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1. Sugestões para a melhoria e preservação prolongada da saúde e da qualidade de vida

Há algumas maneiras eficazes de aumentar a sensibilidade à insulina e melhorar a sinalização da leptina, e, dessa forma, prevenir e tratar a diabetes

Arsénio Fermino de Pina*

Já um macróbio em idade, leitor quase compulsivo, selecciono conhecimentos que vou transmitindo aos leitores. Há muito que pouco escrevo sobre saúde, mas hoje decidi fazê-lo com algumas informações pertinentes, umas até originais ou pouco conhecidas e vulgarizadas, recolhidas das minhas leituras, ultimamente de um livro interessante – Chegar Novo A Velho – do médico Manuel Pinto Coelho, doutorado em Ciências da Educação e pós-graduado em Medicina Anti Envelhecimento pela Universidade Autónoma de Barcelona, contendo muito da sua experiência clínica e de outros referentes à melhoria da saúde e prevenção da doença.

Começo com informações originais, pouco conhecidas e vulgarizadas ou deturpadas, dirigidas a adultos e velhos afectados pelo progresso que nos tornou sedentários, preguiçosos, comodistas e grandes consumidores da chamada “comida de plástico”, do tipo fast food, amburguers com excesso de gordura e de açúcares, refrigerantes e bebidas gaseificadas, álcool, todos alimentos prejudiciais à saúde por conduzirem à obesidade, diabetes, alterações cardio-circulatórias, alergias, doenças autoimunes e neuro-degenerativas (do tipo do Parkinsonismo, Alzheimer, Esclerose Lateral Amiotrófica, etc.), cancro e afecções da pele.

As células do nosso organismo têm um tempo de vida limitado, regenerando-se periodicamente. O intestino, – falaremos dele mais adiante, por alguns o considerarem o segundo cérebro e albergar grande parte do nosso sistema de defesa anti-infecciosa – renova as suas células de 3 em 3 dias, as da retina, todos os 10 dias, o esqueleto é totalmente renovado todos os 10 anos, o fígado, baço, pâncreas e pulmão ao cabo de 300 a 500 dias. Essa renovação pode ser afectada, por imprudências da nossa parte, sobretudo de ordem alimentar com excesso de açúcar, cereais contendo glúten (trigo, centeio, cevada), margarina, caseína, metais pesados (mercúrio, chumbo, alumínio, etc.), águas de Ph inferior a 7,4, portanto, ácidas, pastas dentífricas com fluor, etc. Durante muito tempo se adicionou fluor à água de consumo e pasta dentífrica para protecção dos dentes, mas veio a descobrir-se que o fluor entra em competição com o iodo substituindo-o na hormona da tireoide, o que pode provocar hipotiroidismo. Actualmente está a ser retirado de pastas dentífricas e da água de consumo. O mercúrio encontra-se na amálgama utilizada na obturação dos dentes e está sendo substituído por outro produto neutro resistente (cerâmica) por libertar mercúrio. Escusado falar dos malefícios do tabaco, álcool e outras drogas.

A meninada não irá levar-me a mal se insistir na prevenção do envelhecimento, por ter dedicado a quase totalidade da minha vida profissional à sua saúde.

Para se evitar o envelhecimento precoce, há que combater os processos que levam a isso. Actualmente, com o abuso de açúcares, que encontramos em grandes doses em quase todos os alimentos, vida sedentária e outros vícios do consumismo promovidos pelos progressos tecnológicos que nos convidam a ficar em casa pasmados a olhar para a TV, a comer pipocas e amendoim com o telecomando a mudar de canais sem levantar-se da poltrona, nos centros comerciais ou a passear em automóveis e outros meios de transporte, criamos todas as condições para a instalação da obesidade, diabetes e aumento de estupidez, dada a indigência da TV portuguesa e da nossa. O nosso antepassado da Idade da Pedra passava o tempo a andar à procura de comida, ou a correr fugindo de predadores, alimentando-se à base de raízes, tubérculos, folhas, mel, ovos, do que conseguia caçar, ou do tutano dos ossos dos grandes animais deixados pelas feras que não sabiam parti-los. Esse tipo de vida impedia que engordasse e tivesse diabetes. Como sabem, a diabetes é diagnosticada medindo a glicemia (açúcar no sangue), a insulina, em jejum (de 8 horas) e a hemoglobina glicada (Hb A 1C) – medição da percentagem de proteínas nos glóbulos vermelhos; quanto maior for a sua percentagem, maiores os níveis de glicose no sangue. Hemoglobina glicada ou glicosada deve estar inferior a 5,7% e a glicose no sangue abaixo de 110 mg/dl.

Como devem saber, há tês tipos de diabetes: do tipo 1 – diabetes mellitus ou juvenil, que é insulino-dependente, diabetes gestacional, da gravidez, que desaparece depois do parto e a diabetes do tipo 2 do adulto, que afecta 90 a 95% das pessoas com diabetes, perfeitamente evitável, revertível e controlada a 100%. Ela é causada pela obesidade, hipertensão, sedentarismo e história familiar de diabetes (herdada). Certos factores de risco podem impedir o pâncreas de funcionar correctamente: idade superior a 45 anos, obesidade, vida sedentária, doença cardiocirculatória, triglicéridos em jejum acima de 250 mg/dl entre outros factores.

Em 1944 foi descoberta uma hormona produzida pelas células gordas do corpo destinada a regular o apetite e a perda de peso, a qual informa o cérebro de quando e quanto comer e quando parar de comer, pelo que se lhe chamou hormona da saciedade ou leptina. Funciona em conjunto com outra hormona fabricada no estômago – a grelina – que funciona como hormona da fome por dar sinal ao cérebro da hora de comer. Quando a pessoa é resistente à leptina, engorda. À semelhança da insulina pode manifestar resistência e ter taxas elevadas em obesos. Como influencia a insulina na sua sensibilidade e resistência, conclui-se que a função da insulina não é somente baixar a taxa de glicose mas provocar o seu armazenamento nas células do fígado e músculos sob a forma de glicogénio para consumo imediato ou futuro.

Há algumas maneiras eficazes de aumentar a sensibilidade à insulina e melhorar a sinalização da leptina, e, dessa forma, prevenir e tratar a diabetes:

-Eliminar o estresse e dormir pelo menos 8 horas por dia;

-Manter um peso corporal saudável – índice de massa corporal (IMC= Peso em Kg a dividir por o quadrado da altura expresso em metro) – entre 18,5 e 24,9, perímetro abdominal inferior a 100 cm, nos homens, e 90 cm, nas mulheres;

-Adoptar como norma pequenas refeições, sendo a última 3 horas antes de deitar;

-Fazer actividade física regularmente;

-Eliminar todas as gorduras como óleos vegetais obtidos a quente e as margarinas, eliminar as carnes processadas (que contêm muito sal e açúcar a crescentadas pela indústria agroalimentar), limitar ao mínimo cereais e açúcares;

-Eliminar refrigerantes, sodas, águas gaseificadas, pela excessiva acidez do seu Ph e elevada taxa de açúcares ou adoçante sintético. Dos adoçantes preferir o obtido da planta Estévia;

-Preferir boas gorduras ricas em Ômega 3 de origem animal e óleo de coco para fritos por resistir melhor ao calor, ou azeite de oliveira obtido a frio;

-Comer hortaliça (as com menor conteúdo em açúcar são a couve, espargo, cebola, batata doce, beringela, pepino, brócolos, aipo, alface, alho-porro, feijão verde, além da vantagem de serem mais alcalinos), nozes e 40 a 70 gramas de proteínas de alta qualidade oriundas do ovo (6 a 8 gramas por ovo), carnes de animais alimentados a erva e peixes (evitar peixes de viveiros);

-Normalizar o estado dos intestinos comendo alimentos fermentados e ingerindo probióticos de boa qualidade (ver mais adiante);

-Utilizar a vitamina D3 em boas doses associada à vitamina K2 (de que falaremos mais adiante) de forma a fixar o cálcio nos ossos e dentes retirando-o das paredes das artérias.    

-Utilizar o antidiabético oral “Metformina” conjuntamente com a insulina, como último recurso, nos casos de insulinorresistência, mas não como substituto da insulina.        

  [Continua]

Parede (Portugal), Abril de 2018                                                                                                                                             

*Pediatra e sócio-honorário da Adeco

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