Home » Actualidades » Investigador descobre rochas preciosas em Santiago

Investigador descobre rochas preciosas em Santiago

Duas espécies de rochas possuem alto valor comercial a nível mundial e a sua exploração pode gerar centenas de postos de trabalho.

O investigador cabo-verdiano José Romão, radicado no Brasil, diz ter descoberto duas espécies de rochas de “beleza rara” em São Domingos e São Lourenço dos Órgãos, ilha de Santiago.

Conforme Romão, essas duas espécies de rochas possuem alto valor comercial a nível mundial e a sua exploração pode gerar centenas de postos de trabalho para o país.

José Romão é um investigador cabo-verdiano, que vive há vários anos no Brasil, onde trabalha com pesquisa, prospecção, treinamentos na criação de novos produtos com base em mármores e rochas. Em conversa com A NAÇÃO, conta que, de passagem por Cabo Verde, recolheu duas amostras de rochas que encontrou nos concelhos de São Domingos e São Lourenço dos Órgãos para fazer teste laboratorial e os resultados são promissores.

“Após as análises mecânicas deparei que as duas rochas de beleza rara possuem grande valor comercial. A partir delas é possível produzir peças para serem aplicadas em revestimentos nas áreas exterior e interior, pisos, bancadas de cozinha, e casa de banho”.

Ainda Romão, as duas variedades de rochas em maciço rochoso e matacões encontradas em Fontes Almeida (São Domingos) e Pico da Antónia (São Lourenço dos Órgãos) pertencem à categoria comercial designada “granitos”. Uma delas, igual ao “granito”, é denominada no Brasil por “Preto Minas”, com um valor de mercado de 280 reais/m2 na chapa de espessura 0,02 cm. A outra é um “exótico negro” superior ao granito “Preto Angola”.

Aquele investigador, que também chegou a ser vereador na Câmara Municipal de São Domingos, acredita que, possivelmente, as espécies de rochas encontradas devem existir nos outros concelhos de Santiago. “Para verificar se existem em outros pontos do arquipélago, bem como a quantidade e qualidade desses maciços, é preciso aprofundar a pesquisa e a prospecção. Só a partir daí saberemos da viabilidade ou não da exploração. O que sabemos é que estamos perante uma enorme riqueza, caso houver estas rochas em quantidade no país. Até porque no negócio das rochas ornamentais não valem apenas os aspectos físicos, mas principalmente a beleza”.

Exploração

No que tange à exploração das referidas rochas, José Romão avança que, numa primeira fase, pode-se arrancar os maciços e vendê-los em estado bruto. E numa segunda fase, mais avançada, pode-se serrar e polir, “o que seria necessário um investimento em engenho de fios diamantados e politriz de chapas”.

Em suma, acredita, “esta descoberta poderá criar várias profissões e colocar Cabo Verde no mercado mundial de rochas ornamentais. Eu também sou professor de arte de trabalhar o mármore e criador de novos produtos. Estamos a tentar criar uma cooperativa denominada Granimar, em Ribeirão Chiqueiro, para formar jovens e produzir peças para a construção civil, e quem sabe, explorar as referidas rochas”.

O nosso interlocutor adianta ainda que já falou com os autarcas dos dois concelhos de Santiago e que estes se mostraram interessados no assunto, mas sem nada de concreto até agora. “Enderecei também uma carta ao Primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, e estou à espera de uma resposta”.

Independentemente das reacções das autoridades, José Romão diz que prossegue com os seus estudos e testes químicos para verificar a constituição das rochas em presença. “E nisso posso garantir que já constatamos a presença do mineral quartzo, outro elemento importante em mineralogia. Alguns colegas meus já têm conhecimento destes achados e, neste momento, também já há empresários do Uruguai interessados em comprar as possíveis jazidas, sobretudo do ‘Granito Preto’, que tem grande procura no mundo”, conclui.

Câmara de São Lourenço aberta

O autarca de São Lourenço dos Órgãos, Carlos Vasconcelos, confirmou ao A NAÇÃO que a sua edilidade recebeu uma comunicação de José Romão sobre a descoberta de espécies de rochas valiosa no município e faz saber que está à espera da vinda daquele técnico que vive no Brasil, para juntos realizarem uma visita de prospecção ao terreno e fazer um estudo mais aprofundado sobre o questão, salvaguardando as questões ambientais.

“A Câmara está sempre disponível para receber projectos e investimentos que alavanquem o desenvolvimento do município. Mas, para isso, precisamos analisar bem os projectos. Neste caso particular, temos que contactar e discutir com os proprietários dos terrenos, uma vez que boa parte do solo no concelho pertence aos privados. Só assim estaremos em condições de analisar as propostas e elaborar um projecto sustentável de forma que ambas as partes saiam a ganhar”, conclui.

SM

 

 

PartilheTweet about this on TwitterShare on FacebookShare on Google+Email this to someone

Comentário

Classificados