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Burocracia nos vistos adia sonho de Papalelê há nove meses 

Há mais de nove meses que o jovem avançado do Mindelense, Papalelê, aguarda por um visto consular, para poder embarcar no sonho de jogar numa equipa de futebol em França.

Ao que A NAÇÃO pôde apurar, no Centro Comum de Vistos, na Praia, foi-lhe recusado o visto, mais do que uma vez. A situação tem causado aborrecimentos não só ao jogador, como também ao seu empresário, Pedro Silva.

Bastou uma temporada na equipa principal do Mindelense para que os holofotes do futebol se virassem para o jovem ponta-de-lança do Clube Sportivo Mindelense, Papalelê. O jogador tem contrato rubricado com o agente desportivo português Pedro Silva, ao abrigo de um acordo entre o clube encarnado do Mindelo e o empresário.

Finda a época 2016/17, Silva fez os contactos no sentido de apresentar Papalelê à Europa do futebol. Da França, do clube Lille, chegou uma proposta e a partir disso começou a “guerra de nervos” para a obtenção do necessário visto para tirar o jogador de Cabo Verde.

“Começámos a preparar toda a documentação exigida no Centro Comum de Vistos (CCV). Pessoalmente, a partir de Portugal, fiz chegar tudo que nos foi exigido”, diz Pedro Silva, explicando que  a primeira recusa terá sido, alegadamente, por não haver garantias de que Papalelê tivesse local de estadia e alimentação em França.

No entanto, no processo do pedido do visto, diz Pedro Silva, constava uma carta do Lille, bem explícita, de que o jogador ficaria hospedado na Academia do Clube. O único senão, admite Silva, “é que a carta já tinha a data caducada”. Neste sentido, “o Lille enviou uma nova carta onde estavam incluídas as reservas do bilhete de avião e hotel”, tanto para o atleta como para Pedro Silva.

Nova espera e nova estratégia

Após essa nova carta, aguardou-se por mais um mês por uma resposta positiva por parte do CCV, algo que, novamente, voltou a não acontecer, pese embora os esforços até então envidados. Diante disso, Pedro Silva diz ter procurado por uma outra alternativa para conseguir o seu objectivo. “Contactei um senhor que responde pelo nome de Vadina (Osvaldino Coronel). Conheci-o na minha última estadia em São Vicente, pedi-lhe apoio no sentido de ajudar a conseguir o visto para o Papalelê. A prontidão foi total, tendo-me pedido uma série de documentos e deixado garantias de que iria contactar a pessoa que tinha na embaixada, que o ajudava noutros processos”.

Contudo, o tempo foi-se arrastando, sem que “Vadina” ou o CCV dessem algum feedback. Volvido algum tempo, o mesmo “Vadina” pediu a Pedro Silva que ligasse para uma senhora que trabalhava no CCV, para que o expediente fosse tratado.

“A senhora em causa disse-me, prontamente, que já não estava a trabalhar no CCV, devido a certos acontecimentos dentro da instituição que ditaram a troca de todos os funcionários”.

Nega pela terceira vez

Após algum tempo, o agente e o jogador receberam a mesma recusa do visto, pela terceira vez. Desta feita, foi-lhes dito que para a França, por conta da emigração ilegal, estava sendo muito difícil obter um visto.

A saída foi requerer um novo pedido, desta feita para Portugal, em Dezembro último, e com toda a documentação exigida e confirmada no acto de entrega. “O pedido foi validado no acto de entrega, ou seja, não faltava nada, inclusive o Mindelense esteve atrás de documentos de escola e certificados de habilitações literárias”, prossegue Pedro Silva.

Até à presente data, Papalelê ainda não conseguiu o tão desejado visto, e nisso chegou a receber outras abordagens de agentes, bem conhecidos em São Vicente, que disseram que poderiam conseguir-lhe um visto em poucos dias. Sem mencionar nomes, Silva questiona-se: “O que é preciso para se conseguir um visto em Cabo Verde?”

Passado recente não ajuda

Pedro Silva acredita que esta demora está directamente relacionada com acontecimentos que vêm manchando a transferência de jogadores de Cabo Verde para a Europa, concretamente, a falsificação de documentos. Em finais de 2016, veio à tona um escândalo em torno da falsificação de documentos por parte de vários futebolistas cabo-verdianos a actuar em Portugal. O jogador do Gil Vicente, Platiny, foi um dos que viu o seu contrato rescindido, tendo inclusive sido constituído arguido. Muitos desses atletas tiveram que retornar ao país de origem.

Com isso, o agenciamento de jogadores cabo-verdianos tornou-se mais difícil. No caso de Papelê, Pedro Silva diz já ter recorrido à Embaixada de Portugal, na cidade da Praia, para saber quais os motivos do impasse, mas não obteve uma resposta. Até o fecho desta edição, este semanário não conseguiu uma reacção do Osvaldino Coronel.

 

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