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“A Matriarca – Uma História de Mestiçagens” é o segundo romance de Vera Duarte

O lançamento acontece dia 6 de Outubro, sexta-feira, às 17H00, no Centro cultural de Santa Maria, ilha do Sal.

Depois de “A Candidata” (2004), Vera Duarte, escritora e presidente da Academia Cabo-verdiana de Letras (ACL), prepara-se para lançar o seu segundo romance: “A Matriarca”, erguida no sub-título, de “Uma história de mestiçagens”, a ser apresentado no dia 6 de Outubro, na ilha do Sal, com a chancela da Livraria Pedro Cardoso, Editora.

Trata-se de uma obra em que as personagens femininas são privilegiadas e o espaço é um mundo cheio de voltas (desconhecido, estranho), podendo dizer-se fictício.

A “Matriarca…” é – segundo a autora -, um romance polifónico, que narra a vivência de homens, e sobretudo de mulheres, numa releitura da origem dos povos, da história de África e, em especial de Cabo Verde, resgatando a mestiçagem ancestral e contemporânea dos cabo-verdianos, a partir de representações sobre a vida social e das práticas culturais.

O enredo baseia-se em duas estórias de amor, que se entrecruzam, cada uma com o seu final: Ester, a protagonista, e Peter, jovem sueco filho de pai cabo-verdiano, que vem a Cabo Verde à procura da sua família paterna, e Ingrid uma sueca que teve um filho de um cabo-verdiano e reencontram-se, em Santa Maria, ilha do Sal, 30 anos depois.

“Cada vez mais sinto a inclinação para escrever romances. É um enredo que procura falar da sociedade dos nossos dias, mas dá, também, algumas pinceladas na história da origem do povo cabo-verdiano”, revela Vera Duarte, ao A NAÇÃO.

À volta dessas duas estórias, Vera Duarte fala de discriminações, de vida espiritual dos cabo-verdianos, através da Igreja Protestante, que não é muito falada e do Centro Redentor. Fala das origens do povo cabo-verdiano, aborda questões da juventude cabo-verdiana e refere-se, no livro, de espaços de diversão da Praia e do Sal.

“É um livro que quero que os jovens leiam. É um romance muito contemporâneo. Trata de assuntos sérios, mas com leveza para que consiga alcançar o maior número de leitores possíveis. Por outro lado, entendo que, no nosso País, a literatura tem que dar alguns subsídios à História, em que há muito por fazer”, constata.

“A Matriarca…” é uma estória que se desenrola em vários pontos, como na cidade da Praia, no Mindelo (São Vicente), no Sal, na Suécia e tem passagem por Brasil e Paris (França).

Na verdade – diz Vera Duarte -, enquadra-se na literatura-mundo. “O cabo-verdiano não tem muito por onde fugir. Somos um povo ‘diasporizado’ e, por isso, quando escrevemos sobre a nossa sociedade e costumes, acabamos sempre por fazer muitos sobrevoos. E este romance não foge à regra”, admite Duarte.

Mulher cabo-verdiana: uma Matriarca

Na leitura da obra – como refere Fátima Fernandes, autora do prefácio do livro -, deparamo-nos não só com a narrativa do quotidiano, mas, também, com a ficcionalidade que configura um exercício de questionamento dos limites da ficção, numa experiência de reanálise da dinâmica narrativa e discursiva, própria do texto contemporâneo.

Nesta obra – acrescenta a curadora da Biblioteca Nacional -, nos “papéis femininos”, privilegia-se a múltipla presença das mulheres na sociedade, como mães, produtoras do saber e de cultura.

“Nessa história tem uma figura de uma Matriarca, porque, em Cabo Verde, todas as mulheres são matriarcas. As mulheres cabo-verdianas, principalmente as mães, são matriarcas, porque são elas que, normalmente, se ocupam dos filhos. É um bocadinho dessa ideia que, também, é subjacente ao romance”, afirma Vera Duarte.

Vêm aí novas eleições na ACL

As novas eleições na Academia Cabo-Verdiana de Letras (ACL), para a escolha dos novos membros dirigentes, estão previstas para o mês de Outubro.

Vera Duarte revela que não vai se recandidatar. “Já mandamos relatórios a todos os sócios para poderem preparar a candidatura. O nosso objectivo é que a ACL tenha 40 membros efectivos. Neste momento, temos pouco mais de 30, mas é preciso dizer que metade está fora, temos muitos membros no estrangeiro. Fomos a primeira Academia no espaço dos PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa). Recentemente, Angola criou a sua Academia”, aponta.

Por: António Chantre Neves

Texto original na edição impressa nº 524 do A NAÇÃO

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