Home » Actualidades » São Vicente: Jovem cria “Associação Sem Abrigo” para tirar pessoas das ruas

São Vicente: Jovem cria “Associação Sem Abrigo” para tirar pessoas das ruas

A ideia surgiu em finais do ano passado e o desejo é construir uma casa onde as pessoas sem habitação possam ter um tratamento condigno.

Um grupo de jovens, liderado por Rui Medina, 23 anos, criou uma associação que tem como missão diminuir o número de “sem-abrigos” das ilhas de São Vicente e Santo Antão. A ideia surgiu em finais do ano passado e o desejo é construir uma casa onde as pessoas sem habitação possam ter um tratamento condigno.

A recém-criada Associação Sem Abrigo desenvolve-se, segundo os seus membros, sob a perspectiva do apoio emocional e humano, diminuindo a solidão e o abandono. Um projecto social em que voluntários bem identificados vão disponibilizar algum tempo e motivação, permitindo que a pessoa sem-abrigo tenha alguém que a oiça activamente, que se interesse por ela e que se preocupe. No fundo, um amigo. A pessoa sem-abrigo é considerada como individual e única, pois não pertence a um grupo homogéneo.

Por isso, para a Associação Sem Abrigo, na voz do seu promotor Rui Medina, é importante conhecer as necessidades, saber o nome e contribuir para o bem-estar emocional do sem-abrigo. Procura-se, assim, promover a sua dignidade, autoestima, e encontrar soluções para cada caso.

“A ideia surgiu porque todo dia quando saio à rua, tanto de dia como à noite, deparo-me com essa situação e isso incomoda-me muito. Sempre fiquei pensando nisso e então disse que eu mesmo posso lutar para conseguir fazer alguma coisa que lhes ajude”, diz o jovem que é natural de Santo Antão.

Foi então que Medina decidiu criar um pequeno grupo, neste momento cinco jovens, todos voluntários, que são membros activos que têm como missão promover “momentos de felicidade, conversa, tendo um impacto positivo na vida destas pessoas, e, neste percurso, construir uma relação de ajuda”.

Procura-se também desmistificar a “condição de sem-abrigo”, possibilitando aos voluntários, pela sua participação e formações, transmitir algum conhecimento sobre esta realidade e contribuir para uma sociedade mais informada.

“Todos nós somos jovens, alguns ainda não têm trabalho, por isso, decidimos pedir ajuda para esse projecto. Primeiro estamos a tentar angariar recursos e parcerias para construir uma casa onde os sem-abrigo possam dormir, esconder dos maus tempos ter alimentação, vestuários e cuidados de saúde. Uma casa significa recuperar a identidade como pessoa e cidadão e poder libertar-se do estigma do sem-abrigo”, salienta Rui Medina.

Apoios: uma casa é prioridade

 Para alavancar o projecto, a associação tem batido à porta da sociedade civil e de várias entidades. Contudo, Rui Medina revela que já receberam resposta positiva somente de algumas instituições em Portugal.

“Já mandamos cartas para algumas instituições em Portugal e algumas delas deram-nos resposta positiva. Entramos em contacto com instituições e empresas cabo-verdianas, mas apenas a Caixa Económica que já respondeu”, admite.

E acrescenta: “A nossa prioridade é oferecer estabilidade habitacional a estas pessoas, considerando que, para a pessoa aderir a qualquer projecto de saúde ou projecto social, tem de ter, primeiro que tudo, uma casa”.

O nosso entrevistado adianta, entretanto, que já ele e os seus companheiros começaram a elaborar um plano percorrendo as localidades de São Vicente para saber, aproximadamente, o número de sem-abrigo e o estado de saúde deles.

 O projecto vai abranger as ilhas de São Vicente, onde Rui Medina vive, e Santo Antão, ilha natal deste jovem. O critério é, primeiro, fazer um balanço da quantidade de pessoas nas ruas e, depois, elaborar uma forma de “selecionar todos”.

Rui Medina é electricista e “fiel de armazém” numa das empresas de construção em São Vicente. A sua sensibilidade e solidariedade fizeram-lhe agora pensar e executar um projecto direcionado a ajudar pessoas como nós mas que, por uma razão ou outra, não têm abrigo, um lar ou familiares com quem contar.

António Neves – Texto originalmente publicado na versão impressa do A Nação

PartilheTweet about this on TwitterShare on FacebookShare on Google+Email this to someone

Comentário

Classificados