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Jornalismo cabo-verdiano, instrumento útil e indispensável, está em crise

O financiamento do sistema de comunicação em Cabo Verde, cria desigualdades e a mais valia vai sempre para o capital e não para o trabalho. Nota-se grande baixa a nível de receitas publicitárias, o estado e mais algumas instituições públicas e privadas, é que alimentam e fazem viver, mais as receitas das vendas, a esta área importante que interessa a todos e todas neste país: o JORNALISMO.

José Valdemiro Lopes

Com o desaparecimento recente de vários jornais em Cabo Verde, todos eles, semanários e constatando a ameaça que paira sobre os restantes sobreviventes, tendo a consciência que sobretudo agora que o país precisa imprescindivelmente de conservar, manter e diversificar mais ainda, seus meios de comunicação, os órgãos de formação e informação, para se poder empoderar mais, esta jovem democracia, que está longe de estar consolidada, verificamos que o jornalismo cabo-verdiano, sobretudo o impresso, vive uma profunda crise… não conseguimos ainda ter um jornal impresso, diário, neste país. Estão, a aparecer, nas bancas, apenas dois semanários e o jornal católico mensal. Um dos semanários que era publicado, completamente, a cores, apresenta agora, algumas páginas coloridas e outras mais páginas a preto e branco, e jornalistas a auferirem salários díspares…

O financiamento do sistema de comunicação em Cabo Verde, cria desigualdades e a mais valia vai sempre para o capital e não para o trabalho. Nota-se grande baixa a nível de receitas publicitárias, o estado e mais algumas instituições públicas e privadas, é que alimentam e fazem viver, mais as receitas das vendas, a esta área importante que interessa a todos e todas neste país: o JORNALISMO.

Os dois semanários, sobreviventes, são impressos no exterior e há falhas, na distribuição para as ilhas, ficando o centro, a Praia, a zona primeira a ser informada. Um evento qualquer que teve lugar, por exemplo, em S. Vicente, a opinião pública da cidade capital é sempre a ser informada, em primeira mão e não temos jornais locais…

O sistema de informação gratuita na Internet, e as redes sociais permitem a publicação instantânea da actualidade e muito do chamado “fake news”, possibilitando comentários, mas nada substitui uma boa reportagem profissional, uma cronica ou opinião de colunistas, e creio que o problema não é tão só o de natureza financeira, como também, a convicção, organização, independência e especialização, sem subestimar a competição, no “mercado estreitíssimo” desta sociedade ilhas, politicamente polarizada, neste século de comunicações.

Os jornais são importantes e Cabo Verde, nação jovem e moderna, precisa de soluções, para o seu processo de desenvolvimento e a confrontação de opiniões é útil e indispensável e actua para amplificar visões, vencer ou fazer diminuir o choque das contradições, reencontrar ideias e as diferentes maneira de ser e de estar tipicamente cabo-verdiana e também, para fazer reflectir que apesar de certezas estabelecidas, há sempre, felizmente opinião ou ponto de vista diferente. Isso só foi e é possível através do jornalismo.

A cultura cabo-verdiana, está inserida, neste mundo de globalização, não somos, unicamente consumidores, participamos, activamente na difusão da cultura universal e os jornais cabo-verdianos devem sobreviver e continuar a divulgar ao mundo, e á nossa diáspora em todos os cantos do mundo, a nossa cultura, a nossa memória colectiva, o social, o económico de todas estas nove ilhas habitadas, pelas vias habituais: radio, televisão, e sobretudo a impressa e na Internet…

Como a liberdade de imprensa e seu pluralismo, são partes integrantes da democracia, todos os jornais nacionais, devem ser incentivados, pelo poder publico – a não confundir, com influenciar – a ajuda estatal vinda do poder central e local, para ser eficaz, deve ser desigual, beneficiando mais, os jornais com recursos publicitários, mais fracos e mais ainda, os primeiros actores sociais e políticos têm, a obrigação e o dever moral de agir na prática subvencionando assinaturas anuais, de todos os jornais da praça, para garantir a sobrevivência destes órgãos de formação e informação e divulga-los em todos os estabelecimentos de ensino secundário, técnico profissional e universitário, associações culturais e bibliotecas municipais do pais …deve-se ainda arranjar forma de intervenção financeira, junto às gráficas privadas, do pais, para se poder impedir a impressão no exterior, evitando expatriação de divisas, todo em fortalecendo a nossa classe empresarial da área e com ganhos para o fisco, sob forma de impostos legais e mais entradas e valor, com impacto, positivo, na criação de emprego e garantindo continuidade e sobrevivência, aos jornais cabo-verdianos que estão ameaçados.

Não é exagero afirmar que o pequeno pulo em desenvolvimento verificado, os progressos verificados nestas nove ilhas, e a democracia devem muito á comunicação social nacional, embora a rádio assumir o seu papel como meio de comunicação por excelência em Cabo Verde, devemos todos apoiar os nossos jornais, que são, repito,  indispensáveis…

miljvdav@gmail.com

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