Home » Actualidades » Mau ano agrícola: Animais vendidos ao desbarato devido à falta de pasto

Mau ano agrícola: Animais vendidos ao desbarato devido à falta de pasto

No interior de Santiago, a principal ilha agrícola de Cabo Verde, uma vaca que antes custava 60 contos está a ser vendida por apenas 20 mil escudos.

Os criadores de gado a nível nacional já estão a vender os seus animais a baixo preço, devido à falta de pasto provocado pela seca e mau ano agrícola. No interior de Santiago, a principal ilha agrícola de Cabo Verde, uma vaca que antes custava 60 contos está a ser vendida por apenas 20 mil escudos.

Os efeitos da seca e do mau ano agrícola que se regista em Cabo Verde, este ano, já se fazem sentir a nível da pecuária. Face ao cenário desolador que se vive nos campos do arquipélago, os criadores de gado já começaram a vender os seus animais, em muitos casos, abaixo da metade do preço. A ideia é, com isso, evitar que estes venham emagrecer ainda mais ou a morrer à fome, como aconteceu em 2014.

O criador João da Luz, da localidade da Achada Tossa, no concelho de Santa Catarina, conta que há duas semanas vendeu uma vaca por apenas 32 contos. Mas frisa que se fosse numa situação de ano agrícola normal, esse valor ascenderia aos 60 contos. “Tenho ainda cinco vacas. Vou ter que vender quatro e ficar com apenas uma, que está prenha, para ver se consigo ficar com alguma cria. Espero que o Governo venha abrir posto de trabalho e ajudar os criadores na compra de rações, assim como em 2014”.

Já o comerciante de animais Constantino Almada, também de Santa Catarina, garante que uma vaca que em meados de Agosto era vendida a 60 mil escudos está agora a ser vendida por apenas 20 mil escudos. “Todas às terça e sexta-feiras compramos animais nas zonas de pastagem para vender nos dias de feira na Assomada, designadamente às quartas e sábado. Nas nossas lides, vemos que os criadores querem desfazer-se dos seus animais antes que a situação piore ainda mais. Procuramos sempre negociar de forma que ninguém saia a perder, até porque o preço do carne já baixou bastante”.

Conforme Constantino, neste momento comerciantes como ele evitam comprar os animais que estão prenhes ou a amamentar, porque estes, normalmente, são procurados para criação, e como não há pasto ninguém os quer comprar. “O risco neste momento é grande”, alega.

Preço de carne e outros derivados

Devido à situação que se vive no mundo rural, um quilo de carne bovina, que era vendido no mercado por 700 escudos, e no caso de bife a 800 escudos, custa neste momento 500 escudos. E um quilo de carne de cabra, que antes custava entre 800 e 900 escudos, passou para 500 e 600 escudos.

Em contrapartida, o preço do queijo e leite já aumentaram. Os queijos do Maio e do Fogo estão a ser vendidos a 200 escudos a unidade.

Plano de emergência

Por todo o país agricultores e criadores desesperam pela chuva, que este ano praticamente não apareceu. Os poços de água estão a ressentir-se, bem como as barragens construídas em vários pontos do país, em especial Santiago.

O temor é o que poderá ainda estar a caminho. O Governo, este, aprovou na reunião do Conselho de Ministros de 5 de Outubro um programa de emergência para mitigar os efeitos da seca e do mau ano agrícola 2017/18, orçado em 880 mil contos. O programa abarca o salvamento de gado, num valor de cerca 160 mil contos.

Entretanto, o ministro dos Assuntos Parlamentares,Fernando Elísio Freire, assegura que o executivo, no âmbito do Orçamento de Estado, vai apresentar uma alteração a lei para isentar de direitos aduaneiros importação de alimentos para aninais. Elísio diz espera “contar com votos favoráveis dos partidos da oposição para que ainda este ano os criadores possa beneficiar da tal medida.

SM

PartilheTweet about this on TwitterShare on FacebookShare on Google+Email this to someone

Comentário

Notícias Relacionadas

Classificados