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Autonomia/Regionalização

A realidade nua e crua é que as ilhas são, hoje, apercebidas como regiões naturais que poderão se associarem em regiões maiores, conforme os interesses de desenvolvimento económico. Regiões as quais serão adjudicadas uma certa autonomia económica, política e administrativa, bem como a capacidade de influenciar os caminhos que a Nação deve seguir.

Carlos Araújo

Como terá ficado claro no nosso último artigo, a opção pela autonomia é a que melhor espelha as necessidades e sentimentos dos mindelensses. A frase, ê u q´nôs boca tita pdi, dita com cada vez mais freqência e, ainda na descontra daquele sorrisinho manhoso e bem mindelense, não só disso é revelador como também indicador de que o futuro já se começa a ser resolvido na mente dos que querem acordar de um sono cheio de pesadelos.

E é um dado que os pesadelos do povo mindelense são, como já várias vezes repetido, devidos a má organização da Nação e a necessidade imperiosa da democracia em seguir o seu rumo em direcção ao desenvolvimento integral do cabo-vediano.

A realidade nua e crua é que as ilhas são, hoje, apercebidas como regiões naturais que poderão se associarem em regiões maiores, conforme os interesses de desenvolvimento económico. Regiões as quais serão adjudicadas uma certa autonomia económica, política e administrativa, bem como a capacidade de influenciar os caminhos que a Nação deve seguir.

Os Sãovicentinos querem um governo nacional forte e capaz de merecer o seu respeito, esteja ele situado onde estiver. Mas querem também ter uma palavra no que toca aos destinos do seu pais.

De convictos do que não querem, passaram a estar convictos do que querem. E é essa convicção que os leva a recusar as sucessivas palestras que analizam os prós e os contras da autonomia. Na ordem do dia querem inscrever o como e não o porquê.

Podemos mesmo dizer que, se a fotografia atual esta correcta, então já ultrapassamos a fase das lamentações e de procura de justificações. De uma certa forma já iniciamos a marcha mas estamos emperrados por desobidiência aos nossos sentimentos.

O objectivo está bem definido: Libertar as forças Saovicentinas para que possam contribuir efectivamente, não só, para o seu auto-desenvolvimento, como também para participar na escolha dos caminhos futuros da nação de que é parte sem a qual o todo perde existência.

Os inimigos estão bem identificados:

  1. A constituição enquanto guradiã de uma organização hoje inadequada.
  2. Os partidos politicos enquanto trincheira ideal para a proteção de pequenos mas ambiciosos carreiristas.
  3. Os governos, não só suportados por forças partidarias desequiibrantes da sociedade como também comodamente instalados sobre o mofo dos alojados.
  4. O mofo dos alojados.

Pode não ser ainda claro para todos, mas vivemos um momento de pré-luta. Um momento em que já podemos identificar, pelo menos, quatro comportamentos que vão mantendo a luta aparentemente empacada, mas proporcionando momentos de vivos e construtivos debates.

Comportamentos que podem ser descritos da seguinte forma:

  1. Os saudosistas que, incapazes de se libertarem do poder do passado: quer ele seja o poder colonial, quer seja o do partido único ou mesmo as certezas de um 13 de Janeiro, perferem voltar a uma vida aperatada e angustiante, mas em conformidade com a realidade que apercebem.
  2. Os que querem lutar, desafiando o poder atual que se impõe como a realidade. Pessoas que acreditam que é possivel, e querem, mudar as leis da alma sem matar o próprio corpo.
  3. Os que se suicidam porque, desesperados, se resignam com o que têm, perante a incapacidade de se definir um novo futuro.
  4. Os conformistas que rezam para a obtenção de forças que os ajudem a suportar a realidade.

É bom entender que nenhum desses comportamentos trazem com eles uma saida para o futuro. Na realidade não passam de variações sobre a hesitação e a vacilação.

Históricamente, a solução para esses problemas esta no marchar em frente. A liberdade restringida vai apertando a alma até aquele momento em que ela esquece as velhas leis que constituem um corpo preguiçoso e conservador, e sai à rua à procura de um novo corpo de leis, adaptada a nova realidade.

Como disse atás, vivemos em tempos de pre-luta e não será de estranhar que, mais cedo ou mais tarde, o Mindelense comece a sair à rua fazendo-se ouvir.

Vivemos no silêncio da noite que precede os grandes acontecimentos. Cada vez com mais frequência uma luzinha se acende na noite escura assinalando movimento e vida.

Dialogar é cada vez mais preciso, é cada vez mais o caminho. Mas um diálogo onde a seriedade seja transparente já que as palestras não só já perderam a credibilidade como também já não fazem muito sentido.

O momento é para os reformadores, praa as ideias criativas, para as forças capazes de nos retirar do subsolo onde temos vegetado para à luz do dia onde podemos ser vistos e reconhecidos.

Os mindelenses tem vindo a reclamar, de uma certa forma, o direito a existência. É que quem não é visto, tido ou achado não existe.

 

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