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Sangue: Doador doado

Silas Leite 

Sábado, 8 de Maio de 2017, já para além das 10. No bloco dos quartos particulares do Hospital Dr. Baptista de Sousa, internada na véspera estava a minha companheira a quem fui visitar. Perto da uma de tarde e na porta de saída para a rua, rodopiei e novamente fiz a marcha para dentro. Tinha-me esquecido de perguntar à Enfermeira de serviço da possibilidade de levar comigo na próxima visita, a bebézona Kaiane de 14 meses, filha da nossa empregada, muito apegada a mim e à minha companheira que tanto gostaria de vê-la.

Face-to-face com a enfermeira que me fez saber não ser aconselhável tal intenção, mais disse: “O seu rosto está esbranquiçado (abrindo-me as pálpebras do olho)…a sua hemoglobina está muito baixa…por favor aguarde no quarto onde está a sua mulher”. Pequeno GESTO de GRANDE profissionalismo, cá por mim. Não demorou 5 minutos para ser submetido à ánalise sanguínea. Autorizado a sair e aguardar resposta em casa, eis que ainda a caminho, atendo chamada telefónica da minha mulher em como devia estar com a máxima urgência no hospital. Resultado da análise: 5.7 e longe dos 11, valores mínimos aceitáveis.

Encaminhado ao Banco de Urgência já em regime de internamento. Sou levado a uma cama, após triagem e assistência médica. Momentos depois, abeiravam-se duas simpáticas enfermeiras para a operacionalização da transfusão  sanguínea e outros cuidados.

Deitado de costas, era inevitável a fixação visual na bolsita de sangue pendurada ao cimo. Ligada a uma mangueira de pequeníssima expessura de onde descia o importante líquido vermelho para a vida e que por sua vez, atravessava uma cateta (?) (espero não estar enganado), penetrando a veia, rumo à irrigaçáo dos vasos. Sempre com olhos fixados na pequena bolsa, falei em pensamento: “estás a ver homem!!! Não tivesses tú doado sangue a este hospital, quem sabe, não teria sobejado agora para ti!!!”.

sangue

É, cidadães e cidadãos: DOEM…DOEM DO VOSSO SANGUE  PARA SALVAR VIDAS, INCLUINDO A VOSSA, quem sabe…”

5 noites, incluindo 4 no bloco de quartos particulares, foi o quanto durou para de lá sair sob “Alta” médica e  de “cabedal” renovado.  Antes, porém, foram precisos análises e exames para  se perceber  os verdadeiros motivos do sangramento anal no acto de defecar. Exceptuando o baixo nível de hemoglubina, tudo o resto estava “OK”. Mais convicto fiquei de ter sido o bandido  da hemorróide o provocador de insuficiência sanguínea e diga-se aqui em abono da verdade, devido a excessos da gula bocal, tanto em líquidos como em sólidos. É tempo, pois, de boca moderada.

Obrigado, obrigadaço  a todo o pessoal  do hospital directa e indirectamente envolvida na minha recuperação.

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