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“Comentários literoverdianos”, livro póstumo de Luís Romano publicado no início do ano

O livro reúne trabalhos sobre a história da literatura cabo-verdiana.

“Comentários literoverdianos” é a derradeira obra de Luís Romano, escritor cabo-verdiano falecido no Brasil, a ser publicado, possivelmente, no próximo ano. Organizado pela Academia Cabo-verdiana de Letras e pela brasileira Simone Caputo Gomes, o volume reúne apontamentos do autor de “Famintos” sobre Arménio Vieira, Eugénio Tavares, Corsino Fortes, Pedro Cardoso, entre muitos outros.

A intenção era de apresentar o livro este ano de 2017, mas por problemas de revisão e edição (o produto final que totaliza 500 páginas), tal só será possível no próximo ano. O livro reúne trabalhos sobre a história da literatura cabo-verdiana. “Nele há apontamentos sobre Arménio Vieira, Eugénio Tavares, Corsino Fortes, Pedro Cardoso, entre outros”, revela Simone Caputo.

De acordo com a organizadora da obra, Romano mostra-se, nesse livro póstumo, “sempre atento” ao que se vinha produzindo em Cabo Verde. Por isso, assegura, estes “Comentários literoverdianos” demonstram a vitalidade de uma voz que nunca se calou, mesmo atormentado pela doença que lhe afectou nos últimos anos de vida.

“Nascido a 06 de Outubro de 1922, Luís Romano, com fôlego de menino aos 87 anos de idade, presenteou-nos com uma obra inestimável para os estudos cabo-verdianos de literatura e cultura”, afirma a nossa entrevistada.

Maior Divulgação

Simone Caputo recomenda uma maior divulgação das obras e da vida de Luís Romano junto do público cabo-verdiano, que hoje praticamente o desconhece. “O meu apelo é no sentido de Cabo Verde valorizar as obras escritas por ele na época anticolonialista, que foram proibidas em Portugal e Cabo Verde, mas que foram publicadas no Brasil. Foi nessas obras que ele deu a conhecer ao mundo a situação em que vivia o povo cabo-verdiano”, diz, descrevendo o autor como um “magnífico” em termos de literatura de textos e temas candentes de Cabo Verde que trazia ao público. “Luís Romano era um erudito”, acrescenta.

Já a presidente da Academia Cabo-verdiana de Letras, Vera Duarte, que também prefacia o livro, considera o autor como o responsável pela vida literária que seguiu, afirmando que Luís Romano é um “imortal da academia que merece ser ressuscitado”.

“Estamos empenhados em trazer a sua literatura ao convívio dos cabo-verdianos e, por isso, vamos editar este livro da sua autoria que fala dos diferentes escritores cabo-verdianos”, adianta.

Vida e obra

Luís Romano de Madeira Melo nasceu a 06 de Outubro de 1922 na Vila da Ponta do Sol, ilha de Santo Antão, e morreu a 22 de Janeiro de 2010, em Natal, Rio Grande do Norte, Brasil. Viveu nesse país de 1962 até altura da sua morte, em 2010, aos 87 anos. Deixou uma vasta obra literária, que se reparte por ficção (contos e romance), poesia, investigação, ensaio e divulgação analítica. No entanto, “Famintos – Romance de um povo”, publicado em 1962, no Brasil, é o título mais conhecido da sua bibliografia.

Esta inclui, ainda, os seguintes livros: Cabo Verde: elo antropológico entre a África e o Brasil (Natal, 1964), Cabo Verde – Renascença de uma Civilização no Atlântico Médio (Lisboa, 1967, poemas e contos), Negrume/Lzimparin (Rio de Janeiro, 1973, contos), A poesia viva de Cabo Verde (Rio de Janeiro, 1976), Crónicas (Voz di povo, 1981), Contravento: antologia bilingue de poesia cabo-verdiana (EUA, Atlantis, 1982), Cem Anos de Literatura Cabo-verdiana (Lisboa, 1984), Ilha (S. Vicente, 1991, estórias cabo-verdianas), Kabverd: Civilização e Cultura (Rio de Janeiro, 2000) são textos de natureza vária (romance, poesia, conto, crônica, ensaio) que atestam a versatilidade de um escritor que, na diáspora, perseverou no cultivo do amor à sua terra de origem, concebendo-a sempre como elo entre terras e culturas.

ACN

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