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Alda, a doceira da “Abílio Duarte”

Maria Lopes da Moura, ou Alda, deixou toda uma vida em Calheta de São Miguel, sua terra-natal (no interior de Santiago), depois de perder o emprego no Estado, para tentar a sorte na capital, onde teve de recomeçar praticamente do zero. Doceira de mão cheia, foi à frente dos portões da Escola Secundária “Abílio Duarte” (no Palmarejo, Praia) que, há 15 anos, Alda encontrou o seu sustento.

Aos 48 anos, Maria Lopes da Moura, ou Alda, como é carinhosamente chamada pelos estudantes da ESAD, relata, com orgulho, a sua trajectória, numa vida marcada por “doces e amargos”. Mãe de dois filhos, já crescidos, Alda encarna o que se pode chamar de “mãezona”. Como diz, são incontáveis os “filhos do coração” que ganhou em quinze anos de venda na porta do liceu do Palmarejo, na Praia. “Deus deu-me dois, mas a vida deu-me incontáveis outros filhos, gerados por outras mães”, afirma, com um largo sorriso no rosto.

Nos portões da ESAD, Alda viu a vida recomeçar, quando foi “obrigada” a deixar a casa, em Calheta de São Miguel, para poder criar os seus dois filhos. É que à então jovem mãe, que acabara de perder o seu emprego no Estado, não restou alternativa senão migrar para a capital em busca de melhores condições de vida.

“Eu trabalhava em obras públicas e no MDR, tinha o meu salário fixo todo o mês, mas, por uma pregação do destino, perdi o emprego e fiquei desamparada. Comecei por trabalhar em casas de famílias, onde aprendi quase tudo o que sei fazer na cozinha, até a altura em que decidi que era hora de gerar o meu próprio rendimento. Nem sabia o que era, mas queria ser empreendedora e rumei à Praia”, conta.

Sonho de casa própria

Sem muitos recursos, Alda apoiou-se no que sabia fazer, arriscou e deu certo. Residente em Fontom, arrumou um balaio, instalou-se na porta da ESAD e não mais saiu, e já lá vão quinze anos.

Há dois anos, depois de muito sol, chuva ou vento, Alda beneficiou-se, juntamente com as demais colegas, de um quiosque e formação, facultados pela Câmara Municipal da Praia (CMP). Antes, porém, esteve na eminência de perder o direito de vender à frente da escola na sequência de uma lei do mesmo ano que restringia a venda de guloseimas a menos de 200 metros das instalações de ensino.

Satisfeita, Alda diz ser hoje uma mulher feliz com o seu trabalho, aquele que lhe permitiu criar e educar os filhos, faltando-lhe apenas a casa própria para que seja uma mulher realizada. “Tenho certeza que trabalhar por conta própria foi a melhor escolha que fiz. Sinto-me bem aqui, trabalhando num ambiente agradável, e fazendo o que gosto. Fiz grandes amigos desde que comecei aqui e o sentimento não podia ser outro senão de orgulho. Resta-me realizar o meu último sonho que é de construir a minha casa própria para dizer que sou completamente feliz e realizada”, diz.

JN

( Leia mais no jornal da edição – 532 de 9 a 15 de Novembro de 2017 )

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