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O desabafo emotivo do empresário de Rúben Semedo: “O meu menino não merecia esta crueldade”

Para Catió Baldé, a Rúben Semedo "caiu numa armadilha". O central do Villarreal está em prisão preventiva, acusado da prática de seis crimes, entre os quais tentativa de homicídio.

Catió Baldé escreveu uma carta no blogue Ditadura de Consenso onde revela que o jogador português do Villarreal “caiu numa armadilha”. Central foi detido e ficou em prisão preventiva, acusado de tentativa de homicídio e posse ilegal de arma, entre outras.

Para Catió Baldé, a Rúben Semedo “caiu numa armadilha”. O central do Villarreal está em prisão preventiva, acusado da prática de seis crimes, entre os quais tentativa de homicídio.

Numa carta aberta publicada no blogue Ditadura de Consenso, o empresário escreve um longo texto sobre o “filho”, num relato emocionado da ascensão e queda do miúdo do Casal da Mira, desde as origens até à transferência milionária do Sporting para Espanha, no verão, por 14 milhões de euros.

“O Rúben Semedo, como muitos jovens jogadores, estão expostos aos novos abutres que proliferam à volta deles. São assediados de todas as formas, por mulheres, frequentam discotecas e possuem carros luxuosos e potentes. Vestem as melhores marcas, vivem em sumptuosas vivendas e muito mais. O Rúben Semedo infelizmente caiu numa dessas armadilhas, burlado por especialistas e experts na matéria. O meu menino e jogador não merecia esta crueldade de estar a contas com a justiça, privando-o de fazer o que mais gosta que é jogar à bola”, pode ler-se na carta.

Eis a carta, publicada no blogue Ditadura do Consenso:

“Rubem Semedo, meu Filho

Catio Balde, Agente do Rubem Semedo

Há momentos na vida que não desejamos aos nossos piores inimigos. Estou destroçado e muito triste.

Rubem Semedo, filho de pais cabo-verdianos nascido em Portugal, produto concebido nos bairros de lata de Lisboa, casal de Mira, Damaia e Amadora. Faço esta identificação porque, muitos na comunidade guineense (amantes de futebol), associam o Rubem Semedo como guineense por ser representado pelo Catio Balde.

Entre 2007 e 2008, a Academia do Sporting, em Alcochete, era o viveiro dos maiores talentos de jovens futebolistas aspirantes a serem jogadores profissionais de futebol. Como colaborador externo da Academia, tinha acesso privilegiado e era visto como um parceiro válido no projeto do Sporting.

Tinha já nesse período, em Alcochete, entre 8 a 12 jogadores no regime de internato, e a maioria tinha vindo directamente da Guiné-Bissau e para escalões diferentes. Os jogadores que tiveram logo um impacto tremendo foram o Antoninho, o Bruno Mendonça, o Bruma, o Amido Baldé, o Agostinho Cá e o Edgar Ié.

Aquando da chegada do Rubem Semedo ao Sporting (fruto da prospecção do clube de Alvalade), vindo do Fofo e do Benfica, eu estava já a colaborar com o Sporting. Assisti e acompanhei de perto os primeiros passos do Rubem Semedo como jogador do Sporting, porque estava inserido no grupo de 1994 – considerado o melhor escalão por albergar os maiores talentos do futuro. Bruma, João Mário, Enric Die e Mané; Esgaio, Tobias Figueiredo, Iuri Medeiros.

Um dia, os directores da Academia, Professor Jean Paul, coordenador técnico e José Trocado, director administrativo, convocaram-me para uma reunião (era hábito ter estas reuniões). Sentados na sala, propuseram-me a possibilidade de passar a fazer um acompanhamento ao Rubem Semedo.

A explicação foi simples. Este miúdo precisa de alguém que o acompanhe e aconselhe e ele não tem ninguém. Nenhum empresário dos que aqui andavam e tinham o domínio sobre jogadores na academia, ninguém pegou no Rubem Semedo.

O professor Jean Paul, o maior e melhor coordenador técnico da Academia, disse-me o seguinte: Pega nesse jogador porque, ele vai ser um jogador de topo. Esse vai chegar lá e vais ganhar dinheiro com ele. Pediu-me que procurasse a família do Rubem Semedo e assim fiz.

Comecei a acompanhar a vida do Rubem Semedo e passei a olhar para ele como se fosse um menino descoberto no nosso estádio Lino Correia em Bissau. Há muitas histórias para contar mas, prefiro guardá-las para minha memória futura.

A nossa caminhada foi longa e dura, o miúdo foi crescendo e tornou-se cada vez mais e melhor jogador. Foi queimando etapas e na realidade os prognósticos do professor Jean Paul tornaram-se realidade.

Do Sporting a Reus, na Espanha, Setúbal e o Sporting, forma-se um defesa de topo. Já não restava dúvidas a ninguém que estávamos perante aquele que podia vir a ser um dos maiores defesas centrais modernos.

Rubem Semedo foi vendido ao Villarreal de Espanha por 14.000.000 de euros pelo Sporting. O sonho de jogar em Espanha e no melhor campeonato do mundo tornou-se realidade. Mas o início da época no novo clube não foi o mais desejado. Problemas físicos e de adaptação estiveram na origem periclitante do atleta no novo clube.

O Rubem Semedo, como muitos jovens jogadores, estão expostos aos novos abutres que proliferam à volta deles. São assediados de todas as formas, por mulheres, frequentam discotecas e possuem carros luxuosos e potentes. vestem as melhores marcas, vivem em sumptuosas vivendas e muito mais.

O Rubem Semedo infelizmente caiu numa dessas armadilhas, burlado por especialistas e experts na matéria. O meu menino e jogador não merecia esta crueldade de estar a contas com a justiça, privando-o de fazer o que mais gosta que é jogar à bola.”

 

 

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