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Rui Graça: Trabalha em paletes para formar-se em artes

Acostumado a trabalhar com as mãos, Rui Graça acabou por aprender a transformar paletes em móveis de todos os tipos. Este ofício, além de fazer por gosto, tem-no permitido pagar os estudos em Artes Visuais.

Natural da localidade de Corvo, Ribeira Grande (Santo Antão), Rui Graça está há cinco anos em São Vicente, ilha que fez brotar nele uma habilidade antes desconhecida. Aos 23 anos, acostumado, desde cedo, a tarefas manuais, como trabalhar na agricultura, pesca e outras, tanto que os avós, que o criaram o apelidaram de “daninho”.

“As pessoas que me conhecem também me chamam de ‘beldónhe’, porque não há nada que eu veja avariado que não tente consertar, como televisão, máquina de lavar, etc.”.

E assim, há cerca de dois anos, ocorreu-lhe aproveitar umas paletes que tinha em casa para fazer uma cama e um guarda-fato para o seu quartinho alugado, em Chã de Alecrim. “Depois, vendo o resultado, uma prima pediu-me para fazer-lhe uma cama, mas em maiores dimensões”. Um pedido que o obrigou a mudar a “oficina” de um pequeno quintal agora para a soleira da porta da casa, onde mora.

A mudança fez Rui passar alguma penúria, por ter de trabalhar debaixo do sol, mas funcionou como publicidade. Pessoas que passavam pelo local viram e gostaram do seu trabalho, logo novas encomendas acabaram por surgir.

Pagar estudos

Rui conta também que chegou a obter alguma experiência, através de um pequeno estágio, de duas semanas, feito com um marceneiro, mais velho. “Não é soberba, mais para mim basta estar a observar um pouco para aprender logo”, afirma este jovem, que trabalha também com artesanato.

Assim, foi aperfeiçoando e ganhando cada dia mais solicitações, já que como diz faz moveis de todos os tipos em paletes, não importando o pedido, “até os com estilos que em princípio não podem fazer feito em paletes, eu tento adaptar”, garante.

A única adaptação que tem tido algum dificuldade é de conciliar o horário de trabalho com o dos estudos. Sim, porque a profissão tem permitido ao Rui pagar o curso em Artes Visuais na M_EIA (Escola Internacional de Arte do Mindelo) e até sobra para outras despesas.

“Mas o que faço, faço mais por gosto, eu adoro ver no que posso transformar uma simples palete, o produto final me agrada”, confessa com um sorriso, mesmo trabalhando ainda numa pequena casinha, disponibilizada pela sua senhoria que se condoeu de o ver labutando ao sol.

Entretanto, já a matéria-prima é que não se encontra muito à mão, o que nos primeiros tempos obrigava Rui a andar de mini-mercado em mini-mercado ou de drogaria em drogaria à procura desse tipo de madeira, utilizada para encaixotar artigos. “Hoje já é mais fácil porque as pessoas já me conhecem e me chamam sempre que têm paletes”. Por outro lado, também negoceia com clientes que podem levar logo o seu material.

Unir artes

Assim, visivelmente entusiasmado pelo que faz, Rui Graça pretende dar continuidade a essa profissão mesmo depois de completar os estudos superiores. Contudo, garante, que vai aliar os conhecimentos adquiridos e tentar inovar sempre.

Uma das ideias que tem em carteira é fazer móveis “inteligentes”, que podem facilitar a vida, por exemplo de estudantes, que normalmente vivem em lugares com pouco espaço. “Fazer móveis com várias funcionalidades e que ainda podem ser adquiridos a bom preço”.

Outros dos projectos futuros, do qual já tem algumas ideias e até prospectos em papel é de conciliar a arte das paletes, com outras das suas grandes paixões, a tecelagem.

Letícia Neves

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