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“Amoransa”, 1º álbum de Romeu di Lurdis: O quotidiano crioulo na alma de um poeta

Romeu di Lurdes, nome artístico de Carlos Manuel Tavares Lopes, 28 anos, é um jovem compositor, “romântico assumido”

“Amoransa é o primeiro álbum de originais de Romeu di Lurdis. Este disco de estreia espelha a alma de um poeta que traz um pouco de tudo, amor, saudades, costumes, encontros e desencontros… “Amoransa” conta com a participação de, entre outras vozes, Princezito e Victor Duarte.

Romeu di Lurdes, nome artístico de Carlos Manuel Tavares Lopes, 28 anos, é um jovem compositor, “romântico assumido”, e uma promessa da música tradicional cabo-verdiana. “Amoransa”, o seu disco de estreia, vai ser lançado brevemente. O termo é a junção de duas palavras “que definem a cabo-verdianidade”: Amor e Esperança.

Em 2012, o artista tornou-se mais conhecido pelo público ao participar no concurso musical “Talento Strela”. Já em 2016, ajudou a abrir a oitava edição do Kriol Jazz Festival. Estes dois eventos também abriram-lhe as portas para a efctivação do seu primeiro trabalho discográfico, onde o amor é tema forte.

“Escrevo muito sobre amor, que é uma grande inspiração para mim. Sempre apresentei algo muito natural, genuíno e original, pensando sempre em cantar a vida do povo destas ilhas, de acordo com a minha forma de pensar, de viver, escrever e de criar a minha história”, diz ao A NAÇÃO.

RAIZ NO TRADICIONAL

Em “Amoransa”, Romeu di Lurdes traz composições originais da sua autoria: Sonhu Sufridu, Boita na Fazenda, Midjor Mai di Mundu, Ranja ku Mi, Vida di Studanti, Paraizu Praia, Barku di Alentu, Fera na Sukupira, Amargura, Tirsidjadu, Nha Rubera, Txitxaru Fresku, Mudjer, Imigrason. Alguns desses temas são já conhecidos do público, mas nesse álbum vêm com uma roupagem diferente. Há um dueto, com Princezito, em “Ranja ku Mi” – um batuco, outro com Ineida Moniz e outro com Victor Duarte.

“Amoransa” é, segundo o seu autor, um álbum com histórias interessantes da vivência do povo das ilhas, com melodias cativantes a acompanhar, num trabalho de equipa. Houve participação efectiva de vários músicos, numa direcção musical de Ivan Medina. O CD traz dois batucos, duas coladeiras, uma morna, um funaná e alguns funanás lentos, que fazem parte da criação artística e do estilo do artista.

“Este álbum é uma virtude artística para mim, porque estou a dar continuidade ao que encontrei, as referências que tenho, com o meu impulso e maneira de sentir, ver e fazer as coisas. É uma bênção cultural quando um jovem decide lançar um álbum tradicional”, orgulha-se.

“MÚSICA É POESIA MELODIADA”

Romeu di Lurdes concluiu a sua licenciatura em Gestão de Património Cultural e vai terminar o seu mestrado em Setembro. Segundo diz, os estudos deram-lhe muita sustentabilidade, tornando-se, nos últimos anos, num artista mais maduro.

“Gosto de escrever e a parte académica é um grande suporte. Para retratar a história e tradição há-que ter noção das coisas, para se poder fazer uma música com ‘pés e cabeça’. Felizmente eu não gravei o álbum há três ou quatro anos atrás, quando eu estava cheio de vontade, porque o que consegui fazer agora não conseguiria naquela altura”, admite.

O artista pensa, ainda, editar em livro os muitos poemas que tem escrito. “Tenho obras poéticas prontas que quero conciliar, de uma forma estratégica, com o meu trabalho musical. Para mim, música é poesia melodiada”, diz. Ceuzany e Sara Tavares são alguns renomados artistas que já gravaram composições da autoria de Romeu di Lurdes.

O músico também é activista social, responsável pelo projecto social no bairro de Ponta d’Água, um dos mais problemáticos da Praia. “Desenvolver a comunidade através da cultura” é o lema do projecto que tem como objectivo transmitir a mensagem de que a arte é uma forma especial de resolver e fugir dos problemas.

“Criamos um grupo de música infantil, ‘Clave de Flow’, que quero dar continuidade. Até aquela altura eu não tinha composto músicas infantis, mas junto com as crianças criámos temas que chegam para fazer um disco de músicas infantis, que carece muito em Cabo Verde”, revela.

Entretanto, por motivos académicos, o projecto teve de ser suspenso, mas Romeu di Lurdes garante que pretende restitui-lo com mais sustentabilidade.

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