Home » Actualidades » Barragem de Faveta: Cansados de esperar, agricultores extraem água para lavrar a terra

Barragem de Faveta: Cansados de esperar, agricultores extraem água para lavrar a terra

Cansados de esperar pela implementação do projecto agrícola junto da barragem de Faveta, conforme promessa do Governo, os agricultores dessa localidade de São Salvador do Mundo resolveram, por sua própria conta, explorar a água existente naquela infra-estrutura. O Ministério da Agricultura e Ambiente garante que o referido projecto agrícola vai ser implementado no início de 2018.

A Barragem de Faveta, em São Salvador do Mundo (interior de Santiago), inaugurada em Julho de 2013, gerou enormes expectativas entre os agricultores e os moradores locais. Para a sua desolação, quatro anos depois, a segunda fase do projecto, que passa por levar água até os reservatórios e às parcelas dos lavradores, continua por efectivar-se.

Cansados de ver a água das chuvas acumulada naquela infra-estrutura a evaporar-se, todos os dias, os agricultores decidiram, por própria conta e risco, arregaçar as mangas, através de bombagens por gravidade e com motor, para lavrar as suas propriedades. Conforme alguns disseram ao A NAÇÃO, quando as autoridades decidirem o que fazer com a água da barragem já os encontrará com as mãos na enxada.

João Varela, 44 anos, é um deles. Conta que desde 2016 que resolveu apostar na agricultura, uma vez que, com barragem, surgiram novas oportunidades na região. Mas, para isso, à semelhança dos seus colegas, cansou-se de esperar pelo prometido projecto agrícola à volta da barragem e decidiu fazer o que entende ser o mais razoável.

“A segunda fase do projecto para levar água até às parcelas dos agricultores ainda não foi implementada. Então, por nossa própria iniciativa, resolvemos extrair água existente para cultivar aos poucos em vez de deixá-la a evaporar-se, sem qualquer benefício nosso. E como a delegação do Ministério da Agricultura e Ambiente em Santa Catarina não nos proibiu, já somos cerca de 40 agricultores a cultivar nesta região”.

Varela avança que ele está a construir um reservatório seu, de cerca de nove toneladas de água, para irrigar o seu campo com sistema de rega gota a gota. “Inicialmente, apostei no cultivo de cana-sacarina, mas agora, que já tenho terreno preparado, ando a cultivar batata-doce, mandioca, morango, pimentão, tomate e outros hortícolas que estão escassos no mercado, devido à seca e ao mau ano agrícola”.

Valdino Freire Dias, “Vá”, é um outro caso. Apesar de condutor profissional, há dois anos que trocou o volante pela enxada para aproveitar, também, a água disponível e as potencialidades agrícolas na região, mormente neste período de seca que o país atravessa. Também ele, cultiva mandioca, cana-sacarina, batata-doce, tomate e bananeira.

“Arranjamos tubos e motor para retirar água da barragem, mesmo sem permissão oficial do Governo. Não podemos ficar aqui de braços cruzados a ver água a evaporar-se sabendo que temos força de vontade e espaço para trabalhar. É um absurdo”, sublinha, num tom enérgico.

“Vá” esclarece que ele e os seus pares organizaram-se de forma a que cada um tire o seu dia de rega e, assim, de modo racional, produzir o suficiente para sustentar a família.

Esperança continua viva

Os nossos interlocutores dizem que continuam à espera do apoio do Governo para a prometida segunda fase do projecto da barragem, na esperança de que isso venha a acontecer o mais rápido possível. “O único apoio que recebemos do Governo, até agora, foi a construção da barragem – ela está pronta, tudo o mais, até agora, não passou de promessas. De vez em quando, aparecem uns técnicos para ver a barragem; no regresso, prometem que vão arrancar com a segunda fase do projecto num prazo dois a três meses, mas até hoje não houve nada. Da nossa parte, não sabemos o que está a acontecer; ora, até decidirem, vamos ganhando a vida como podemos, usando a água da barragem”, desabafa João Varela.

Por seu torno, Marcelino Mendes, 62 anos, considera que, com a seca que se verifica este ano, esta seria um boa altura para se implementar a segunda fase do projecto junto à barragem de Faveta. Isso porque, explica, “o campo está praticamente descoberto, o que facilita os trabalhos de instalação da tubagem, sem causar prejuízos aos agricultores”.

“O Governo deve arrancar com a segunda fase do projecto e assim evitar a perda de água. Actualmente, aqui, apenas duas pessoas utilizam o sistema de rega gota a gota; as restantes estão a fazer rega por alagamento, o que gasta muita água. É necessário construir reservatórios nas zonas altas para permitir distribuição de água por gravidade aos agricultores. E assim evitar que barragem seca rapidamente”, sugere aquele agricultor, com base nos seus anos de experiência.

SM

PartilheTweet about this on TwitterShare on FacebookShare on Google+Email this to someone

Comentário

Publicidade