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Investigações da PJ à FCF

Do meu ponto de vista profissional e da minha experiência no mundo de futebol profissional, penso eu, que o que mais reina dentro do nosso futebol é falta de transparência, incompetência e puro amadorismo a nível organizacional.

Tony Araujo

É simplesmente uma autêntica vergonha e uma pura tristeza, e sobretudo muito lamentável para a boa imagem do nosso futebol no cenário Internacional ao abrir as primeiras páginas dos manchetes desportivos Europeus e logo deparar com títulos de notícias escandalosas em relação à autoridade máxima que rege o nosso futebol.

“PJ DE CABO VERDE INVESTIGA SUSPEITAS DE CORRUPÇÃO NA FEDERAÇÃO DE FUTEBOL” & “MINISTÉRIO PÚBLICO CONFIRMA INVESTIGAÇÃO A FEDERAÇÃO CABO-VERDIANA DE FUTEBOL”.

Infelizmente, a verdade tem que ser dita. Há muitos anos, que suspeitava que existiam alguns indícios de uma forte rede de corrupção reinando dentro do nosso futebol, tais como um sistema de corrupção, suborno, troca de favores e sobretudo de muita influência ou seja de um forte lobby de terceiros “agentes” dentro da nossa Federação e da nossa Seleção Nacional de futebol. Mas, agora posso afirmar que o que eu sempre suspeitava é praticamente uma pura realidade. Oxalá, que um dia possamos vir a erradicar esses elementos malignos do nosso futebol…

Do meu ponto de vista profissional e da minha experiência no mundo de futebol profissional, penso eu, que o que mais reina dentro do nosso futebol é falta de transparência, incompetência e puro amadorismo a nível organizacional.

Sempre houve, e até recentemente acho que ainda existia muita falta de transparência, de ética e que também existia fortes indícios de corrupção no que se refere à alteração de idades de vários jogadores, os chamados “prospectos” com o objectivo de facilitarem a saída deles para o mercado internacional. Isso não é bom e nunca será bom para o nosso futebol. Conheço um caso específico, em que um atleta foi pego no Aeroporto Internacional da Praia na posse de dois passaportes, ambos emitidos em Cabo Verde com nomes e datas de nascimento diferente.

Infelizmente, tivemos o caso “Varela Gate” ou seja o desaire da Tunísia, e até hoje a maioria dos Cabo-verdianos tem duvida ou carecem de um esclarecimento específico do que realmente aconteceu em relação a este capitulo negro do nosso futebol.

Existiu também um negócio meio obscuro e intransparente em relação ao tal chamado loja azul.

Houve um amistoso Internacional em que a nossa Seleção jogou frente a Seleção Portuguesa, onde a maioria das receitas estavam destinadas a reverter-se às vítimas “os desalojados de Chão das Caldeiras”, e até hoje ninguém sabe o que realmente aconteceu com as tais receitas. Será que em relação a este jogo amistoso houve um contracto escrito que detalha os pormenores tais como as condições financeiras acordadas entre as partes, os valores cobrados, os valores assegurados e as porcentagens das receitas que iam ser revertidas aos desalojados de Chão das Caldeiras?

Subsequentemente, aconteceu o escândalo em relação ao não pagamento dos ordenados do Selecionador Português que eventualmente resultou na saída do mesmo da nossa Seleção. Será que houve um contracto escrito entre a Federação e o Selecionador que detalhava os termos e as condições do emprego do então Selecionador de Cabo Verde? Quais seriam as partes responsáveis pelo pagamento dos ordenados do tal Selecionador?

Um pouco mais tarde soube através da Imprensa Cabo-verdiana que a actual Equipa Técnica da Seleção de Cabo-Verde estava com sete meses de salário em atraso, o que corresponde segundo informações a um montante equivalente a 3 mil e quinhentos contos Caboverdiano.

Será que a nossa Federação não tem nenhuma receita que entra no cofre da Instituição? Por onde são canalizadas as receitas anuais provenientes da FIFA, da CAF, as receitas resultantes dos amistosos Internacionais? As receitas provenientes das participações nas duas edições da Copa da África? Será que a nossa Federação não recebe nenhuma receita proveniente dos direitos televisivos dos jogos da Copa da África e dos jogos da qualificação rumo ao Mundial? E onde são canalizadas as receitas provenientes da DGD (Direção Geral dos Desportos), do Ministério Do Desporto ou seja a contrapartida financeira do Governo de Cabo Verde em relação a esta Instituição?

O que aconteceu com os valores do patrocínio ou seja do acordo celebrado entre a empresa CV Móvel e a FCF no montante equivalente a 20 mil contos anuais, que e equivalente a 200 mil dólares Americanos anuais?

O que acontece com as receitas denominadas de “Gate Receipts” do Estádio Nacional que normalmente com um Estádio cheio ronda a volta dos 3 mil e 800 contos?

Sei plenamente, que a FCF tem muita despesa em relação as logísticas dos jogos oficiais e amistosos, mas as receitas devem sempre superar as despesas. Não há e nunca deverá haver excepção a essa regra sagrada de negócios. Segundo as informações, ao contrário do que foi noticiado previamente pelo ex-Presidente da mesma entidade, a nossa Seleção usa as instalações do Estádio Nacional para treinar sem pagar qualquer valor monetário para o uso das mesmas instalações. A Seleção só paga um montante a volta dos 200 contos por uso do Estádio durante os jogos amistosos ou oficiais no mesmo Estádio. Este valor é uma quantia irrisória em relação às receitas resultantes do uso do mesmo Estádio.

Mais tarde aconteceu o novo escândalo em relação da organização do campeonato nacional.

Mais tarde veio a tona a notícia do desaparecimento de 700 equipamentos da Seleção de Cabo Verde. Se realmente este lote de equipamentos destinado a Federação desapareceu, onde é que foram parar os tais equipamentos? Temos como confirmar junto a Empresa Lacatoni se realmente o mesmo lote de equipamento foi enviado a Cabo Verde e se foi mesmo enviado, quem foi a pessoa que despachou o mesmo na Alfândega ou nos “Customs” dos Aerportos de Cabo Verde?

E agora surgem as notícias de que a Polícia Judiciária de Cabo Verde está a investigar suspeitas de corrupção dentro da nossa Federecao, e o pior ainda que o Ministério Público de Cabo Verde está a investigar suspeitas dos crimes de abusos de confiança e associação criminosa dentro da nossa Federação. Quando a imprensa alega que o Ministério Público está a investigar suspeitas dos crimes de abuso de confiança e associação criminosa será que estão a referir também a um possível crime de lavagem e branqueamento de capital? Tudo é possível em relação a comportamento de certos indivíduos dentro da mesma instituição.

Aliás o que realmente está a acontecer no nosso futebol é o mesmo cenário que tem estado a acontecer em toda a África. É praticamente quase impossível para que um candidato que está fora do sistema que já está implantado em Cabo Verde de ser elegido pela Federação. Precisamos de um novo paradigma no nosso futebol aliado de pessoas honestas, íntegros e dotados de competência, conhecimentos e “know how” da indústria de futebol ao mais alto nível, senão vamos perpetuar num sistema cheio de muitos desaires como o da Tunísia e sobretudo muita corrupção e influência de terceiros agentes com o objectivo de enriquecer os seus próprios bolsos.

Ninguém nasceu para perpetuar no cargo do Presidente da mesma instituição. Quatro anos e muito tempo para um candidato demonstrar as suas qualidades à frente de uma instituição. Agora 15 anos e ainda a querer mais numa gestão cheio de episódios conturbados? Não sei se isso será a solução viável que o nosso futebol está a precisar do momento.

Meus caros leitores e amantes do futebol Caboverdiano, todo o cuidado é pouco porque já vimos as capacidades limitadas dos tais Dirigentes da nossa Federação.

Onde é que vamos parar? Qual é o futuro do nosso futebol debaixo deste tipo de liderança sem competência, sem credibilidade e sobretudo sem nenhuma transparência perante aos “stakeholders” que fazem parte da indústria do nosso futebol tais como as Associações Regionais, os clubes federados, os Dirigentes, os jogadores, os árbitros e os amantes do futebol em geral?

Players’ Agent/Intermediary (Agente/Intermediario)

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