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São Vicente: Pais de criança com braço amputado acusam HBS de negligência médica

A história começou no dia 20 de Julho, a partir de uma queda que Geovany Oliveira sofreu quando brincava com amigos, no Paul (Santo Antão).

Os pais de Geovany Oliveira, de 11 anos, estão revoltados com a alegada negligência médica cometida no Hospital Baptista de Sousa, em São Vicente. Manuel Oliveira e Ana Melo dizem não descansar enquanto os culpados pelo episódio não forem punidos. A direcção clínica do HBS garante que já foi instaurado um inquérito interno para se apurar o sucedido.

história começou no dia 20 de Julho, a partir de uma queda que Geovany Oliveira sofreu quando brincava com amigos, no Paul (Santo Antão), durante a qual acabou por machucar o pulso esquerdo. Como conta o pai, Manuel Oliveira, com quem o menino estava a passar uns dias, o filho foi conduzido de imediato para o centro de saúde local, imobilizado o braço com tabas e com ordens para ser transferido para o Hospital da Ribeira Grande. Logo, no mesmo dia, deu-se a sua evacuação para São Vicente.

“Corri o quanto pude para que o meu filho pudesse ter assistência o mais rápido possível, mas no fim ele acabou por ter foi desgraça”, desabafa a mãe Ana Melo, explicando que o “infortúnio” começou no momento em que o filho foi atendido no Banco de Urgência do HBS, em São Vicente, por volta das oito da noite ainda no fatídico dia 20 de Julho. Um atendimento que classifica de “autêntica violência”.

“O meu filho, naquele momento, estava com medo e chorava de dor, mas, mesmo assim, o doutor Paulo, ortopedista, e mais um ajudante enfiaram-se com ele dentro do gabinete à força e não me deixaram ficar com ele. Fora do gabinete fui ouvindo os gritos do meu filho”, conta emocionada.

Geovany saiu com o braço esquerdo engessado e foi dito à mãe para o levar no dia seguinte, nesse caso numa sexta-feira, ao bloco operatório, para uma intervenção “mais precisa”, com anestesia, que não tinha sido utilizada da primeira vez. “É por isso que ele gritava de dores”, afirma.

Pesadelo maior

Depois da segunda intervenção foi indicado, como relata Ana Melo, foi também instruída para que Geovany voltasse na segunda-feira para ser observado e também para marcar consulta depois de um mês, o que indicava que caso não parecia tão grave.

Mas contra todas as previsões, a criança, embora medicada, continuava a queixar-se de muitas dores e teve que ser conduzida, mais outras vezes, à urgência do HBS, durante aquele fim-semana, no que foi observado por mais dois médicos. “Mesmo assim, a nossa vida continuou um autêntico inferno, porque o meu filho não conseguia dormir, passava o tempo todo a gritar de dor”.

A situação continuou até o dia 24, quando, de novo no HBS, os pais foram colocados perante a decisão de escolher entre amputar o braço lesado de Geovany e a morte dele. 

A tal operação acabou por acontecer no dia 26, com a amputação de quase todo o braço esquerdo da criança, que a mãe classifica como um menino, até então, “activo” e que adorava brincar na rua com os amigos. “E agora como ele poderá fazer isso, como vai enfrentar os colegas de escola a partir de agora?”, questiona Ana Melo, revoltada.

Justiça

Por isso, vivendo um autêntico drama, principalmente para o menino que já não consegue ver médicos pela frente, os pais clamam por “justiça”, apontando o dedo, principalmente, ao ortopedista Paulo Freire, que, acreditam, é o maior culpado do “pesadelo” em que todos passaram a viver.

“O meu filho está traumatizado, os familiares, os amigos, todos nós estamos chocados com o que aconteceu e agora pergunto quem se vai responsabilizar por isso tudo?”, questiona o pai, Manuel Oliveira, entre lágrimas, dizendo que daria tudo para que a dor do filho passasse para ele, pai.

Revoltado, Oliveira quer ver os culpados por este infortúnio punidos, principalmente o ortopedista, que, como diz, entrou de férias logo no dia seguinte do sucedido.

O nosso entrevistado aproveita também para deixar um alerta às autoridades: “Quando se fala na paz, a primeira coisa a fazer é constituir justiça. Porque se não for feita justiça para o caso do meu filho, nem sei onde vamos parar”, dizendo-se disposto a ir até “ às últimas consequências, mesmo”.

Inquérito aberto

Contactada, a direcção clínica do HBS explicou que a amputação do braço esquerdo de Geovany Oliveira resultou da fractura do punho esquerdo da criança, adiantando que já foi instaurado um inquérito interno para se apurar das circunstâncias que conduziram a um tal desfecho.

“Reconhecemos que é uma situação dramática e que os pais têm todo o direito de recorrer às instâncias que acharem melhor, mas não vale a pena, por agora, apontar o dedo a supostos culpados, sem saber o que aconteceu realmente”, salienta a directora clínica, Jamira Sousa.

Esta responsável, que não se alongou muito, escusou-se, entretanto, a dizer a data para se saber o resultado do inquérito. “Todos os implicados no caso vão ser ouvidos”, garantindo que a direcção do HBS tem “todo o interesse para que tudo seja esclarecido”. 

LN

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