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Esclarecimento, Informação e opinião: A propósito das candidaturas ao cargo do presidente da Comissão de CEDEAO

(...) é a minha opinião que o Presidente deve ter o perfil de integrador de políticas numa agenda comum; ser  capaz  de selecionar entre politicas alternativas (...)

Júlio de Carvalho*

“O cabo de fibra óptica ‘Amílcar Cabral’, que ligará a cidade da Praia a Abuja, poderá ser determinante na escolha do candidato de Cabo Verde à presidência da CEDEAO. Neste caso, José Luís Livramento e Isaías Barreto, duas personalidades ligadas às novas tecnologias, poderão estar em vantagem em relação a Orlando Dias…”, Jornal ANAÇÃO online do dia 16 de novembro de 2017. 

Li uma peça no Jornal ANAÇÃO online do dia 16 de novembro de 2017, relativamente ao muito sério assunto da candidatura de Cabo Verde à posição de presidência da Comissão da CEDEAO. Tendo submetido a quem de direito e publicitado a minha disponibilidade para tão alto cargo, venho por esta via, se não é pedir demasiado,  solicitar o Jornal ANAÇÃO um esclarecimento e ao mesmo tempo emitir uma opinião a propósito. 

Esclarecimento: 

A peça defende que a ligação em fibra ótica entre Praia e Abuja, vai ser determinante para a escolha de um candidato de Cabo Verde para a presidência da Comissão, e sendo os candidatos José Luís Livramento e Isaías Barreto Rosa “duas personalidades ligadas às novas tecnologias, poderão estar em vantagem em relação a Orlando Dias.” 

Porque a vossa asserção é deveras incomum e certamente colocará um grande desafio aos comuns dos vossos leitores entre quais me incluo, solicito-vos que nos esclareçam um pouco sobre os fundamentos  do critério expertise em TIC’s  para escolha de presidente da Comissão, e o que tem a ver a ligação ótica entre Praia e Abuja com a tal escolha? 

Informação e opinião

A ligação banda larga Praia Abuja é importante e faz parte de um pacote do departamento TIC e temos de dar os nossos parabéns ao patrício comissário Doutor Isaías B. Rosa. Ela vai permitir o funcionamento de programas que facilitam na esfera publica partilha de informações de interesse comum, e esta importância para Cabo Verde é tanto maior quanto todos sabemos que o deficit de informações sobre  recursos que a CDEAO  pode nos disponibilizar é gritante. Esperemos, pois, que saibamos tirar o partido deste avanço. Todavia,  assim como o funcionamento de um eficiente sistema de transportes aéreos ou marítimo entre Cabo Verde  e os países da CEDEAO que em termos de  vantagens económicas tangíveis para Cabo Verde até é mais importante que a ligação em fibra óptica,  não é um factor  para escolher um expert em questões de transportes marítimo como candidato de preferência para presidência da Comissão,  também a expertise em TIC’s funciona da mesa maneira. Isso não tira mérito ao candidato Isaías ou Livramento ou Orlando, que como eu, podem ter perfil fundamentado em outras capacidades para serem os escolhidos.

Por outro lado, penso que devemos evitar associar o perfil do candidato em termos do que fazem, deixam de fazer ou propõe fazer para Cabo Verde.  A posição é antes de tudo para servir a CEDEAO e não para promover projetos ou programas que servem Cabo Verde. 

A  expertise técnica é importante para a escolha de candidatos a comissários porque esses tem de ter capacidades técnicas  especificas  da área que dirigem, para estar em posição de conceber e ou avaliar projectos de interesse comum à instituição. Eu sou expert, primariamente, em educação, uma área explicitamente declarada pela  CEDEAO e não só como fundamental para o desenvolvimento económico e combate a desigualdades sociais. Nem por isso a minha candidatura se fundamenta exclusivamente nesta expertise. Que dizer da expertise em defesa e segurança, uma área que afeta grandemente os fins da CEDEAO  porquanto o combate ao terrorismo é fundamental para  estabilidade políticas e sociais de Estados Membros? Que dizer da indústria, um sector em que a CEDEAO  tem de desenvolver para criar emprego e aumentar valor  a seus recursos naturais. Da saúde publica, essencial para o combate às pandemias que matam e impedem o desenvolvimento económico e social? Da juventude , das mulheres as grandes forças mobilizadoras para uma integração regional que deve aspirar ser de povos e não só das elites e instituições?   

Pois, é a minha opinião que o Presidente deve ter o perfil de integrador de políticas numa agenda comum; ser  capaz  de selecionar entre politicas alternativas; ser  dinamizador das implementações; ser bom, negociador intra, e extra regional; ter capacidade de networking, para forjar alianças e cumplicidades internacionais a bem da subregião; de outreach e de mobilização social para promover desenvolvimentos de camadas sociais  mais desfavorecidas e injustiçadas;  entre outras qualidades e atribuições. Foi pensando nesses  critérios; motivado pelo desejo de servir a CEDEAO, em cujo dez países vivi e/ou trabalhei  e de prestigiar Cabo Verde  na arena regional e internacional; e propondo trabalhar para uma CEDEAO  de povos, em que os representantes no braço legislativo tenham legitimidades através de votos populares dos povos dos Estados Membros; com firma determinação de trabalhar no sentido de os cidadãos  comuns sentirem beneficiados pelo mercado  único subregional; e com firme determinação de dar combate sem trégua aos malfeitores de toda a espécie e terroristas; Que decidi apresentar minha disponibilidade cujo mérito compete aos órgãos relevantes do Estado de Cabo Verde avaliar e decidir. Como fazer, vejam a minha plataforma preliminar, que vos envio para efeitos que entenderem que possa ajudar.

*Candidato à Presidência da Comissão de CEDEAO

NR – De Júlio C. de Carvalho recebemos o presente texto, que inclui uma segunda longa parte, intitulada “LINHAS DE FORÇA PARA A MINHA AGENDA PRIORITÁRIA: ACELERAR A REALIZAÇÃO DA VISÃO CEDEAO 2020 E LANÇAR AS BASES PARA UMA AGENDA PARA UMA VISÃO 2030”, que entendemos não publicar, dada a sua extensão. E quanto às perguntas que o mesmo coloca, no texto acima, entendemos que não passam de exercícios de retórica. Quem decide sobre o candidato de Cabo Verde ao cargo de presidente da Comissão da CEDEAO é o Governo cujo primeiro-ministro já disse que isto “não é um concurso público”. As angústias, as dúvidas e tudo mais daqueles que se consideram preteridos na corrida devem ser dirigidas ao Palácio da Várzea. Enquanto jornal não atrelado a ninguém, A NAÇÃO é livre de escrever como escreve.

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