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Cabo-verdianos e a corrupção

O fenómeno da corrupção tem mobilizado pesquisadores em todas as latitudes. Os países com instituições mais sólidas tendem a ter níveis mais baixos de corrupção percebida.

fenómeno da corrupção tem mobilizado pesquisadores em todas as latitudes. Os países com instituições mais sólidas tendem a ter níveis mais baixos de corrupção percebida. O seu combate sofreu impulso especialmente a partir da década de 1990 em que se verificou uma explosão de trabalhos técnicos e científicos sobre a corrupção realizados sob o enfoque das ciências económicas.

Os dados do inquérito da Afrobarometro/Afrosondagem revelam que todas as instituições públicas registraram aumento na percepção de corrupção face aos resultados de 2014. A polícia continua a ser a instituição que os cabo-verdianos consideram mais corrupta no conjunto das entidades analisadas com 23% de resposta, seguida pelos vereadores com 17%. Os juízes/magistrados, pelo contrário, são aqueles que alcançaram o melhor desempenho neste quesito com 11% de citações (ver figura 1).

Figura 1.

Entretanto, convém salientar que o nível de corrupção percebido é maior no sector privado com 20% a apontar que a maioria dos empresários estão envolvidos em atos de corrupção. (ver figura 2).

Figura 2.

Apesar de estarem divididos em relação aos esforços do governo para combater a corrupção, os cabo-verdianos parecem cada vez mais convencidos de que podem ajudar a resolver o problema que consome recursos públicos e interfere no crescimento económico. O mais recente inquérito da Afrobarometro/Afrosondagem indica que 58% dos inquiridos acreditam que pessoas comuns podem fazer a diferença na luta contra a corrupção, mas ao mesmo tempo esta maioria (60%) considera que existe risco de retaliação ou outras consequências negativas, contra 30% que acha que os cidadaõs podem relatar casos de corrupção sem medo.

Em contrapartida, 61% dos inquiridos consideram que o governo está a gerir mal a luta contra a corrupção, contra somente 26% que entendem que o governo está a fazer um bom trabalho nesta área (ver figura 5).

Ao tentar medir a corrupção, que incluiu situações como o pagamento de propinas, este inquérito revela que apenas 7% dos cabo-verdianos declararam ter pago propina nos 12 últimos meses à polícia para evitar problemas durante uma operação de trânsito, ou durante uma investigação, 6% relataram que pagaram a funcionários da saúde, dos centros de saúde ou dos hospitais e 4% pagaram para os serviços de água, saneamento ou de electricidade (ver figura 6).

Principais conclusões

A percepção da corrupção mantém-se considerável, ainda que a maioria dos cabo-verdianos não experimentaram uma situação de suborno nas instituições públicas.

A percepção da corrupção no sector privado é mais elevado do que no sector público e nas ONG´s.

Os cabo-verdianos continuam a avaliar negativamente os governos no combate à corrupção, ao mesmo tempo que consideram que podem ajudar nesta luta, apesar do sentimento prevalecente de que podem sofrer retaliações.  

 

Afrobarometer

A Afrobarometer é uma rede de pesquisa pan-africana e apartidária que realiza pesquisas de opinião pública sobre democracia, governança, condições económicas e assuntos relacionados na África. Seis rondas de pesquisas foram conduzidas em até 37 países africanos entre 1999 e 2016, e as pesquisas da 7ª ronda (2016/2017) estão em andamento. A Afrobarometer realiza entrevistas face-a-face no idioma da escolha do respondente com amostras nacionalmente representativas.

A equipe da Afrobarometer em Cabo Verde é liderada pela Afrosondagem que entrevistou 1.200 adultos cabo-verdianos entre 20 de Novembro a 5 de Dezembro de 2017. Uma amostra desse tamanho produz resultados ao nível do país com uma margem de erro de [+/- 3%] e um nível de confiança de 95%. Pesquisas anteriores foram realizadas em Cabo Verde nos anos de 2002, 2005, 2008, 2011 e 2014.

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