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AMI celebra três décadas de missões internacionais em 82 países

Na base de todas as suas intervenções está "dar ajuda às populações mais vulneráveis".

Três décadas depois da primeira missão internacional em Lugadjole, na Guiné-Bissau, a AMI já apoiou 82 países dos cinco continentes “sem olhar a credos, raças e regiões” e sempre com o mesmo objectivo: ajudar os mais vulneráveis.

“Foi uma missão histórica, extremamente difícil por várias razões. Primeiro, porque demorando os fundos da então Comunidade Europeia a chegar, a missão arrancou exclusivamente com fundos próprios da minha irmã Leonor, da Luísa Nemésio, hoje minha mulher, e sobretudo meus, numa altura em que ainda tinha o meu consultório no Algarve”, recorda o fundador da Assistência Médica Internacional (AMI), o português Fernando Nobre, num artigo publicado no sítio da organização.

Depois, “as acessibilidades a Lugadjole eram muito duras e o isolamento, total”, conta o médico, lembrando o chefe de missão dos primeiros dois anos de missão, Jorge Gaspar.

“Lugadjole foi o meu Lambaréné, o lugar onde mais me aproximei do meu herói e mentor, o Dr. Albert Schweitzer. Aí tive o meu hospital do mato, tendo lá operado em condições incríveis”, lembra Fernando Nobre.

Ao longo das três décadas, a AMI desenvolveu missões em cenários de guerra em Angola, na Bósnia, Kosovo, no Iraque, apoiou as vítimas dos terramotos no Irão, Paquistão, Haiti e Nepal, do tsunami no Sri Lanka, das chuvas torrenciais e ciclones no Bangladesh, Honduras, Venezuela e Moçambique, do genocídio no Ruanda, da crise em 1999 em Timor-Leste, entre muitas outras situações.

No total, foram realizadas cerca de 400 missões e projectos em 82 países, “alguns deles feitos em parceria com organizações locais, que nós promovemos, financiámos e apoiámos no sentido de fortalecer a sociedade civil desses países”, disse à agência Lusa, a directora do Departamento Internacional da AMI, Tânia Barbosa.

Na base de todas estas intervenções está “dar ajuda às populações mais vulneráveis”, um trabalho que se divide em “duas áreas completamente diferentes”.

Uma das áreas consiste em dar resposta em missões de emergência (catástrofes naturais, conflitos ou um surto epidémico), em que o objetivo é assegurar as necessidades básicas às populações afetadas.

A outra área de intervenção é “tentar combater as causas da pobreza”, uma ação “muito mais complexa, muito mais prolongada no tempo e muito mais estrutural”.

São “projetos que duram anos e décadas e que implicam mudanças de comportamento na comunidade onde estamos a trabalhar”, sublinhou a responsável.

Uma parte dos projetos da AMI foi feita com voluntários internacionais.

Para celebrar os 30 anos de missões internacionais a organização realizou, em Cascais (Portugal), uma homenagem a todos os voluntários que apoiaram a AMI e um jantar no Porto em que serão leiloadas 30 obras de arte originais.

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