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Dos Livros e das contemplações

Dois livros tenho oferecido recorrentemente aos amigos | Livros pequenos | deliciosos de ler | São eles: «Futebol: Sol e Sombra» | de Eduardo Galeano | e «Os Dados Estão Lançados» | de Jean-Paul Sartre

Filinto Elísio

Lendo o livro que me desafia

[ Leio-o pessoanamente | com ‘fingimento’ da verdade poética | mas há nele uma ascese que me interroga | Quiçá | o shakespeariano ser ou não ser | romance | Por transtextual e arborescente | leio-o também pelo viés do pós romance | e desloco-me pelas ‘costuras’ dos seus entre textos e inter textos | E no espaço intervalar das dúvidas (só minhas) | o verbo tangencial e transversal do autor | Transgridem-me as demarcações de sua sintaxe | E fico pessoanamente | deslumbrado ]

E apercebo-me que

[ A literatura cabo-verdiana | (firme em sua genealogia e estável em sua identidade) | já não tem de estar confinada | ao espaço do arquipélago e da diáspora | ou (pela tradutibilidade) do universo da língua portuguesa | assim como da cabo-verdiana | Ela pode ir mais longe | transpor seu contexto de origem e zonas de vizinhança | Ousar a transregionalidade e transinsularidade | transnacionalidade e transcontinentalidade | Assumir-se a concomitância da literatura-mundo ]

Dois livros & seus desdobramentos

Dois livros tenho oferecido recorrentemente aos amigos | Livros pequenos | deliciosos de ler | São eles: «Futebol: Sol e Sombra» | de Eduardo Galeano | e «Os Dados Estão Lançados» | de Jean-Paul Sartre | Para além das paixões em torno do futebol e da política | respetivamente no primeiro e no segundo | as engrenagens dos jogos de poder | no que aportam de metafísicos e de mística | bem como suas zonas de sol e sombra | E o existencialismo | que não só intui a morte depois da vida | como cogita a vida depois da morte | Tal qual o amor à camisola | o meu pelo menos | que não se amofina perante o 0-1 no Estádio Nacional | mas que se mantém | orgulhoso | nalguma sobrevida dos Tubarões Azuis | A quem oferecerei novamente estes dois livros?

Do estar na beirada do rio

Pessoano Tejo | uma caravana | ou uma regata | segue para a foz | de contrário | um navio estival | Há coisas que interessam | a bom rigor não sendo todas as coisas | quando navegar é preciso

De modo que 

[ A evitar que nos ardam as barbas | já dizia o meu avô | é pô-las mesmo ao molho | Não que esperasse sair à chuva | sem me molhar | Todavia | algum preparo não cairia mal aos bizantinos | para que não se percam pelo “sexo dos anjos” | O resto | livrai-nos de sancionar incongruências | e de colocar paninhos quentes à imprevidência | É não dar mesmo trela a tudo | no seguir da caravana. ]

a regata | já longe.

Intervalo

Qualquer empreendimento | introduz imponderáveis | que demandam gerir com sabedoria e maturidade | O equilíbrio de andar sobre o fio de arame sem amparo da rede | e o aprendizado da resiliência | São as poeiras na engrenagem | as intransigências e os egos | São as interpretações de Sancho Pança e são os mirabolantes moinhos de Alonjo Quijano | São as sensibilidades políticas e as suscetibilidades culturais | Qual sina de Sisifo | de não vacilar ao apupo da canalha | Todavia | se for a obra grande | e a missão ainda maior | a mesquinhez e a “mufineza” que aguardem | Navegar é preciso | viver não é preciso | Adiante…que era só para intervalar.

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