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Familiares das crianças desaparecidas voltam a sair às ruas da capital

Manifestação percorre a Avenida Cidade de Lisboa, com paragem em frente ao Palácio do Governo.

Os moradores dos bairros de Castelão e Eugénio Lima vão sair sexta-feira às ruas da capital, numa marcha em sinal de protesto para “exigir das autoridades” pronunciamentos sobre as pessoas desaparecidas nos últimos tempos.

Albertino da Graça “Betinho”, padrasto de uma das últimas crianças desaparecidas, Sandro Mendes “Filú”, juntamente com a prima Clarisse Mendes “Nina”, avançou à Inforpress que a manifestação arranca por volta das 14:00 na localidade de Castelão, com passagem pelo Coqueiro, Paiol, Fazenda, onde irá juntar-se aos manifestantes do bairro de Eugénio Lima.

Daí, explica, numa “única força”, a manifestação percorre a Avenida Cidade de Lisboa, com paragem em frente ao Palácio do Governo, de onde seguirá depois para o Platô, com palavras de ordem junto à Presidência da República, para terminar na Rotunda 1º de Maio, na Fazenda.

De acordo com Alberto da Graça, essa é a forma encontrada pelos familiares das pessoas, mormente das crianças desaparecidas, para “exigirem das autoridades, sobretudo judiciárias e judiciais”, uma “satisfação” sobre os seus ente queridos, com o argumento que os familiares se sentem abandonados à sua sorte e sem qualquer apoio moral ou psicológico que estes casos aconselham.

Albertino da Graça diz-se agastado com “este silêncio e descaso” das autoridades, alegando que os familiares de Filú e Nina estão “destroçados e revoltados com esta tragédia”, a cada dia , pelo que “pedem justiça, mais segurança e um pronunciamento sobre o andamento dos processos”.

Nos últimos tempos, pelo menos sete pessoas, sendo quatro crianças e um adulto, na Cidade da Praia e dois adultos em Santa Catarina, de Santiago, foram dadas como desapreciadas e, apesar das investigações da Polícia Judiciária (PJ) nenhum dos casos ficou esclarecido até ao momento.

O primeiro caso conhecido na capital cabo-verdiana aconteceu em Agosto de 2017, com Edine Soares, 19 anos, que deixou a casa em Achada Grande Frente, alegando levar o bebé para o controlo no Programa Materno-Infantil (PMI), na Fazenda, sendo que até hoje, a mãe e filho continuam desaparecidos.

Em Novembro de 2017, Edvânia Gonçalves, de 10 anos, residente em Eugénio Lima, também desapareceu de forma misteriosa e até agora também não se sabe do seu paradeiro.

O último caso aconteceu no sábado, 03 de Fevereiro, com os primos Clarisse Mendes (Nina) de 09 anos e Sandro Mendes (Filú) de 11 anos, residentes no bairro de Castelão, que saíram de casa da avó para comprar açúcar, em Achada Limpo, na Cidade da Praia, e não regressaram.

O desaparecimento de pessoas nos últimos tempos é extensivo à Santa Catarina, onde Maria Sábado Sanches, 64 anos, da Ribeira da Barca, é dada como desaparecida desde 03 de Janeiro de 2016, ao passo que António Borges “Fresco”, 48 anos, da localidade de Boa Entrada, encontra-se desaparecido desde Agosto de 2017.

O director nacional da Polícia Judiciária, António Sousa, afirmara a 07 deste mês, que a policia científica já estava nas “pistas que estão a ser seguidas” sobre o desaparecimento de pessoas nos últimos meses na Cidade da Praia, mas colocava mesmo a possibilidade de pedir ajuda internacional”.

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