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Predadores sexuais via Facebook: Suspeitos usavam massacre de Monte Txota e casos de assassinato para intimidar vítimas

Os dois principais suspeitos foram detidos em Março passado, após um mandado judicial. Cansada de tudo, uma das vítimas procurou a Polícia para denunciar a dupla.

Os dois irmãos, detidos em Março sob suspeitas de vários crimes de ameaça de morte, coacção, chantagem e agressão sexual, terão usado o massacre de Monte Txota e casos de assassinato para amedrontarem as suas vítimas, adolescentes a partir dos 13 anos. Um deles, Rui Alves, responde por 71 crimes.

 Um dos casos de assassinato usados pelos dois suspeitos – diz uma das fontes do  A NAÇÃO -, é o de uma jovem que foi encontrada sem vida na zona florestal do Taiti, na Várzea (Cidade da Praia), em Março de 2014. O outro – diz o mesmo informante -, é o de uma jovem de 17 anos, que foi encontrada morta num pardieiro, nos arredores de Pedra Badejo, em Santa Cruz (no interior de Santiago).

Os suspeitos, Rui Alves e Flávio Alves – em prisão preventiva desde Março passado –, conforme avançam os nossos interlocutores, diziam às suas vítimas que eram eles os autores daqueles dois crimes e mentores do massacre de Monte Txota. Tudo para despertar medo e coagir as jovens a realizar suas vontades: enviar fotos sem roupas, manter relações sexuais com eles e a prostituírem em troca de dinheiro. As acções dos acusados aconteceram entre os anos 2015 e 2017.

 Crimes

 Os dois suspeitos trabalhavam como bagageiros no Aeroporto Internacional “Nelson Mandela”, na Praia. “São jovens muitos inteligentes e com um bom domínio de informática”, disse, na altura, uma fonte do A NAÇÃO, dando conta que estes se faziam passar, também, por donos de uma das empresas de transportes aéreos que opera em Cabo Verde.

Rui Alves, 24 anos, sabe este Jornal, está a ser acusado de 71 crimes: 12 por ameaças de morte, 12 por coacção, 12 de chantagem, sete de gravações, fotografias e filmes ilícitos, um de abuso sexual agravado, 17 de abuso sexual com penetração, oito de agressão sexual e dois crimes de abuso sexual de menores na forma tentada.

O irmão mais velho, Flávio Alves, 27 anos, é acusado de 34 crimes: sete de ameaça de morte, sete de coacção, sete de chantagem, sete de gravações, fotografias e filmes ilícitos e mais seis crimes de agressão sexual com penetração.

 Recordando o caso

 Os dois visados atraíam as suas vítimas com recurso a vários perfis falsos, criados na rede social “Facebook”. Nomeadamente “Nuno de Pina”, “Sinna Gonçalves”, “Nuno Gonçalves”, “Speed Gonçalves”, “Gonçalves Moahmed”, “Maurycio Marcovich” e “El Hommbre Marcovich”.

Uma vez aceite o pedido de amizade por parte das vítimas, dava-se início às conversações via chat do Messenger, em que os arguidos, na maior parte dos casos, se identificavam como sendo árabes e portugueses residentes em Londres, sócios e/ou donos de empresas estrangeiras, com negócios em Cabo Verde, mas, também, com ligações ao mundo do crime. Em outros casos diziam ser filhos de pessoas conhecidas como grandes traficantes de droga.

“Estabeleciam amizades virtuais com as vítimas, a quem faziam propostas de emprego, de guardar dinheiro e armas, fazendo-se passar por donos de empresas e traficantes internacionais”, diz uma das nossas fontes, completando que, tudo isso, era conseguir que as jovens enviassem fotografias de corpo inteiro, bem como das partes íntimas.

E para isso diziam que, caso as jovens não aceitassem, iriam matá-las e aos seus familiares. Em alguns casos chegaram até a descrever a rotina das meninas e de seus entes queridos. Com o medo da ameaça, as adolescentes acabavam por ceder.

Isto é, depois de receber as fotos, ainda sob ameaça de morte, quer das vítimas ou dos seus familiares, ou chantagem de publicação das mesmas imagens no “Facebook”, obrigavam as vítimas a manter relações com terceiros, que eram, na verdade, os próprios arguidos. As vítimas eram, ainda, obrigadas a filmar e fotografar o acto como prova da efectivação da obrigação.

 Outros suspeitos

 Além dos irmãos Alves, são suspeitos neste imbróglio as jovens Miqueia Silva e Emeleina Silva, ambas residentes na Cidade da Praia. Estas ajudavam os dois irmãos a concretizar os seus planos, tendo, inclusive, supostamente, várias reuniões da quadrilha e actos de violação sexual acontecido na residência da primeira, em Tira-Chapéu. As duas, que estão em liberdade, vão responder por co-autoria de um crime de associação criminosa, outro de gravações, fotografias e filmes ilícitos, bem como de ameaça, chantagem e coacção.

 Prostituição

Sabe o  A NAÇÃO que algumas jovens foram, ainda, obrigadas a se prostituírem em troca de dinheiro, que seria, depois, entregue aos suspeitos.

“As vítimas, além de manter relações sexuais, muitas vezes desprotegidas, com os irmãos Alves eram ainda obrigadas a prostituírem. O dinheiro que chegava até aos sete mil escudos diários, era entregue a Miqueia ou ao Rui”, conta a nossa fonte, realçando que o grupo fez tanto dinheiro, que deu para alugar um outro quarto em Terra Branca, para as “reuniões” da quadrilha, porque, “em casa da Miqueia, estava a dar muito nas vistas”.

As nossas fontes contam, também, que algumas das vítimas chegaram a ser levadas, sob ameaça de morte, a uma discoteca na Cidade da Praia, para buscarem clientes. “Para isso, as jovens usavam  desculpas do tipo de que iriam a festas em casa de amigas, para enganar os pais”, ajunta uma das nossas fontes.

 Consequências e marcas

 De entre as 13 vítimas, sendo a mais nova com apenas 13 anos, está uma jovem que acabou por engravidar. Exames médicos – segundo uma fonte judicial -, indicam que há grandes chances de ser Rui Alves o pai do feto, que acabou, entretanto, por não nascer, já que a vítima acabou por abortar.

Há outras jovens que acabaram por perder um ano lectivo, por causa das faltas não justificadas que davam, para poderem satisfazer os caprichos ou as ordens dos seus chantagistas.

Os dois principais suspeitos foram detidos em Março passado, após um mandado judicial. Cansada de tudo, uma das vítimas procurou a Polícia para denunciar a dupla.

Sabe o A NAÇÃO que, no decorrer das investigações, foram realizadas buscas às casas dos irmãos Alves, tendo sido apreendidos telemóveis, computadores e vários dispositivos de armazenamento, contendo imagens das vítimas sem roupa e em pleno acto sexual com os arguidos.

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