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Venezuela: Maduro quer convocar “cimeira mundial de solidariedade”

Eleita no final de Julho, a Constituinte chamou a si o essencial dos poderes do Parlamento.

 

O Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, reiterou que convocará uma “cimeira mundial de solidariedade” com o país, que permita atenuar a “campanha criminosa” que considera existir contra a Venezuela, cujo Governo está cada vez mais isolado internacionalmente.

“São opções que nos vão permitir (…) atenuar uma campanha criminosa, brutal, gigantesca, inclemente, que existe contra a Venezuela no mundo”, afirmou Nicolás Maduro, numa entrevista ao canal privado Televen, citada pela agência espanhola EFE.

Maduro atacou os governos “de direita” da região pelas suas críticas à situação política vivida na Venezuela, depois de 12 governos americanos terem expressado, na sexta-feira, 18, a sua “enérgica condenação” à decisão da Assembleia Constituinte da Venezuela de dissolver a Assembleia Nacional (Parlamento), controlada pela oposição, de modo a assumir as suas funções.

O chamado “Grupo de Lima” – Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Honduras, México, Panamá, Paraguai e Peru – já tinha manifestado a sua oposição à “ditadura” e “ruptura democrática” da Venezuela há dez dias, através de uma declaração subscrita pelos seus ministros dos Negócios Estrangeiros, na capital peruana.

O Presidente da Venezuela insiste na ideia de uma cimeira, que já tinha sido avançada a 8 de Agosto durante uma reunião da aliança regional ALBA (Aliança Bolivariana para as Américas), que integra a Venezuela, Cuba, Nicarágua, Bolívia e Equador, entre outros países.

A cimeira pretende ganhar apoios na opinião pública internacional “contra a ameaça do (Presidente dos Estados Unidos da América) Donald Trump”, que disse há dias que não exclui uma intervenção militar na Venezuela, explicou Maduro.

Os preparativos da cimeira estão a ser trabalhados pelos ministros dos Negócios Estrangeiros, Jorge Arreaza, e da Informação, Ernesto Villegas, pelo irmão do antigo presidente Hugo Chávez, Adán Chavez, e pela presidente da Assembleia Constituinte, Delcy Rodríguez, que, de acordo com o que Maduro já tinha avançado na reunião da ALBA, poderá realizar-se em São Salvador.

A nova Assembleia Constituinte aprovou, sexta-feira, por unanimidade, um decreto em que assume as competências para legislar em matérias até aqui prerrogativas do Parlamento venezuelano, onde a oposição detém a maioria.

O decreto foi aprovado durante uma sessão em que a direcção do Parlamento não esteve presente, apesar de ter sido convidada, justificando a ausência com a vontade de não se subordinar à Assembleia Constituinte, tal como já fizeram outros poderes venezuelanos.

Eleita no final de Julho, e contestada por grande parte da comunidade internacional, a Constituinte, que reúne 545 membros próximos do poder, chamou a si o essencial dos poderes do Parlamento.

A iniciativa marca um novo episódio na grave crise política que abala a Venezuela, onde manifestantes exigem nas ruas a saída do Presidente, eleito em 2013. Desde o início de Abril, os protestos provocaram já 125 mortos.

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