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Roma

‘Morabeza’ é sexo comerciado em todas línguas com marinheiros de todos os mares 

Filinto Elísio

Belíssima Roma

O trem do avião relincha na pista do Aeroporto de Ciampino | e termino de ler “A glória e seu cortejo de horrores” (de Fernanda Torres) | Estamos na Cidade Eterna | e balbucio-te este poema “Manhã” (de Giuseppe Ungaretti):

“Entre uma flor colhida e o dom de outra
o nada inexprimível”
*****
Fontana di Trevi | e tudo dito…
*****
Está desafiado para um duelo quem afirme não ser esta a “Roma” de Felinni (grande Frederico) | por mais que sob o mando das ruínas ela se me transfigure | Entrementes | viemos a trabalho | Amanhã | na Fundação Lelio e Lisli Basso e numa parceria com a Associação Tabanka Onlus | o livro “Cartas de Amilcar Cabral a Maria Helena: a outra face do Homem” | No domingo | a palestra sobre a cultura cabo-verdiana contemporânea | e o lançamento do “All’inferno” (O inferno”) | com a presença do autor Arménio Vieira | O mais (e com dom de outra): belíssima Roma!

Aos letrados & aos nem por isso

Não só de Roma este texto | Em 1977 | Henrique de Oliveira Barros (Djick) | um dos nossos intelectuais mais lúcidos | escrevia o poema Morabeza, please, please, please | que vale a pena fazer recordar os leitores:

Os letrados Cabo-Verdianos de Portugal ou portugueses de Cabo Verde

Buscaram sempre o consagrante olhar de Lisboa.

Falaram de miséria para lisboa ouvir

Escreveram miséria para lisboa ler

Pediram para lisboa fazer

Pararam para lisboa resolver

“Morabeza” chocolate, please!

“Morabeza” cigarrette, please!

“Morabeza”, please, please, please!

“Morabeza” é sexo comerciado em todas línguas com marinheiros de todos os mares.

“ Morabeza” hoje

Que negreiros em versão moderna

Deixaram Cabo Verde rumo ao crescimento de Lisboa.

É arte de receber o invasor

Em todas as formas de chegar

Em todas as formas de querer ficar (…)

“ Morabeza” é ode ao conformismo

“ Morabeza” é desarmamento!

Portugal inventou em  nós a “Morabeza”

Os Literatos Cabo-Verdianos

Criaram ou caíram na glosa deste note

Tão velho como as velhas caravelas

Morabeza, please, please, please!

Praça Navona

Leva-se o tempo enigmático aos confins da memória e atravessa-se a mansarda dos labirintos | Arco do pensamento carregava-o | Sisifo que soletra a eternidade pelo cansaço e Cristo que sublima a salvação pelo martírio | Passeia-se pela Praça Navona | na beleza das suas três fontes | e mil deuses feitos estátuas silenciosas | eternizam imperadores e o relinchar de seus cavalos pelas águas.

Prosódia romana

Como Medusa que petrifica quem a olhe | assim me pareceu Roma | depois de ter relido os 99 + 1 cantos da Divina Comédia | e experimentado os três círculos do universo | Não que “All’inferno” (de Arménio Vieira) fosse menos profuso que a primeira estação de Dante | nem apresentá-lo com Homero e Ovídio | Horácio e Camões | trazendo todos os absurdos de Kafka e os sonhos de Borges | confere-nos a perfeição do Cânone Ocidental | Ele é absolutamente literatura-mundo | algo visceralmente contemporâneo e arauto de um novo fazer cabo-verdiano | Entrementes olhando Roma entre a “sinistra” desmantelada e o “sinistro” dos seus poderes | a petrificação nas ruínas resistentes | Uma espécie de paraíso | porquanto “Il Paradiso e la terza ed ultima cantica della divina Commedia”…

a

Belíssima Roma

O trem do avião relincha na pista do Aeroporto de Ciampino | e termino de ler “A glória e seu cortejo de horrores” (de Fernanda Torres) | Estamos na Cidade Eterna | e balbucio-te este poema “Manhã” (de Giuseppe Ungaretti):

“Entre uma flor colhida e o dom de outra
o nada inexprimível”
*****
Fontana di Trevi | e tudo dito…
*****
Está desafiado para um duelo quem afirme não ser esta a “Roma” de Felinni (grande Frederico) | por mais que sob o mando das ruínas ela se me transfigure | Entrementes | viemos a trabalho | Amanhã | na Fundação Lelio e Lisli Basso e numa parceria com a Associação Tabanka Onlus | o livro “Cartas de Amilcar Cabral a Maria Helena: a outra face do Homem” | No domingo | a palestra sobre a cultura cabo-verdiana contemporânea | e o lançamento do “All’inferno” (O inferno”) | com a presença do autor Arménio Vieira | O mais (e com dom de outra): belíssima Roma!

Aos letrados & aos nem por isso

Não só de Roma este texto | Em 1977 | Henrique de Oliveira Barros (Djick) | um dos nossos intelectuais mais lúcidos | escrevia o poema Morabeza, please, please, please | que vale a pena fazer recordar os leitores:

Os letrados Cabo-Verdianos de Portugal ou portugueses de Cabo Verde

Buscaram sempre o consagrante olhar de Lisboa.

Falaram de miséria para lisboa ouvir

Escreveram miséria para lisboa ler

Pediram para lisboa fazer

Pararam para lisboa resolver

“ Morabeza” chocolate, please!

“ Morabeza” cigarrette, please!

“ Morabeza”, please, please, please!

“ Morabeza” é sexo comerciado em todas línguas com marinheiros de todos os mares.

“ Morabeza” hoje

Que negreiros em versão moderna

Deixaram Cabo Verde rumo ao crescimento de Lisboa.

É arte de receber o invasor

Em todas as formas de chegar

Em todas as formas de querer ficar (…)

“ Morabeza” é ode ao conformismo

“ Morabeza” é desarmamento!

Portugal inventou em  nós a “Morabeza”

Os Literatos Cabo-Verdianos

Criaram ou caíram na glosa deste note

Tão velho como as velhas caravelas

Morabeza, please, please, please!

Praça Navona

Leva-se o tempo enigmático aos confins da memória e atravessa-se a mansarda dos labirintos | Arco do pensamento carregava-o | Sisifo que soletra a eternidade pelo cansaço e Cristo que sublima a salvação pelo martírio | Passeia-se pela Praça Navona | na beleza das suas três fontes | e mil deuses feitos estátuas silenciosas | eternizam imperadores e o relinchar de seus cavalos pelas águas.

Prosódia romana

Como Medusa que petrifica quem a olhe | assim me pareceu Roma | depois de ter relido os 99 + 1 cantos da Divina Comédia | e experimentado os três círculos do universo | Não que “All’inferno” (de Arménio Vieira) fosse menos profuso que a primeira estação de Dante | nem apresentá-lo com Homero e Ovídio | Horácio e Camões | trazendo todos os absurdos de Kafka e os sonhos de Borges | confere-nos a perfeição do Cânone Ocidental | Ele é absolutamente literatura-mundo | algo visceralmente contemporâneo e arauto de um novo fazer cabo-verdiano | Entrementes olhando Roma entre a “sinistra” desmantelada e o “sinistro” dos seus poderes | a petrificação nas ruínas resistentes | Uma espécie de paraíso | porquanto “Il Paradiso e la terza ed ultima cantica della divina Commedia”…

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