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O ambiente laboral era “muito mau” ao tempo em que a Sterling assumiu a gestão da Cabo Verde Airlines – antigo piloto

A CPI foi criada com o objectivo de apurar “toda a verdade” sobre a gestão dos TACV, desde 1975 a 2016.

O antigo presidente da Associação dos Pilotos de Cabo Verde disse hoje que o ambiente laboral era “muito mau” ao tempo em que a empresa canadiana Sterling assumiu a gestão da TACV-Cabo Verde Airlines.

O comandante Luís Semedo fez estas considerações durante a audição na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que, no entanto, não terminou por causa de um incidente entre os deputados da bancada do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV-oposição) e os do Movimento para a Democracia (MpD-poder) que levou o presidente Emanuel Barbosa a suspender os trabalhos.

A CPI foi criada com o objectivo de apurar “toda a verdade” sobre a gestão dos TACV, desde 1975 a 2016.

Luís Semedo, que, além de instrutor de pilotos, também desempenhou várias vezes o cargo de director de Operações de Voos, disse que não guarda boa memória da gestão da Sterling Merchant e lembrou que na altura, foi alvo de um “pseudo-processo disciplinar e com ameaças de despedimento” por se ter recusado a dar formação a três pilotos islandeses.

“O senhor Gilles Filliatreaut queria que suspendêssemos a formação em curso de três co-pilotos nacionais do Boeing-757 e déssemos a formação de 03 co-pilotos islandeses, o que recusei enquanto instrutor”, precisou o antigo comandante Luís Semedo, acrescentando que aqueles pilotos da Islândia nem sequer possuíam os mínimos em termos de horas de voo para que pudessem receber a referida formação.

Sobre a gestão da TACV por parte da Sterling não pensa que tenha havido “grandes evoluções” nem técnicas nem sócio laborais na empresa.

De acordo com as suas palavras, a Sterling Merchant é uma empresa vocacionada para a gestão de aeroportos e a TACV “não era e não é uma empresa de administração de aeroportos”.

Segundo ele, na altura houve “tentativas de despedimentos dos trabalhadores sem que houvesse um estudo que estes tivessem conhecimento”.

“A conduta pessoal do senhor Gilles Filliatreaut não se coadunava com uma gestão, digamos, séria, porque passava dois dias em Cabo Verde e o resto no exterior em missão ou não de serviço”, lamentou.

Instado sobre o melhor período da TACV, Semedo escusa-se a falar em termos da situação financeira da companhia aérea de bandeira, mas avança que foi na década de 90 que a transportadora aérea nacional adquiriu os boeings, aviões de longo curso, e começou a voar por este mundo fora e, por isso, representou um “salto qualitativo” não só para os pilotos, mas também para a companhia e Cabo Verde em geral.

“Passámos de operações inter-ilhas para operações internacionais, operando em todos os aeroportos do mundo”, indicou para depois defender que tecnicamente TACV deu um “salto enorme”.

Relativamente ao descalabro financeiro que já levou a companhia a fechar as portas no que concerne aos voos domésticos, disse que tem acompanhado a situação com “muita tristeza e preocupação”.

Com 30 anos na TACV e mais de 20 mil horas de voo, este antigo piloto lembrou que foi com “muito orgulho” que ajudou na edificação da companhia aérea nacional que, segundo ele, agora está a tomar outro rumo.

Luís Manuel Semedo começou a trabalhar nos TACV em 1981 e em 2012, por razões de saúde, foi para a reforma.

Inforpress

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