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Portugal: Relatório sobre roubo de armas pode ter sido fabricado

Isto porque não é normal que um documento do tipo contenha juízos de valor de natureza política, em vez de se cingir apenas aos factos.

Pode não passar de ficção ou intriga de bastidores, numa altura em que Portugal vai a votos no próximo domingo, o relatório da secreta militar portuguesa que aponta Cabo Verde como um dos destinos prováveis para as armas roubadas do quartel de Tancos em Junho passado.

A existência do suposto relatório, de 65 páginas, que foi divulgado no sábado pelo jornal Expresso, atribuindo a sua autoria aos serviços de informação militar portuguesa, foi categoricamente desmentida pelas autoridades militares e governamentais de Portugal.

“Não sei a que documento se refere o jornal. Sei que não é de nenhum organismo oficial do Estado português”, comentou o primeiro-ministro, António Costa, depois de no sábado o Estado Maior das Forças Armadas ter desmentido “categoricamente” que o relatório tenha sido produzido pelas secretas militares.

O jornal reiterou contudo a existência do documento, mas, pelo teor do mesmo, com apreciações políticas contra o ministro da Defesa, Azeredo Lopes, é por isso mesmo posto em causa por analistas independentes. Isto porque não é normal que um documento do tipo contenha juízos de valor de natureza política, em vez de se cingir apenas aos factos.

Para Azeredo Lopes, o relatório, que põe em causa a sua competência, elogiando a postura do presidente Marcelo Rebelo de Sousa, foi “fabricado” com intuitos políticos. “E é importante saber quem foi, com que motivação foi fabricado esse documento, falsamente atribuído aos serviços de informação”, afirma o ministro da Defesa, cuja cabeça vinha sendo exigida pela oposição (PSD e CDS) por causa do assalto de Tancos.

No próximo domingo os portugueses elegem, uma vez mais, os seus órgãos do poder local, com tudo a apontar para uma vitória do Partido Socialista, de António Costa. Dois cabo-verdianos, Wladimir Brito e Mário Carvalho, disputam as câmaras municipais de Braga e Amadora, respectivamente.

Segundo o documento, as armas retiradas do quartel de Tancos, em Junho, terão tido como destinos mais prováveis o “trafico de armas para África, em concreto a Guiné-Bissau ou Cabo Verde, ou um assalto promovido por mercenários portugueses contratados, ou ainda por grupos jihadistas”.

 

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