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UE/África: Estados insulares africanos querem mais atenção da Europa – Luís Filipe Tavares

Luís Filipe Tavares admitiu ainda que a imigração para a UE de, ou através, destes pequenos Estados insulares será um tema em cima da mesa, e alvo de negociações.

O grupo dos pequenos Estados insulares africanos, presidido atualmente por Cabo Verde, quer receber mais atenção da União Europeia, posição que vai defender na Cimeira UE/União Africana do final do mês, em Abidjan, na Costa do Marfim.

Em declarações à agência Lusa, em Lisboa, à margem da visita de Estado do Presidente cabo-verdiano a Portugal, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Cabo Verde salientou que na cimeira de Abidjan o grupo de Estados insulares terá uma posição comum sobre um leque variado de temas.

Realizada pela primeira vez na África subsaariana, o encontro entre cerca de 80 chefes de Estado e de Governo, incluindo o primeiro-ministro português, decorre quarta e quinta-feira na capital económica da Costa do Marfim.

Na semana passada, num conjunto de conferências e encontros de lançamento da cimeira, o presidente do Parlamento Europeu defendeu a implementação de “um verdadeiro Plano Marshall”, numa alusão ao programa de recuperação económica da Europa desenvolvido pelos Estados Unidos no final da segunda guerra mundial.

“Cabo Verde preside neste momento ao grupo de pequenos estados insulares africanos. Vamos apresentar um proposta conjunta e estamos a trabalhar com os demais Estados, os demais MNE e Chefes de Estado para apresentarmos uma plataforma conjunta que tem a ver com a problemática dos Oceanos, das Alterações Climáticas, das vulnerabilidades económicas”, disse Luís Filipe Tavares.

O ministro admitiu ainda que a imigração para a União Europeia de, ou através, destes pequenos Estados insulares será um tema em cima da mesa, e alvo de negociações.

“Sim, também. É um assunto importante. Temos tido um diálogo político muito interessante com todos e vamos continuar a trabalhar, mas a posição que vamos defender é a de que a UE tem de dar mais atenção aos pequenos Estados insulares africanos em desenvolvimento”, disse o governante.

Quanto a expectativas da cimeira de Abidjan, Luís Filipe Tavares quer que de lá saia, “em primeiro [lugar], um compromisso da UE”.

“O processo negocial vai demorar algum tempo – porque estamos a falar do pós-Cotonou – mas os trabalhos estão a correr muito bem. Cabo Verde tem uma posição muito parecida com a União Europeia, de mais pragmatismo, mais dinamismo, mais trabalho”, revelou o ministro.

“Temos tido um diálogo muito interessante com a UE. Há 15 dias estive com a senhora [Francesca] Mogherini [chefe da diplomacia europeia], discutimos essas questões, e fiquei muito feliz porque Cabo Verde tem um ponto de vista muito parecido com o da UE”, concluiu.

Para a UE, a cimeira da próxima semana, que marca dez anos de parceria entre os dois blocos, está a ser encarada como um ponto de viragem, cujo ponto de partida é a vertente demográfica: em 2050, África terá o mesmo número de pessoas que tem hoje a Índia e a China juntas, e mais de metade da população terá menos de 25 anos.

A quinta cimeira UE/África decorre entre 29 e 30 de novembro em Abidjan, a capital económica da Costa do Marfim, com o tema ‘Investir na Juventude para um futuro sustentável’, e será presidida pelos presidentes dos dosi blocos, Donald Tusk e Alpha Condé.

A primeira cimeira UE-África, que se realizou no Cairo (Egito) em 2000, foi promovida por Portugal, durante a presidência portuguesa do Conselho da União Europeia.

Em 2007, novamente sob a égide da presidência portuguesa, Lisboa acolheu a segunda edição destas cimeiras.

 

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