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A Cultura e o Poder:

A cultura influencia diferentes níveis de Poder: Por um lado, os símbolos, as marcas que representam o poder numa sociedade e, por outro lado, a distribuição dos fluxos de poder no seio do grupo.

Mário Monteiro

Não há dúvida nenhuma, que entre os acontecimentos que marcaram as quatro últimas décadas, pode-se contar, com certeza, a verdadeira “explosão” dos contactos entre povos e culturas: Tanto ao nível internacional, através da incessante circulação de produtos materiais e mentais, de modelos e de pessoas, que no próprio seio dos diferentes países, em que o social se encarrega da dimensão multicultural pela presença de populações, errando de todos os continentes.

Esta realidade, quaisquer que sejam, os sentimentos  que inspira, deve ser considerada como incontornável, visto que,em nada conjuntural, pois queresulta de um fenómeno fundamental: A constituição de um campo humano planetário, devido ao enredo sem interrupção crescente dos projectos, problemas e ensaios de solução de todos, à que se acrescenta a facilidade e a intensificação admiráveis dos meios de comunicação.

Cabo Verde, bem entendido, não está afastado destes processos que promovem, ao mais elevado itinerário e desígnio, os contactos culturais. Para ele, como, aliás, para todo outro país, os interesses particulares acrescentam o seu peso às aspirações humanitárias: Além da sua vontade de princípio de contribuir com a sua participação no desenvolvimento dos países da sua região e, por extensão óbvia, do seu continente e, não só, lhe é necessário se abrir ao Mundo, se pretende permanecer competitivo, no plano comercial e conservar a sua especificidade cultural e outros objectivos específicos.

Vale a pena, com efeito, sublinhar que simultaneamente, cada vez mais, profissionais, de todas as áreas e valências do saber e do conhecimento,são levados à exercer junto das populações migrantes e todos, sem excepção, tendo de se haver, de modo regular ou pontual, com diversidades culturais.

Para todos estes técnicos, a capacidade de estabelecer a comunicação adequada com pessoas e grupos de culturas diferentes é fundamental. Caso contrário, multiplicam-se os riscos de incompreensão, de má interpretação e daí os fracassos assaz custosos à todos os níveis e para todos os actores em presença.

Com efeito, a cultura não se exprime unicamente nas diferenças de crenças, valores, normas e modos de vida do grupo, mas também ao nível do indivíduo, nas suas formas de pensar, sentir e estabelecimento de comunicação. Ela edifica, aliás, o seu aspecto positivo: A identidade sociocultural da pessoa, ao mesmo tempo, porém, que torna subjectiva e globalizante a percepção dos indivíduos, relevando identidades diferentes. Donde, os problemas de relações interculturais, que se nutrem (se não se preste a atenção à este facto), surdem imagens erróneas, estereótipos, preconceitos e fantasmas veiculados de povo para povo em função da história e das suas relações respectivas.

Posto isto, vamos abordar o tema proposto:

A Cultura e o Poder.

E, para principiar, eis

uma Definição de Cultura:

A Cultura é o conjunto, mais ou menos, activa e vigorosamente, encadeado das significações adquiridas mais persistentes e mais partilhadas que os membros de um grupo, pela sua filiação e pertença à este grupo, são levados à distribuir, de modo prevalente, sobre estímulos provenientes do seu meio ambiente e deles próprios, induzindo perante estes estímulos, atitudes, representações e comportamentos comuns valorizados, dos quais eles tendem a assegurar a reprodução por vias não genéticas.

Já, por sua vez, a expressão: PODER, segundo os Dicionários, mais conceituados,

se define como “a faculdade de fazer”.

E, precisando, melhor as ideias, pode-se definir o PODER,

como “todo simplesmente a capacidade para produzir e

para modificar os resultados ou afectos organizacionais”.

Esta noção, ora expendida, é evidentemente, capital no âmbito do funcionamento de toda organização, Estado, multinacional, Família.

A cultura influencia diferentes níveis de Poder: Por um lado, os símbolos, as marcas que representam o poder numa sociedade e, por outro lado, a distribuição dos fluxos de poder no seio do grupo.

A problemática da distribuição de poder no seio de uma sociedade aparece nos lúcidos trabalhos e estudos do conhecido e influente psicólogo holandês, GeertHOFSTEDE (n-1928), sob a noção de “distância hierárquica”. Esta dimensão reflete o problema da desigualdade humana e do modo como as sociedades tratam estas diferenças.

De anotar, que as desigualdades de diferentes espécies, físicas, intelectuais entre outras, pode traduzir-se ulteriormente em desigualdades de poder, riquezas, que podem se transmitir através das gerações. Algumas sociedades tentam reduzir, de qualquer modo, estas desigualdades, outras as aceitam. Os graus de desigualdade, as suas formas de expressão, variam, por conseguinte, segundo as culturas. Explicitando:

Numa sociedade à forte distância hierárquica, o grau de centralização e de autocracia tende à ser elevado. É, a maior parte das vezes, o caso, parece, dos países orientais, latinos, sul-americanos, africanos. As classes ou outras unidades sociais são então rígidas, a mobilidade mais débil, a autocracia favorecida em relação à democracia. Os sindicatos, que constituem uma reacção à este sistema rígido, são, na medida em que são permitidos, antes extremistas e impregnados de ideologia de luta de classes.

Nos países à débil distância hierárquica, as classes têm tendência à ser percebidas pelos indivíduos como marcadas, a mobilidade social é mais importante, os sindicatos estão integrados no sistema económico. Neste particular, vale a pena, trazer à colação, um interessante estudo, efectuado  em 1970 por H. C. de BETTIGNIES e P. Lee EVANS, sobre a comparação entre as origens sociais do patronato norte-americano e as de numerosos países europeus, que revelou diferenças apreciáveis. O patronato norte-americano extrai as suas origens sociais, para os dois terços das classes médias, para um quarto das classes populares e unicamente para dez por cento das classes superiores. Em França, o patronato provém para mais de 82% das classes sociais superiores. Na Europa, é no Reino Unido, na Dinamarca (48%) e na Suécia que aparece um patronato proveniente para menos de 70% das classes sociais superiores.

Enfim, segundo os estudos e trabalhos de HOFSTEDE, uma distância hierárquica débil caracteriza os países de Europa do Norte, Israel e mais vulgarmente, todos os países anglo-saxónicos, Austrália, Nova-Zelândia, América do Norte, assim como, algumas Ilhas das Caraíbas.

E, em jeito de Conclusão:

Com efeito, o poder materializa-se sob diferentes aspectos através das culturas. O estatuto, as viaturas de função, o mobiliário, a presença de ascensores privados, a espessura e a cor da alcatifa, o prestígio do título, a secretária particular, o formalismo, o boletim de ordenado são tantos símbolos que representam o estatuto através do Mundo.

No entanto, parece, que o boletim de ordenado constitua um critério mais importante no USA, país à débil distância hierárquica, que nos à forte distância hierárquica, em que todos os símbolos que marcam o prestígio da função e da pessoa serão favorecidos.

Tenho dito!

Muito obrigado!

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