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CV Telecom no vermelho

Por resolver continuam, entretanto, os diferendos surgidos com a portuguesa PT (hoje extinta) e a brasileira Oi.

A Cabo Verde Telecom (CVT), uma das mais importantes empresas do país, fechou o ano de 2016 com resultados líquidos negativos. Um facto inédito e que deixa a nu os problemas por que vem passando essa companhia tida como estratégica para a internacionalização do país.

O relatório de gestão e as contas do exercício de 2016 da CVT, que incluem as contas individuais e consolidadas, bem como o parecer do fiscal único, vão ser apresentadas na reunião ordinária anual da assembleia-geral da empresa, marcada para 9 de Junho.

De acordo com o apurado e avançado pelo A NAÇÃO na sua edição 505, os resultados são negativos, uma tendência que se vinha verificando nos últimos anos em que a CVT praticamente viveu no fio da navalha.

Com efeito, em 2015, os resultados líquidos da CVT ascenderam a 218 milhões de escudos, fortemente alavancados pela incorporação, então, pelo método de equivalência patrimonial, dos resultados líquidos das participadas CVMóvel, CVMultimédia e Directel Cabo Verde. Mas este resultado representou, todavia, uma quebra de 39% face ao exercício de 2014.

Longe de diminuir, esta tendência na quebra dos resultados líquidos da CVT vem se acentuando de ano para ano. Em 2015, só não caiu para negativo porque foram incorporados os terrenos da antiga Marconi, ocupados pela Câmara Municipal da Praia. Sem esse balão de oxigénio, os resultados líquidos de 2016 caem naturalmente para negativo, deixando a nu a nova realidade da CVT.

A aceleração da amortização dos investimentos, quando a empresa era gerida pela Portugal Telecom (PT) é apontada, agora, como uma das principais causas da quebra acentuada dos resultados líquidos da CVT.

Segundo especialistas, tal amortização deveria ser feita durante o período de vigência do contrato de concessão, ou seja, até 2021, e não de “forma apressada” como “estrategicamente” a PT tratou de cuidar desde que se tornou no parceiro estratégico da CVT, em 1996.

O rompimento da parceria estratégica com a PT, teve também efeito negativo na performance da CVT, impondo-se uma gestão condicionada em aspectos importantes ao desenvolvimento dos negócios.

Sem parceiro estratégico, a inovação tecnológica na CVT quase que estagnou, enquanto a sua concorrente, a UNITEL T +, vem apresentado com uma certa acutilância, conquistando o mercado.

Além disso, no dizer de uma fonte, a CVT é dirigida actualmente por gente da “era do cobre”, sem visão estratégica para as novas tecnologias de informação e comunicação.

A Huawei surge agora como uma boa possibilidade para a CVT resolver os problemas de inovação tecnológica. A empresa chinesa é quem gere neste momento a rede e fornece os equipamentos de transmissão, o que lhe permite ter algum poder negocial para tentar assumir o controlo de gestão dos data center da CV Telecom.

Por resolver continuam, entretanto, os diferendos surgidos com a portuguesa PT (hoje extinta) e a brasileira Oi.

 

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