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Seca: Pecuaristas pedem celeridade na importação de pasto

Os criadores de gado melhorado em Santiago pedem celeridade ao Governo na importação de pasto, no sentido de evitar a perda em massa dos animais.

Cabo Verde registou nos últimos anos uma forte aposta na melhoria das espécies de gado bovino e caprino. Alguns criadores fizeram os seus próprios investimentos e outros contaram, nessa aposta, com o apoio do então Ministério do Desenvolvimento Rural, através de programas financiados por parceiros internacionais, entre eles o Brasil. Com a seca, o grande desafio neste momento é o salvamento dessas espécies face à situação de falta de pasto que se vive no país.

Preocupados, os criadores de gado melhorado em Santiago pedem celeridade ao Governo na importação de pasto, no sentido de evitar a perda em massa dos animais. Conforme alguns criadores, se até finais de Dezembro não houver pasto disponível no mercado, serão obrigados a desfazer-se dos animais a baixo preço.

Gracilino Tavares é um pastor santacatarinense que apostou na criação de animais de raça melhorada há vários anos. Em conversa com A NAÇÃO, ele conta que, neste momento, dispõe de 12 cabeças de gado bovino. Mas confessa que, devido à escassez de pasto, já pensa em reduzir o seu efectivo e ficar apenas com as reprodutoras, para procriar no próximo ano, caso a situação melhorar.

“Não gostaria de vender esses animais a baixo preço, porque, em situações normais, venderia cada cabeça acima de 200 contos. Mas, perante o actual cenário, se conseguir vender, será por metade desse valor. Estou a fazer grandes sacrifícios para sustentá-los com ração e palha adquirida a particulares a um preço exagerado. Recentemente, comprei uma carinha de palha por 38 mil escudos, mas já está quase a terminar”.

Gracelino afirma que o Governo deve importar palha o mais urgente possível para vender aos criadores a um preço acessível, evitando assim que as espécies de gado de raça melhorada desapareçam. “A única salvação é a importação de pasto pelo Governo. Se até final do ano isso não for feito, podemos perder boa parte dos animais da raça melhorada”, adverte.

Por seu turno, o gerente da agro-pecuária Monte Negro, em Santa Cruz, Manuel Barbosa, adianta que neste momento tem 35 cabeças de gado bovino melhorado. Barbosa adianta que dispõe de pasto recolhido no ano passado em quantidade suficiente para garantir o sustento dos seus animais até finais de 2018. Entretanto, com a seca, não descarta a hipótese de reduzir o número de efectivos.

Aquele criador exorta o Governo a importar polpas de beterraba para colocar no mercado e assim ajudar os criadores que estão sem pasto a socorrer os seus animais e com isso evitar a venda desenfreada das suas crias para o abate.

Upranimal importa pasto

A Upranimal, empresa de produção de ração animal em São Domingos, tem vindo a importar pasto de Portugal para revender aos criadores. A par disso, informa o subgerente Denilson Silveira, “temos um estoque limitado de pasto que recolhemos no ano passado, está à venda; cada fardo de cerca de 30 kg custa à volta de 1200 escudos. Até finais do mês do Novembro, contamos receber a primeira leva de pasto importado de Portugal”.

Denilson adianta que há duas semanas a Upranimal lançou uma campanha de baixa de preço na compra de rações por tonelada. A partir de mil quilos de rações aplica-se uma taxa de desconto de 3% e a partir 12 toneladas beneficia-se de uma taxa de no valor de 7%.

SM

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