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Perspectivas, incidências e anseios de desenvolvimento das ilhas

Seria mais vantajoso, para Cabo Verde, se os membros da Comunidade Económica Europeia aplicassem esforços para harmonizarem as suas acções, em vez de agirem por vezes em ordem dispersa

José Valdemiro Lopes

As políticas para o “desenvolvimento de Cabo Verde”, instaladas nestes últimos anos, com efeitos, por definição, a curto e médio prazo, não puderam demonstrar se são capazes de obter soluções consistentes para os problemas endémicos do país: o desemprego e o arranque rumo ao desenvolvimento económico.

O processo de desenvolvimento, ficou, em certa medida, comprometido, com sucessivas “injecções” de meios financeiros, que agravou a divida externa, elevando, esta, para um nível quase insuportável, as políticas de infraestruturação, revelaram-se insuficientes para impulsionar progressos significativos, ao país, sobretudo nas áreas essenciais de massificação de emprego e de criação de valor.

Esses anos de “esperanças perdidas”, foram sobremaneira vividos na ilha de São Vicente, onde verificou-se, entre outros, a preocupante retirada de empresas (e capitais estrangeiros) do Parque Industrial do Lazareto.

Acresce ainda que a integração regional em Africa, condição sine qua non da formação de espaços e mercados necessários, para este pequeno e frágil país insular, continua a ser um problema adiado apesar das declarações de princípio.

Na era da mundialização da economia, das tecnologias de informação e da, por assim dizer, abolição das noções de espaço e de tempo nas relações internacionais, o problema principal de Cabo Verde, reside no imperativo de poder, atrair e enquadrar, racionalmente o capital estrangeiro.

Deu-se grande importância a macroeconomia, sem se cuidar suficientemente da economia produtiva, e sobretudo descurando, a articulação entre os parâmetros de uma e de outra. Por exemplo, não basta preocupar-se com o investimento directo estrangeiro (naturalmente essencial), sem, ao mesmo tempo criar as condições para formar e apoiar a nossa classe empresarial. Criando ou activando, reforma de crédito interno (acesso a investimento) às pequenas e médias empresas e apoiar a cultura de e incentivos á constituição de joint-ventures entre as empresas cabo-verdianas e empresas estrangeiras, nomeadamente europeias.

Se é indispensável proceder-se á privatização da economia e prosseguir o esforço de desintervenção do Estado em muitos sectores de actividades e se essa privatização não for acompanhada pelo aparecimento de uma classe empresarial autóctone, capaz de orientar com dinamismo e racionalidade, o funcionamento das futuras unidades productivas, quem assegurará o controlo das economias e dos nossos recursos, sobretudo os da nossa área económica marinha exclusiva?

Paralelamente o esforço de integração regional africana é a garantia de criação de uma situação e oportunidade capaz de assegurar a Cabo Verde a posição e condição de “hube” e porta de entrada para o mercado económico da Africa do oeste. O investimento directo estrangeiro não tem condições de grande rentabilidade nesta terra de mercado limitadíssimo (já ouvi economista cabo-verdiano afirmar que não temos mercado!).

O desemprego jovem é engrossado, pelo facto de não termos desenvolvidos o sector secundário, ficando as universidades a formar jovens diplomados que se esfumam no desemprego e ainda mais, estas instituições oferecem na maioria das vezes, cursos conformistas, que não respondem às demandas do mercado de trabalho.

Seria mais vantajoso, para Cabo Verde, se os membros da Comunidade Económica Europeia aplicassem esforços para harmonizarem as suas acções, em vez de agirem por vezes em ordem dispersa, enfim são estratégias pontuais e individuais, mas que constituem vertentes de dispersão por vezes contrários aos objectivos de uma Europa tal como foi pensada por Schuman e Monnet.

Se a isenção de visto para os cidadãos europeus, vai introduzir, um jogo de compensações e de interesses cruzados que favorecesse as orientações estruturais da economia cabo-verdiana num sentido que fosse ao encontro dos equilíbrios e complementaridades, ganhando as duas partes…a ideia é boa. Em todos os outros casos dever-se-ia, sobretudo, reclamar, sem vacilar o princípio de reciprocidade, garantindo o respeito mútuo…

Mas a batalha primordial, pela nossa parte é e será, conseguir atrair para o país, o Investimento Directo Estrangeiro e devemos, desde agora, agilizar mais e pôr na prática as decisões legislativas e políticas em matéria de investimento estrangeiro. Ser tanto ou mais competitivo, que os vizinhos e concorrentes relativamente às condições de atractividade oferecidas aos IDE por estas regiões, garantir eficácia da máquina administrativa (central e local) e criar capacidade de enquadramento das organizações técnicas, disponibilizar recursos humanos qualificados, trabalhar a desburocratização, garantir referências legislativos precisos e fiáveis, oferecer estabilidade, segurança, confiança e liderança política coerente…

miljvdav@gmail.com

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