Home » Actualidades » Santa Catarina: Casas de emigrantes na mira dos ladrões

Santa Catarina: Casas de emigrantes na mira dos ladrões

A onda de roubos nas residências dos emigrantes aumentou nos últimos meses no concelho de Santa Catarina. Nas localidades de Ribeirão Manuel-Tomba Touro e Cruz Grande, onde a iluminação pública é deficiente e não há patrulhamento regular da Policia Nacional, foi registada cerca de uma dezena de roubos, entre Agosto e Outubro.

As residências dos emigrantes, mobiliadas e de portas fechadas, em Santa Catarina, estão na mira dos ladrões. Conforme os dados recolhidos por este jornal no terreno, entre Agosto e Outubro do corrente ano, houve cerca de uma dezena de roubos em casas dos emigrantes, sobretudo nas localidades de Ribeirão Manuel-Tomba Touro e Cruz Grande. Os ladrões, percebendo que as residências estão desabitadas, aproveitam a calada da noite para subtrair todos os objectos de valor fáceis de transportar. Em alguns dos casos, os prejuízos ultrapassam os 500 mil escudos.

Em conversa com A NAÇÃO, “Mimi”, residente em Cruz Grande, conta que a residência do filho Sérgio Semedo, emigrante em França, foi roubada na madrugada de 2 de Outubro. Os assaltantes levaram praticamente todos os objectos de valor que encontram na casa.

“Tudo aconteceu numa noite que a minha mulher estava internada e em coma no Hospital Regional Santiago Norte. Os ladrões, supostamente, perceberam que ninguém estava em casa devido à doença dela, e aproveitaram para arrebentar uma das janelas que dá acesso ao prédio do meu filho, situado ao lado minha residência, para roubarem. Eles levaram um barril cheio de loiça de alto valor, um TV Plasma grande, vários conjuntos de cama, roupas, sapos, perfumes, whisky velho e ferramentas diversos para construção civil”.

Já na localidade de Ribeirão Manuel, a residência do casal Jorge Mascarenhas e Carolina Maria Borges, emigrantes na Suíça, é uma das moradias que também foi alvo de roubo. Conforme a responsável pela residência, Idalina Borges, a casa da sua irmã foi assaltada na noite de 28 de Agosto.

“Os ladrões arrancaram uma das janelas de alumínio que fica no primeiro andar e entraram na residência. E lá dentro arrebentaram três portas e roubaram um TV plasma de 1 metro e 80, dois colchões, dois bidões cheios de loiças, duas malas de roupas, conjuntos de cama diversos”. Idalina estima que os prejuízos ultrapassam os 500 contos.

Aquela fonte suspeita que os roubos andam a ser feitos por grupos organizados, com a colaboração de pessoas das localidades que sabem, perfeitamente, quais são as moradias dos emigrantes que estão de portas fechadas e que possuem objectos de valor no seu interior. “Muitas pessoas estão a troçar da situação, dizendo que os emigrantes são idiotas; constroem casas de luxo, bem mobiliadas, e deixem-nas a mofar, enquanto que há gente que precisa de casa para morar. Por isso dizem que os roubos foram bem feitos”, desabafa.

Outros casos

Fora esses roubos em residências dos emigrantes, registaram-se também furtos na Escola Secundária Napoleão Fernandes, em Cruz Grande, no passado dia 27 de Outubro. Os assaltantes encapuzados agrediram um dos guardas deixando-o inanimado no chão. Os ladrões levaram um televisor plasma que encontrava na sala dos professores e um computador na sala de informação e orientação vocacional. Ainda na mesma localidade e os gatunos roubaram boa quantidade de cabos num posto de CVTelecom.

Os familiares dos emigrantes dizem que logo que aperceberam dos roubos fizeram queixas na Polícia Nacional, em Santa Catarina. Mas, infelizmente, alegam, a Polícia tem-se mostrado “incapaz de por cobro a situação”, uma vez que até agora não foi detido nenhum suspeito e muitos menos a recuperação dos bens roubados.

Esta é uma situação que está deixar os lesados aflitos e com pouca esperança de reaver os seus bens. Isso porque temem que, com o arrastar do tempo, os produtos roubados possam ser levados para fora da ilha de Santiago.

Idalina Borges exorta a Polícia para ser mais célere nas investigações e acabar com o sentimento de impunidade que reina em Santa Catarina. “O que está acontecer em Ribeirão Manuel e Tomba Touro deve ser investigado pela Polícia Judiciária; tudo indica que os roubos estão a ser feitos por quadrilhas bem organizadas e a Polícia Nacional, em Santa Catarina, tem-se demostrado incapaz de dar uma respostas a altura. Porque é inadmissível que numa zona pequena como Ribeirão Manuel num espaço de dois meses sete moradias de emigrantes são despejados e ninguém é detido”.

Entretanto, tentamos ouvir a reação do comandante da Esquadra da PN em Santa Catarina, Afonso Tavares, sobre essas ocorrências, mas este mostrou-se indisponível para falar sobre o assunto de momento devido a um afazer mais urgente.

 

PartilheTweet about this on TwitterShare on FacebookShare on Google+Email this to someone

Comentário

Publicidade