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“Viver de arte em Cabo Verde é um acto de muita coragem” – Tutu Sousa

Artista plástico de renome e consolidado, Tutu Sousa garante que, apesar da “tendência para melhorar”, viver da arte em Cabo Verde ainda é uma utopia. Fazer, ou tentar fazer isso, representa “um acto de muita coragem”. A razão: “As pessoas ainda não respeitam a cultura de viver de arte em Cabo Verde”, justifica o artista, que acaba de inaugurar a sua Galeria, em Terra Branca (na Cidade da Praia).

Um dos mais conceituados artistas plásticos do País, Tutu Sousa, 42 anos, começou as suas aventuras no mundo da arte, ainda criança, em jeito de curiosidade e descoberta. Aos 17 anos, a paixão falou mais alto, fazendo com que Tutu mergulhasse, de vez, no mundo da arte, sem nunca mais parar.

Vinte e seis anos depois, este auto-didacta cujas obras já viajaram o mundo, ainda possui reservas em relação ao mundo da arte. Ou melhor: viver da arte em Cabo Vede, “não é nada fácil”.

E diz porquê: “As pessoas ainda não respeitam a cultura de viver da arte em Cabo Verde. Temos um mercado onde o poder de compra é fraco e os consumidores de arte ainda são poucos”.

Mesmo assim, Tutu Sousa, que também é “designer” gráfico, acredita que é razoável sonhar com dias melhores. “Tenho fé que chegará o dia em que as pessoas dêem mais valor à cultura”, manifesta, garantindo que “a tendência tem sido para melhorar”.

E prossegue: “No início era mais difícil vender uma obra de arte. Agora, regularmente, consegue-se vender alguma criação. Mesmo assim, continuo a insistir que é preciso ter-se muita coragem para viver só da arte em Cabo Verde”.

Mentor da Rua d’Arte

Vários são os projectos assinados por Tutu Sousa, ao longo de suas quase três décadas dedicadas ao mundo da arte. Um dos mais recentes e emblemáticos, tem apenas um ano de vida: a “Rua d’Arte”, nascida em 2016, na Terra Branca, na sequência da comemoração dos seus 25 anos de carreira.

“É uma Rua emblemática, na qual participaram 39 artistas nacionais e internacionais, cada um com uma pintura representativa”, revela Tutu, ao A NAÇÃO, frisando ser ele o que “mais obras possui nas paredes” daquele bairro.

E acrescenta: “As pessoas perguntam quem tem cá mais pinturas. Naturalmente que sou eu!  Como é a minha Rua, bate sempre aquela vontade. Quando isso acontece, vou lá e gravo mais um registo”.

A ideia, agora, é transformar a “Rua d’Arte” numa pedonal. Aliás, esta proposta já foi apresentada e aceite pela Autarquia capitalina, havendo já, inclusive, orçamento aprovado.

“A Rua recebe muitas visitas de turistas – e não só. Uma vez que os moradores, habitualmente, fazem muitos convívios, fica difícil conviver com a circulação de carros. Sempre que realizamos actividades, temos que pedir licença e autorização à Câmara, para o fechamento da Rua. Transformada numa Rua Pedonal, não haverá essa necessidade e facilitará a promoção de eventos”, explica Tutu, anunciando, “em primeira mão”, o processo de criação da Associação “Rua d’Arte”, para facilitar contactos com os possíveis patrocinadores, esponsores e financiadores.

Outros projectos

Tutu Sousa que deve participar, em Novembro, numa exposição em França, enquadrado no “Festival 7 Sóis, 7 Luas”,  e, em 2018, numa outra, nos Açores (uma das Regiões Autónomas de Portugal, a par da Madeira), também no marco do mesmo certame, “vive um momento alto na sua carreira”: inaugurou, a 9 de Setembro, a sua Galeria, prestigiada com uma mostra colectiva de artistas da Guiné-Bissau e de Cabo Verde.

“A Galeria ainda não está finalizada. Tive que acelerar para esta exposição. Lá mais para a frente, trabalharei na organização e calendarização de futuras mostras individuais e colectivas”, anuncia.

Além da Galeria de Tutu, os artistas expuseram, também, na de Nela Barbosa e no Palácio da Cultura “Ildo Lobo”, no Platô. “Participaram um total de 12 artistas cabo-verdianos e sissau-guineenses, dos quais, sete participaram na exposição de Nela Barbosa e os demais na minha e no ‘Ildo Lobo’”, nota.

As exposições começaram a 15 de Setembro e estiveram patentes ao público até o dia 24, data do 44º aniversário da proclamação (unilateral) da Independência da Guiné-Bissau, “como uma forma de homenagear os artistas” daquele país lusófono da África Ocidental,  presentes nos três certames.

 

 

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