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Crime Eleitoral: MP deduz acusação contra Delegado da Águabrava

Se condenado, afirma uma fonte judicial, José Rodrigues poderá apanhar uma pena de prisão efectiva superior a cinco anos

A Procuradoria da República junto do Tribunal Judicial da Comarca de São Filipe-Fogo já deduziu a acusação contra do director/delegado da empresa Águabrava, alegadamente, por crimes eleitorais, aquando das eleições legislativas de 20 Março de 2016. José “Gama” Rodrigues terá mandado recolher centenas de Bilhete de Identidade quase nas vésperas das eleições.

Se condenado, afirma uma fonte judicial, José Rodrigues poderá apanhar uma pena de prisão efectiva superior a cinco anos.

O caso partiu de uma denúncia do actual presidente da Câmara Municipal de São Filipe, Jorge Nogueira, a poucos dias das eleições legislativas de 2016, em que o MpD saiu vitorioso. Nogueira denunciou, então, que a Águabrava estava a recolher bilhetes de identidade com fins eleitorais e, inclusive, apresentou uma imagem em que um funcionário daquela empresa de distribuição de água nas ilhas do Fogo e da Brava aparece com vários BI’s nas mãos.

Tentamos ouvir José Rodrigues, mas fomos informados que o mesmo se encontra ausente do país. Até o fecho desta edição não recebemos qualquer resposta a um e-mail a ele enviado. Mas recordemos que, na altura, Rodrigues refutou as denúncias, desafiando o agora edil sanfilipense a apresentar uma pessoa que fosse para testemunhar que o seu BI estava retido na empresa.

No que diz respeito à suposta imagem em que o funcionário da Águabrava aprece com vários bilhetes de identidade, Gama explicou que se estava em curso a ligação de água ao domicílio e que nas localidades mais distantes o responsável pelo chafariz é quem recolhia os bilhetes para fazer cópia e dar andamento ao processo administrativo. Rodrigues fez questão de frisar também que não pertencia a nenhum partido e que o cargo que ocupa foi conseguido por via de concurso público.

OUTRA VERSÃO PARA UMA MESMA DEFESA

Quem também veio a público falar sobre o assunto, na altura, foi o ex-edil de São Filipe, Luís Pires. Em relação com aos bilhetes de identidade e da ligação de água domiciliária, Pires explicou que a Águabrava tinha em curso um projecto orçado em mais do que 147 mil contos, em que seriam construídos sete reservatórios e quatro estações de bombagem. Por isso, o projecto estava a ser desenvolvido com a abertura de valas e extensão da rede em mais do que 49 quilómetros de tubos, para a ligação de água a mais do que cinco mil habitantes da zona norte.

Conforme o ex-autarca, durante os encontros entre a Câmara, a Águabrava e as Associações Comunitárias ficara assente de o processo de pagamento dos mais do que cem trabalhadores ficava ao cargo das associações. E que neste processo seria necessário uma cópia ou os bilhetes de identidade dos utentes.

Luís Pires estranhou o facto de Jorge Nogueira não soubesse que “quaisquer pagamentos efectuados a uma pessoa singular ou colectiva requerem cópias ou bilhete de identidade e NIF”. Por isso, considerou que, em nome do desenvolvimento do Fogo, Nogueira teria que pedir desculpas ao povo desta ilha “pelo seu tremendo engano pelo seu grave erro”.

Contactado, Jorge Nogueira não quis, desta feita, proferir qualquer argumento sobre o assunto.

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