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FMI/Previsões: Banco Mundial pede coragem aos líderes africanos para as reformas

O investimento na saúde e na educação, para além do fim dos subsídios aos combustíveis e até a alguns no setor da agricultura, completam o pacote de medidas sugeridas por Jim Yong Kim

O presidente do Grupo Banco Mundial pediu hoje coragem aos líderes africanos para lançarem as reformas que garantam um crescimento económico e um desenvolvimento sustentável, sublinhando que a dívida pública é uma das maiores preocupações.

“Há muitas coisas que podem ser feitas para ajudar os países africanos a investir, não apenas na estrutura física, mas também de capital, mas é preciso coragem para lançar e implementar as reformas”, disse Jim Yong Kim na conferência de imprensa que decorre esta tarde na sede do Fundo Monetário Internacional, em Washington, no âmbito dos Encontros da Primavera.

Questionado sobre quais as principais prioridades que os líderes africanos devem ter em conta na definição das políticas públicas, o presidente do grupo Banco Mundial elencou que o grupo está “muito focado na dívida pública e nas condições de financiamento, como as taxas de juro”.

Jim Yong Kim apontou também os impactos da digitalização da economia para mostrar preocupação, uma vez que “muitos países não estão preparados para competir na economia digital num contexto em que muitos empregos humanos vão ser substituídos por tecnologia”.

O investimento na saúde e na educação, para além do fim dos subsídios aos combustíveis e até a alguns no setor da agricultura, completam o pacote de medidas sugeridas por Jim Yong Kim, que terminou garantindo que “o Banco Mundial está pronto para ajudar os países a lançarem as reformas necessárias para garantir o crescimento”.

As preocupações de Kim surgem um dia depois de o Banco Mundial ter divulgado o relatório Pulsar de África, no qual avisou que o crescimento económico de 3,1% este ano, previsto para a África subsaariana, não é suficientemente rápido e que os governos têm de “acelerar e aprofundar” as reformas que potenciam o crescimento sustentado.

“Houve retoma na África subsaariana, mas não foi suficientemente rápida; ainda estamos longe dos níveis de crescimento anteriores à crise”, disse o economista chefe do Banco Mundial para a região de África, Albert Zeufack, acrescentando que “os governos africanos têm de acelerar e aprofundar reformas macroeconómicas e estruturais para alcançarem níveis de crescimento altos e sustentados”.

De acordo com o Pulsar de África, um relatório semestral que o Banco Mundial divulga sobre este continente, África deve crescer 3,6%, em média, nos próximos dois anos, essencialmente devido à expectativa de que os preços do petróleo e matérias primas se mantenham estáveis “e que os governos da região implementarão reformas para resolver os desequilíbrios macroeconómicos e impulsionar o investimento”.

As revisões ao cenário macroeconómico, continuam os analistas, não apagam a preocupação com o aumento dos rácios da dívida pública relativamente ao PIB: “Entre as três maiores economias da região – Angola, Nigéria e África do Sul -, os rácios “são particularmente elevados em Angola”, lê-se no documento que semestralmente analisa o andamento das economias africanas.

“A dívida pública em Angola ultrapassou os 75% do PIB em 2016 e deve ter chegado aos 75% em 2017; a maioria desta dívida foi contraída em moeda estrangeira e os credores são comerciais”, sublinha o Banco Mundial, concluindo que foi este “pesado fardo da dívida” que levou o Governo a sinalizar a intenção de querer reestruturar a dívida.

No relatório ‘Fiscal Monitor’, divulgado na quarta-feira pelo FMI, Angola aparece como tendo uma dívida pública de 65,3% em 2017, que subirá para 73% este ano, descendo depois gradualmente até aos 60,5% em 2023.

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