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“Banco Político” Sino – Atlântico: Banco de Cabo Verde desconhece dossiê

David Chow pretende criar, na Praia, o Banco Sino-Atlântico. O memorando nesse sentido foi assinado recentemente em Macau, entre o Governo e Chow. O Banco de Cabo Verde diz não saber de nada.

O memorando de entendimento com vista à criação, neste arquipélago, do Banco Sino-Atlântico, foi assinado a 31 de Maio em Macau. No acto, o Governo cabo-verdiano fez-se representar pela embaixadora em Pequim, Tânia Romualdo, e a outra parte, a Legend Globe Investment Company Ltd, pelo próprio David Chow (ver foto).

O empresário chinês, como é sabido, tem em curso a construção de um “relevante” complexo turístico no Ilhéu de Santa Maria, na cidade da Praia, no valor de 250 milhões de dólares, e propõe-se agora investir em outras áreas que venham a ser definidas, por acordo, com o Estado cabo-verdiano. Através do banco, soube A NAÇÃO, a ideia é atrair capital chinês para operar nesta zona da África ocidental e não só.

Argumentos

O referido memorando, a que A NAÇÃO teve acesso, diz que David Chow pretende estabelecer, com sede na Cidade da Praia, uma instituição de crédito denominada Banco Sino-Atlântico, “com vista a contribuir para o desenvolvimento do sistema financeiro da República de Cabo Verde, dar apoio à pequenas e médias empresas do país e facilitar os pagamentos locais e internacionais e, de modo geral, apoiar a política económica definida pelo Governo”.

Com base nisso, o promotor apresentará ao Governo, no prazo de seis meses, o processo do Banco Sino-Atlântico, “com toda a documentação necessária à apreciação do Banco de Cabo Verde”.   

Ainda, segundo o memorando, o Governo promoverá e agilizará a apreciação do processo de constituição do banco e “observados que sejam os requisitos legais”, diligenciará pela concessão da respectiva licença “no prazo legal mais curto possível”.

BCV não sabe de nada

Entretanto, apesar do conteúdo do memorando, A NAÇÃO apurou que todo o processo foi conduzido à margem do BCV. É esta entidade, note-se, que, em Cabo Verde, tem competência exclusiva em matéria de licenciamento de bancos, conforme a Lei de Bases do Sistema Financeiro (LBSF) e da Lei das Actividades das Instituições Financeiras (LAIF). Com estes dois diplomas, publicados em Abril de 2014, o BCV passou a ter, efectivamente, o poder de controlo e de regulação dos bancos comerciais.

DA

( Leia mais no A NAÇÃO impresso, nº510 de 08 a 14 de Junho de 2017 )

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