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São Domingos: Pascoal Fernandes, um agente cultural multifacetado

Discípulo de Ano Nobo, com quem fazia parte do grupo “Bom Jardim”, Pascoal vê também no artesanato uma forma de divertir e, porque não, ganhar algum dinheiro.

 

Domingos Fernandes Pascoal, músico e artesão, é uma das figuras da cultura em São Domingos, na ilha de Santiago. Na música, é discípulo de Ano Nobo, e no artesanato é ainda dos poucos que produz e toca cimboa, instrumento que está praticamente em desuso. Aprendeu com o mestre Manu Mendi.

Discípulo de Ano Nobo, com quem fazia parte do grupo “Bom Jardim”, Pascoal vê também no artesanato uma forma de divertir e passar os tempos livres e, porque não, ganhar algum dinheiro. Agora, na reforma, dispõe de mais tempo para se dedicar ao artesanato e a confecção de cimboa, instrumento musical que tem vindo, cada vez mais, a entrar em desuso.

“Apareceu o projecto de preservação da cimboa, um instrumento que está em vias de extinção, e tenho fabricado muitos. Passamos de 2005 a 2009 a vasculhar toda ilha de Santiago e Cabo Verde inteiro, juntamente com o Instituto do Património Cultural (IPC), e descobrimos apenas três pessoas que sabem fazer e tocar cimboa”, lamenta.

Pascoal aprendeu a fazer e tocar esse instrumento com o falecido Manu Mendi, também ele de São Domingos. Era conhecido no meio cultural como um dos sobreviventes da arte de produção e execução da cimboa, um instrumento que terá a sua origem no continente africano.

“Manu Mendi era único que sabia fazer a cimboa completa, executava todas as técnicas necessárias”, lembra Pascoal.

Pascoal afirma que a maior parte das peças artesanais que faz é por gosto. “Faço quadros de pessoas que eu admiro, como Amílcar Cabral, Pedro Pires, Ano Nobo, Gil Semedo, familiares, entre outros”, diz. Também faz cimboa por divertimento, mas há vários estrangeiros que procuram. “Por isso, sempre tenho um ou dois prontos para vender, porque fica-me mal alguém ir procurar e não encontrar”, justifica.

E conclui: “São Domingos, em termos culturais, nunca esteve mal. É verdade que tem faltado algum apoio, mas felizmente, maior parte das pessoas que fazem cultura, fazem por gosto”.

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