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Pilotos da Binter CV queixam-se de sobrecarga horária: Zapico diz que a empresa “não é a TACV”

Dados recolhidos pelo A NAÇÃO referem que os pilotos ao serviço da Binter CV estão em vias de constituir uma associação e posteriormente se sindicalizarem para poderem melhor defender os seus direitos e fazerem frente ao que chamam de clima de “pressão” e “intimidação”.

Alguns pilotos da Binter Cabo Verde dizem-se sobrecarregados em termos de horas de voo e falam até em clima de tensão e intimidação por parte da companhia. Raul Zapico, director-geral da empresa, desmente, alegando estar a cumprir à risca a legislação e que a Binter “não é a TACV”, onde “tudo era permitido”, contribuindo para a sua falência.

Dados recolhidos pelo A NAÇÃO referem que os pilotos ao serviço da Binter CV estão em vias de constituir uma associação e posteriormente se sindicalizarem para poderem melhor defender os seus direitos junto da entidade patronal e fazerem frente ao que chamam de clima de “pressão” e “intimidação” existente na companhia.

No centro das queixas, entre outros motivos, está o facto de a Binter andar a operar “muito acima da capacidade do seu pessoal”, sobrecarregando os pilotos com a carga horária diária, sem respeitar “minimamente as necessidades básicas” desses profissionais, que dizem ser um aspecto “essencial da segurança de voo”. “Na TACV, voávamos seis horas diárias; na Binter voamos oito. Chegamos ao fim do dia exaustos. Voamos inter-ilhas em condições muito adversas. O máximo estabelecido na legislação é 10 horas e acho que só não põem 10 horas porque já devem ter vergonha depois de reclamarmos”, confidenciou ao A NAÇÃO um dos pilotos que não se quis identificar com receio de represálias internas.

A celeuma, segundo as nossas fontes, reside ainda no facto de haver na empresa ascensões “meteóricas” de pessoal com “pouca experiência” para assumir cargos de chefia e que são aliciados com “promessas” de progressão na carreira desde que “sigam na linha” da empresa. Um dos exemplos é o do chefe de instrução. “Só assim se explica que este ex-copiloto da TACV, que há um ano atrás era copiloto da Binter CV, tenha passado em poucos meses a Comandante, a Piloto Instrutor e, finalmente, a Chefe de Instrução da companhia, tudo isto em 2017!”.

As nossas fontes argumentam ainda que devido ao clima interno reinante e às condições de trabalho impostas aos pilotos, a Binter está a ser obrigada a recrutar pilotos no Brasil porque os de Cabo Verde não “aceitam trabalhar nessas condições”.

Raul Zapico, director-geral da Binter CV, mostra alguma perplexidade em relação às queixas recolhidas pelo A NAÇÃO e garante que a carga horária dos pilotos está regulada pela Agência de Aviação Civil de Cabo Verde (AAC), com uma normativa “muito estrita”, que não permite ultrapassar os máximos que a própria AAC tem estabelecidos.

“A legislação é um pouco complexa, mas tanto os trabalhadores como a empresa conhecem e cumprimos”, argumenta. Zapico diz ainda que a Binter “não está interessada em ultrapassar os máximos” porque isso significaria perder a licença de operador aéreo.

“A Binter não brinca com a segurança e nós cumprimos estritamente a normativa da aviação civil. Se a Binter incumprisse a normativa, a AAC seria a primeira a nos dizer que estávamos a incumprir”, alega. O nosso entrevistado vai mais longe e contrapõe que as horas de voo em Cabo Verde estão aquém das praticadas a nível sub-regional. “A média horária nossa pode ser 80 voos mensais, que podem ser umas 60 horas efectivas de avião. Normalmente, os trabalhadores de operações de voo trabalham de 14 a 16 dias”, justifica.

*Leia a Reportagem na integra na edição impressa nº547 do Jornal A NAÇÃO.

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