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Para uma crítica da razão cínica

A prosa do João Santos é, além do mais, confusa e gongórica. É trapalhão e não sabe organizar o raciocínio.

Casimiro de Pina

Benjamin e Linetty Hart escreveram, há um bom par de anos, um livro interessante: Como escolher o seu cão.

Há, de facto, coisas na vida que temos de saber escolher.

Cães, amigos, etc..

Vem isto a propósito de um “artigo” recente, publicado neste jornal pelo Dr. João Santos, o qual se diz meu “amigo”, tentando auto-proteger-se, ao emitir os seus fluidos gástrico-lexicais, com esse cómodo cordão de segurança.

Que fique bem claro. João Santos não é meu amigo.

É apenas um ex-colega de curso e um conhecido.

Se ele abrir, por exemplo, o meu primeiro livro (Ensaios Jurídicos – Entre a Validade-Fundamento e os Desafios Metodológicos), editado em 2013 e prefaciado pelo Professor Doutor Paulo Ferreira da Cunha, encontrará uma lista, na respectiva nota de agradecimentos, de alguns amigos sinceros, que sempre me acompanharam nos momentos essenciais.

Fiz o lançamento do meu 2.º livro em finais de 2016, na Biblioteca Nacional, contando com a ilustre presença dos Drs. Jorge Carlos Fonseca e Mircéa Delgado, enquanto apresentadores.

Foi um êxito e uma grande tarde cultural.

O João Santos nem sequer foi convidado, e ele bem o sabe.

Aliás, o referido “artigo” de opinião que ele publicou há dias, essa salgalhada sem par, como veremos logo a seguir,é uma prova definitiva da sua alma miudinha.

Tratar-me, como ele faz, de “amigo” para, depois, me atacar violentamente num jornal de grande circulação, e com recurso a estórias da carochinha, é apenas um exercício de cinismo e falta de escrúpulos.

Com “amigos” do tipo não precisamos de inimigos!

Vejam só a desonestidade do João Santos (JS).

Participei, no dia 8 de Novembro p.p., numa conferência-debate na Presidência da República, ao lado de figuras internacionais conhecidas (o Prof. Francisco Louçã e a Escritora Clara Ferreira Alves).

JS não esteve presente no evento.

A Rádio Nacional e a televisãonão transmitiram o debate.

Foram publicados, na Internet, pequenos extractos do debate, em forma de vídeo.

No entanto, o meu “amigo”, em menos de uma semana e com uma pressa admirável, já estava na praça pública a armar-se, com esse ar presunçoso do Conselheiro Acácio, em repórter e analista-mor do evento, dando alvitres definitivos e classificando uns e outros com estranho desdém. Captou a coisa via telepatia?! O trabalhinho sujo tudo justifica?

É uma vergonha.

Isso mostra que o Dr. João Santos não é sério e opina com base no “ouvir dizer”. É um homem invejoso, maquiavélico e sem rigor.

A prosa do João Santos é, além do mais, confusa e gongórica. É trapalhão e não sabe organizar o raciocínio.

Confesso, aliás, que tive imensas dificuldades para perceber certas partes do “artigo” dele, que mais parece um texto escrito a várias mãos, tantas são as contradições embutidas nesse torpe documento.

O título é de uma malandrice sem igual.

Utiliza, sem o dizer expressamente, uma ideia contida num livro de Jean-François Revel (que se referia, diga-se, a um comunista italiano) para me atacar levianamente.

Ou seja, eu, Casimiro de Pina, sou doravante um comunista/totalitário e não aceito, ooops, ideias contrárias às minhas!

Vejam, mais uma vez, a “lógica” hilariante do João Santos:

Francisco Louçã, que defende a herança macabra da revolução russa e, como diria Hayek, O Caminho para a Servidão (tendo liderado, aliás, um partido trotskista), não é comunista. Longe disso.

Comunista é, sim, o Casimiro de Pina, esse malvado criador de Gulags e infernos ditatoriais, que “abomina” a diferença e persegue impiedosamente os adversários políticos! Eu é que criei, claro, o horror de Camboja, os carrascos medievais de Havana, a loucura assassina de Mao Tsé-Tung, as ditaduras africanas adjacentes.

Usar ideias fora do respectivo contexto é uma das técnicas primárias de propaganda. Isso mostra que João Santos aprendeu alguma coisa quando esteve na antiga RDA.

Há mais absurdos, porém.

JS, que se diz um espírito “liberal” (ai de nós senão fosse!),endossa as posições de Francisco Louçã acerca da revolução russa e cita longamenteEric Hobsbawm para sustentar as suas falsas teses.

Isso é o cúmulo do ridículo, uma vez que esse historiador britânico é um comunista convicto e um defensor do totalitarismo mais hediondo.

Ou será que JS não sabe?

Porque não fala, por exemplo, do Livro Negro do Comunismo, esse retrato monumental da tragédia russa e, em particular, das ideias e práticas bárbaras dos bolcheviques?

Porque não se baseou em Alain Besançon, Paul Johnson ou Jean-François Revel, conhecedores profundos da truculência comunista e das suas técnicas de falsificação da história?

Porque não se lembrou de Eric Voegelin e das suas lições magistrais, que desmentem, por exemplo, essa velha astúcia do Dr. Manuel Faustino, para quem, numa entrevista ao Expresso das Ilhas, a ditadura estalinista foi apenas um “desvio” que não mancha, minimamente, a cartilha ideológica marxista?

Porque não recorreu a Olavo de Carvalho, que estudou o fenómeno totalitário durante mais de 40 anos e escreveu autênticos clássicos acerca do assunto?

Porque não reconhece que Isaiah Berlin (que JS cita pela rama) abominava, sobretudo, a “revolução” bolchevique e o comunismo em geral?

Porque não diz que foi Estaline quem criou a máquina de guerra da Alemanha nazi e provocou a II Guerra Mundial?

Não, a fonte principal do sr. JS é um historiador comunista e é com ele que julga “desmontar” a minha posição tomada na conferência, que ele assistiu, no essencial, por telepatia, como já vimos.

Mais duas notas, para terminarmos.

João Santos diz, no seu texto-ataque ad hominem, recorrendo a um truque erístico descoberto por Schopenhauer, que foi ele quem me “instruiu”, imaginem!, nas coisas do liberalismo.

Bem, isso já é do domínio da paranóia.

Estou a escrever sobre esses assuntos há cerca de 18 anos. Abram os jornais! De JS, pelo contrário, ninguém conhece nada.

Como é que posso ter, ademais, um “mestre”-trapalhão que não tem qualquer obra nem nenhum pensamento relevante?

O João Santos já se esqueceu que eu comecei a publicar ensaios científicos com vinte e poucos anos, na revista Direito e Cidadania? Devo ter sido o autor mais jovem de sempre a publicar nessa prestigiada revista, tendo sido convidado pelo Dr. Jorge Carlos Fonseca para integrar o respectivo Conselho de Redacção. Também fiz conferências nessa idade jovem, ao lado de grandes figuras nacionais e internacionais.

Além do mais, é completamente falso que me tenha apresentado o Professor João Carlos Espada. Conheci o Doutor Espada antes do JS, seguramente.

Há uma coisa preciosa que a nossa saudosa avó Maria Santa, senhora mui sábia, nos ensinou: guardar documentos e outras relíquias.

Ainda guardo a carta que escrevi ao Professor João Carlos Espada no dia 25 de Setembro de 2002, explicando-lhe como cheguei à Tradição Liberal e, em particular, aos seus livros.

Logo a seguir, ele deu instruções aos dirigentes da revistaNova Cidadania, a fim de me designaremo representante oficial dessa revista em Cabo Verde.

Mostraram-se interessados, desde então, em publicar os meus escritos em Portugal.

E foi na sequência disso que eu e a Doutora Roselma Évora fomos convidados para participar nos célebres encontros de Cascais, que celebra a Liberdade e reúne, anualmente, prestigiados intelectuais e políticos da Europa, África e América. 

Porque é que o João Santos, que já “conhecia” o Professor Espada, não foi convidado?

Há verdades que têm de ser ditas.

Sempre corrigi, por generosidade, os textos e outras fragilidades analíticas do JS.

Face a tanta malícia e inveja, sou obrigado, hoje, a dizer-lhe isto em público.

Ainda guardo documentos em que me pede ajuda na redacção de certas peças, etc..

Recorra, por favor, à memória e verá com clareza.

Tenho provas, meu “amigo”.

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