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PEDRO DI NOVA, um músico esquecido

Assumindo-se mais um compositor do que intérprete, Pedrinho compõe principalmente, mornas, coladeiras, kolás e sambas.

Por: D. Tavares

Em Cabo Verde existem músicos que, pelo seu percurso, deveriam dispensar apresentação. Todavia encontram-se votados ao esquecimento o que não é salutar para a cultura de um povo. É caso de Pedrinho di Nova.

Pedro Cardoso nasceu em Serrado Norte, freguesia de São Lourenço, ilha do Fogo, no dia 30 de Junho de 1953, filho de Maria Nova Cardoso.

Com dezoito anos de idade mudou a residência para a cidade da Praia.

Pedro inclinou-se para a música inserido nas actividades do “Kolá San Djon” e “Festa de Tambor”, na ilha do Fogo.

A sua verdadeira entrada na arte musical deu-se, porém, durante o período preparativo para a proclamação da Independência de Cabo Verde, ao compor uma canção revolucionária.

Mas foi nos Estados Unidos da América, onde se fixou a partir de 1978, que Pedrinho abraçou não só a música, mas já agora a cultura no geral.

Fundou nesse ano o conjunto “Grito di Povo”, organizado a instrumentos eléctricos e, em 1983 gravou o seu primeiro trabalho discográfico.

Afora actividades ligadas à música, criou grupos de dança e teatro: “Kolá das Ilhas”, “Morabeza das ilhas”, e “Prima das Ilhas”, e foi ainda o promotor e fundador do “Grupo Artístico Cultural e Informativo da Comunidade” – GACIC –, com sede no Estado de Connecticut.

Assumindo-se mais um compositor do que intérprete, Pedrinho compõe principalmente, mornas, coladeiras, kolás e sambas, explorando temáticas variadas a exprimir, regra geral, o amor à terra e o apego às raízes:

“Nha guente n’ s’tába na s’trangeru

Cu gana di bai odja nha terra

És dan’ licença n’ bá braçal

N’ bá n’ cuscus di midju terra

(…)”

Uma temática desenvolvida mesmo no estilo kolá:

“Olé-lé, olé-lá, olé-lé, olé-lá

Olé-lé, olé-lá, olé-lé, olé-lá

Olé-lé, olé-lá, olé-lé, olé-lá

Olé-lé, olé-lá, olé-lé, olé-lá

Câ bu obi cu obidu

Du bá odja Cabu Verdi

Cu nôs odju

(…)”

Além de actividades ligadas à música, dança e teatro, animou durante 12 anos os programas radiofónico “A Voz das Ilhas” e televisivo “TV Sodade”, que contribuiu para manter a comunidade cabo-verdiana, particularmente a das cidades americanas de New Haven, Bridgeport e Waterbury, ligada às suas raízes.

Pedrinho reside hoje em Terra Branca, na cidade da Praia.

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