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Banana de Santa Cruz poderia abastecer mercado turístico de Sal e Boa Vista

Através de uma "parceria estratégica" entre os municípios seria possível transformar de forma radical a dinâmica dos pequenos produtores e das rabidantes.

Não é de hoje que os produtores locais se vêm questionando sobre o facto de ser praticamente residual o número de produtos locais, produzidos em Cabo Verde, que chegam ao mercado turístico das ilhas do Sal e Boa Vista.

A resposta reside em grande parte na falta de associativismo por parte dos próprios produtores, que sozinhos não conseguem ultrapassar os desafios da escala de mercado.

Este é um dos grandes desafios que se coloca ao desenvolvimento económico local das regiões rurais de Cabo Verde, especialmente de Santiago, mas também do Fogo, Santo Antão e São Nicolau onde as potencialidades ao nível da produção agrícola são inúmeras.

A tónica entre a necessidade do associativismo e da importância das cooperativas foi um dos temas em debate ontem à tarde no Painel Interactivo sobre os desafios comuns e o potencial dos SIDS e dos pequenos estados insulares, no âmbito do IV Fórum Mundial de Desenvolvimento Económico Local a decorrer desde terça-feira, 17, na capital.

Tendo como particularidade o caso de Cabo Verde, Amílcar Monteiro, Consultor em Políticas de Desenvolvimento foi um dos intervenientes deste painel e deu o exemplo do que se passa actualmente com a falta de aproveitamento das potencialidades da produção de banana no concelho de Santa Cruz, em Santiago e os intervenientes em toda a fileira produtiva.

O concelho de Santa Cruz, que é o maior produtor de banana do país, não está a tirar partido do mercado turístico das ilhas do Sal e Boa Vista, tendo em conta que Cabo Verde produz 19 mil toneladas de banana/ano e o mercado turístico dessas ilhas consome 500 toneladas, ao ano.

“As rabidantes que vendem banana no Sal e na Boa Vista, revendem a banana a um operador que depois, por sua vez, vende as bananas aos hóteis. Trabalhando de forma individual, elas ficam afastadas da cadeia de valor e perdem-se no percurso de uma cadeia fragmentada”, alertou.

Esse Consultor acredita que através de uma “parceria estratégica” entre estes municípios seria possível transformar de forma “radical” a dinâmica dos pequenos produtores e das rabidantes.

GC

 

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