado por períodos conturbardos na sua carreira.

A sua mudança para Europa em 2013 foi intermediada pelo agente desportivo, Jota. Na altura esse facto foi motivo de discórdia entre o jogador e o então presidente do Mindelense, Adilson Nascimento.

Numa fase inicial em Portugal, Ponck chegou a treinar na Academia do Sporting em Alcochete, o mesmo que foi invadido por adeptos leoninos há algum tempo. Nesse espaço o jovem passou dois meses mas acabou por não ficar. Seguiram-se passagens pelo Quarteirense e o Farense, até que em Dezembro de 2015 foi contratado pelo Benfica.

Na segunda metade dessa época Ponck foi emprestado ao Paços de Ferreira. Na época 2016/17 alinhou no Desportivo de Chaves por empréstimo novamente. A meio dessa época marcou um golo decisivo que eliminou o Sporting da Taça de Portugal, garantindo à sua equipa a passagem as meias-finais da prova. Um feito que ainda não sabe explicar.

“As mensagens nas redes sociais, ser parado na rua, os memes. Foi algo que catapultou ainda mais a minha carreira. Foi uma sensação top, tipo dois dias sem conseguir dormir, toda aquela emoção, o nome nas noticias e no jornal. Teve mais repercussão do que o facto de ter assinado pelo Benfica”, recorda com entusiasmo.

 Cereja no topo do bolo

Já esta época Ponck foi novamente emprestado, sendo desta feita ao Desportivo das Aves. O campeonato terminou com o clube na 13ª posição, mas o brilho e o marco para a carreira de Ponck ficou para o final. No dia 20 de Maio, o clube da Vila das Aves conquistou a Taça de Portugal no Jamor, frente ao poderoso Sporting, vencendo por 2-1. Para Ponck o segredo esteve na preparação da sua equipa para final, mesmo que a semana dos seus adversários tenha sido manchada com o ataque em Alcochete.

“Era o último jogo da época, todos estávamos cansados mentalmente. Mas num jogo desse todas estas questões desaparecem e aconteceu isso. Quatro dias antes fomos a um hotel para relaxar e estar junto. O treino é que é mais alegre. Somos uma equipa dita pequena e durante toda a semana falou-se apenas no Sporting e seus problemas. Ninguém falou de nós. Mas preparamos tudo e no jogo isso foi reflectido”, diz Ponck.

A Taça de Portugal é a mais antiga competição de futebol em Portugal, motivo pelo qual as palavras para explicar o momento continuam escapando a este “Tubarão Azul”. “Imagina que é algo em que Portugal inteiro pára. Nós chegando na Vila das Aves, lugar pequeno e muita pouca gente. A vila praticamente parou, todo o mundo indo ver o jogo e chegando ao Jamor, não sei quantas pessoas entre adversários e adeptos aplaudindo”.

Após essa conquista a cotação de Ponck enquanto atleta aumentou e muito. A direcção do clube das Aves passa por momentos conturbados e o presidente está de saída. Na pré-temporada muito provavelmente Ponck retorna a Luz, entretanto o jogador mostra-se dividido entre o desejo de continuidade nas Aves, mudança para a Luz ou uma experiência fora de Portugal.

“Se surgisse algo fora eu gostaria de experimentar. Portugal é tranquilo, mas gostaria de sentir outro campeonato. A minha preferência neste momento seria o Benfica, mas sei também que é complicado e, também gosto do Aves. Mas depende de muita coisa”, conclui.

JF

 

 

 

 

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