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KJF 2018 chega ao fim: “Petit Pays” de Ayo emociona público e rende homenagem à “Nina Simone de Cabo Verde”

O KJF 2018 chegou ontem ao fim, numa noite marcada por fortes emoções e muito boa música.

Chegou fim a 10ªedição do Kriol Jazz Festival (JKF). A noite de ontem foi mágica, repleta de emoções, com música vinda da alma e até abençoada pela chuva que veio “fla mantenha”, neste “Petit Pays” levado ao mundo por Cesária Évora e que foi berço dos crioulos que estão espalhados pelo mundo e que têm na música um elo forte de ligação, de identidade.

A noite foi mesmo de grandes estrelas de música e muita energia com Sara Tavares, Ayo, Kriol Band e Bantu. Pouco depois das 20h30 coube à luso-cabo-verdiana Sara Tavares inaugurar o palco da última noite de festival pago para trazer “Fitxadu, o seu mais recente trabalho. Já com a praçinha da escola grande cheia de fãs, Sara Tavares deslumbrou em palco com a serenidade e energia positiva e as belíssimas composições, feitas com alma, a que já nos habituou. So sabi, Ginga, Brincar de Casamento ou Coisas Bunitas alguns dos sucessos interpretados e que fizeram o público vibrar.

Mas, foi quase no final do seu espectáculo que se deu um dos momentos mais mágicos da segunda noite do festival. Sara Tavares convidou Princezito para um dueto na música “Fitxadu”, e nesse instante começou a chuviscar. No final do espectáculo Sara sentiu-se abençoada por estar de volta ao palco do KJF e à capital.

“Estou muito feliz de estar aqui de novo. É muita felicidade para mim voltar a Cabo Verde principalmente porque tenho laços fortes com a cidade da Praia. Houve muita inspiração que veio daqui no albúm Fitxadu. O crioulo que uso neste disco é muito badio e reflecte a minha vivência aqui”, disse.

Ayo homenageia Cize

E o espectáculo continuou no feminino, com outra diva. Ayo, há muito aguardada na capital. De lenço na cabeça, descalça e com a sua guitarra ao peito Ayo entrou em palco recebendo logo uma grande ovação de boas vindas do público. “Boa noite Praia. Tem sido um sonho poder actuar em Cabo Verde”, disse. E o show foi repleto de emoções do princípio ao fim, com muito grove, muita soul, muito jazz e um bom reggae. Down on my knees, Only You, Slow, Slow, If love is a Killer ou Who, foram alguns dos sucessos que levaram os fãs a cantar praticamente do princípio ao fim do espectáculo.

Visivelmente feliz e de coração cheio em palco, o momento mais emotivo estava reservado para o fim. Quando Ayo começou a cantar Petit Pays em homenagem a Cesária Évora, não escondendo as lágrimas da emoção, ao pisar finalmente o chão da terra de Cize. Com o público a pedir mais e mais….Ayo foi praticamente tirada do palco como se tira um miúdo da mão de uma mãe.

No final nos bastidores, Ayo, que é esposa do talentoso músico “Patrice”, que também já esteve em Cabo Verde, explicou as razões da sua emoção. “Adoro Cesária Évora e sempre fui grande fã da Nina Simone e quando a Nina faleceu, a única pessoa que ainda continuava lá para mim era Cesária Évora. Para mim ela era a Nina Simone de Cabo Verde. Depois de estar aqui acho que passei a compreender ainda mais a música e a história dela. Quando pensamos na dor e em tudo que ela (Cesária) passou, é tão emotivo…”.

Depois de tanta emoção, a Kriol Band veio agitar de novo o palco. Um naipe de instrumentistas de luxo, numa verdadeira fusão de jazz de várias influências. Os crioulos Boy Gê Mendes e Hernani Almeida juntaram-se a Jacob Devieureux (Guadalupe), Jowee Omicil (Haiti), Yissy Garcia (Cuba), Thierry Fanfant (Guadalupe), Mario Canonge (Martinica) e Taffa Cissé (Senegal) e Jacob Desvarieux dos Kassav. Boy Gê Mendes não escondeu aos jornalistas que gostaria de ver este projecto “continuar” e levar a “Kriol Band” a “outros palcos”.

Do jazz da Kriol Band para os Bantu, a banda vinda de Lagos, Nigéria trouxe energia pura e contagiante, com muita afromusic, dancehall e ritmos tribais que fizeram o público mais resistente dançar até já depois das 2h30 da manhã. Feliz por estar pela primeira vez em Cabo Verde, a banda de Lagos trouxe consigo muitas mensagens de libertação do continente africano e de maior liberdade de circulação da arte e dos artistas dentro do próprio continente

“ Viajar de Lagos para Cabo Verde é quase como ir aos Estados Unidos. É absurdo porque estamos na CEDEAO. Penso que quanto mais nós artistas viajarmos mais podemos pressionar os nossos governos a rever as taxas. Temos de nos afirmar. O momento de África é agora”, afirmou um dos vocalistas no fim do show, visivelmente feliz por estar em Cabo Verde.

E assim chegou ao fim a 10ªedição do KJF. Uma edição marcante, que levou a lotação esgotada nos dois dias de festival pago, com cerca de 2100 bilhetes vendidos em cada noite, sem contar com mais 500 bilhetes entre convidados, além do staff. A organização faz um balanço positivo do certame. Segundo Jaqueline Silva, administradora do festival, a praçinha começa a ser pequena para tanta gente.

“Acredito que para o ano teremos de procurar uma outra solução, mas tentaremos encontrar uma boa solução para nós, para os artistas e para o público”, garantiu aos jornalistas no final.

Mas, antes deste fim de semana de intenso  jazz crioulo, o KJF foi ainda preenchido por mais dois dias de música de acesso gratuito ao público. Na quinta-feira,19, numa parceria AME/KJF os Tubarões e os Bulimundo subiram também ao palco da Pracinha da Escola Grande. Eles que são os grandes homenageados desta 10ª edição do festival. No fim de semana anterior, no passado sábado, 14, a Zona Kriol invadiu também a Várzea, levando música aos bairros. Hilário Silva, Wilson Silva e a brasileira Flávia Coelho, foram os protagonistas da noite. Para o ano há mais.

GC

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