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Artes Plásticas: Nelson Neves comemora 17 anos de carreira com mega-exposição em Cabo Verde

Este ano, Nelson Neves espera realizar uma exposição em Cabo Verde, com obras produzidas em diferentes períodos dos seus 16 anos de carreira.

Nelson Neves nasceu em Março de 1973, mais precisamente em Povoação, concelho de Ribeira Grande. Com nove anos emigrou, juntamente com os pais, para o Luxemburgo, onde até então reside. Ainda em tenra idade, Nelson começou a realizar os seus primeiros trabalhos de pintura. Mais tarde, no liceu, passou para as telas, sempre com recurso a tinta acrílica.

Em 2001 realizou a sua primeira exposição de quadros no Luxemburgo, a pedido de uma amiga. “Celeste Monteiro abordou-me por duas vezes, porque iam organizar uma semana cultural cabo-verdiana no Luxemburgo. Nesse evento iam ser expostas quadros, fotografias e ainda apresentações de danças tradicionais de Cabo Verde”, recorda Nelson Neves.

A tal semana cultural cabo-verdiana decorria em vários pontos do Luxemburgo, mas a primeira exposição de Nelson Neves foi realizada na região de Rodange. Na altura tratava-se de uma experiência nova para este artista, que movido pela reacção positiva do público, “mergulhou”, de corpo e alma, nas artes plásticas, ainda que enquanto passatempo.

Se a primeira exposição de sempre deste artista aconteceu na semana cultural cabo-verdiana no Luxemburgo, a primeira em Cabo Verde também não poderia andar muito longe. Em 2008, Neves recebeu um convite do Ministério da Cultura de Cabo Verde para expôr na cidade da Praia, por ocasião da semana cultural luxemburguesa em Cabo Verde.

Prémio “Guerreiros de Riace”

Em Dezembro do ano passado, Nelson Neves foi distinguido em Itália, com o prémio internacional “Guerreiros de Riace 2017”. O galardão é anualmente atribuído pela associação cultural “Italia in Arte nel Mondo”. O prémio de mérito “atribuído a este artista deve-se aos seus 16 anos de carreira, durante o qual se dedicou sobretudo a divulgação de arte contemporânea, através de exposições na Europa e em Cabo Verde. A candidatura de Nelson Neves ao prémio foi apresentada pela artista, pintora, poeta e escritora francesa, Maria Torrelli.

Nelson Neves dedicou o galardão à primeira geração de cabo-verdianos no Luxemburgo. “É um reconhecimento que dedico à primeira geração de cabo-verdianos que chegou ao Luxemburgo. Foi graças a eles que muitos cabo-verdianos vieram para cá, ajudando as suas famílias e Cabo Verde a ir para a frente. É também um prémio que me dá mais coragem para continuar a divulgar a arte contemporânea”, disse.

Academia Mundial de Arte

Em Janeiro de 2018 Nelson Neves alcançou mais uma conquista na sua carreira, ao se tornar membro da Academia Mundial de Arte, uma instituição francesa que se baseia na excelência e selecção de artistas talentosos. O seu dossier de candidatura tinha sido apresentado à organização em Dezembro, com o apoio do pintor marroquino, Abdel-Ilah Chahidi. Nesse dossier, Neves incluiu 12 quadros de sua autoria, dos quais dez foram aceites.

“Foi com uma grande satisfação que recebi a notícia de que a minha arte foi reconhecida por uma instituição como a Academia Mundial de Arte, o que me vai permitir divulgar os meus trabalhos pelo mundo inteiro”, avançou Nelson Neves ao A NAÇÃO.

A Academia Mundial de Arte tem como missão contribuir para o desenvolvimento, reconhecimento, sustentabilidade e sucesso dos seus membros, através de um rigor estético. A instituição organiza exposições no mundo inteiro.

Exposição Retrospectiva

Em 2018 Nelson Neves completa 17 anos de carreira, algo que o artista pretende assinalar com duas megaexposições, uma em Luxemburgo e outra em Cabo Verde. “Trata-se de uma exposição com pouco mais de 50 quadros figurativos e abstractos, que eu pintei ao longo destes anos, ou seja uma espécie de retrospectiva”, adianta.

Boa parte das obras a serem apresentadas em Cabo Verde inspiram-se em vivências do artista no Luxemburgo, numa zona com um passado industrial, conforme faz saber. “Ainda há presença de muitas fábricas apesar de parte delas terem parado de funcionar. É tipo um património nacional, até porque já só resta muita ferrugem, com cores diferentes”.

Nestas obras Neves também retrata o quotidiano em Cabo Verde, com quadros feitos a partir de fotografia registadas nas suas várias deslocações a este arquipélago.

Solidariedade

Para Cabo Verde a exposição ainda está dependente de apoios e parcerias que Nelson Neves pretende firmar o quanto antes. Neste momento o artista está em contactos com algumas entidades como a Câmara do seu município no Luxemburgo, Differdange. Em Cabo Verde o cenário mais provável é um trabalho conjunto com o Ministério da Cultura.

Uma certeza deixada por Neves é que parte do lucro obtido com a venda dos trabalhos irá reverter-se à favor de instituições de solidariedade e escolas do país.

JF

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