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1º dia KJF: Noite quente recheada de boa música e afectos

Elida Almeida, Spyro Gira, Roberto Fonseca e "a voz de ouro de África" Pat Thomas são os nomes que vão desfilar no último dia do KJF.

Terminou da melhor forma o primeiro dia do Kriol Jazz Festival (KJF), ao som de uma das actuais divas da Música Popular Brasileira (MPB), Maria Gadu.

Já a noite ia longa, quando perto da 1h30 da manhã entrava em palco a voz mais aguardada da noite. Pela primeira vez em Cabo Verde, num sonho que demorou “30 anos” para se concretizar.

“Boa noite, até que enfim juntos”, expressou visivelmente feliz Maria Gadu, numa empatia com o público, de amor à primeira vista.

E a partir daqui foram quase duas horas de boa música e afectos, numa noite marcada pela temperatura muito quente, como há muito não acontecia em edições anteriores do KFJ.

Como já se avizinhava, dada a amizade e cumplicidade que há vários anos une as duas, Maria Gadu dedicou a música “Ela” a Mayra Andrade, que depois acabou também por subir ao palco para cantar inicialmente três temas com a cantora de São Paulo.

Em crioulo, juntas, interpretaram “Ilha de Santiago”, suportadas por uma naipe de bons instrumentistas “Maria Gadu em crioulo, por amor de deus”, disse Mayra Andrade em palco.

A cantora cabo-verdiana descreveu Maria Gadu como uma pessoa “extremamente generosa” e as duas protagonizaram um dos momentos que ficará certamente para a história desta 9ªedição do KJF.

Em português, em crioulo e até em francês no conhecido sucesso “Ne Me Quitte Pas” de Jacques Brel, Maria Gadu emocionou o público que cantarolou muitas das suas letras, num concerto que, apesar de ser ao ar livre, se revelou muito intimista, mesmo com o barulho de fundo das barracas de comes e bebes do recinto.

Como não podia deixar de ser, sendo conhecida a sua veia interventista a favor da causa da LGBT, Maria Gadu apelou à tolerância da sociedade cabo-verdiana.

“Em nome do nosso direito de votar…em nome do nosso direito de sonhar…diga não há homofobia”, invocou já perto do fim.

E foi com “Shimbalaiê” que o público entrou em êxtase, e pôde, finalmente, já no fim, usar do espaço em frente ao palco para dançar e interagir mais de perto com a artista, como era tônica desde a primeira edição mas que este ano foi proibido.

“Muito obrigada de todo o nosso coração…espero que não demore mais 30 anos para voltarmos a estar juntos”, disse já depois de um encore final pedido pelo público.

Grace Évora e banda “dão jazz” às coladeiras

Mas, se Maria Gadu fez cair o pano sobre o primeiro dia do KJF, Grace Évora e a sua fabulosa banda vinda sobretudo da Holanda, abriram o palco quando já passavam das 21horas, da melhor forma possível, a mostrar que a música tradicional de Cabo Verde também é jazz.

“Lolita”, que contou com a participação do músico espanhol António Serrano e “Sabim” foram dois dos temas que levaram o público ao rubro, mas também o mix de coladeiras antigas numa verdadeira homenagem ao compositor Manuel de Novas.

Grace Évora mostrou-se muito feliz por estar a actuar em Cabo Verde com “grandes instrumentistas” cabo-verdianos que o têm acompanhado ao longo dos seus 30 anos de carreira, desde Livity e Splash, como Manu Soares ou Johnny Fonseca  e aproveitou a oportunidade para mandar um recado aos organizadores de festivais.

“É preciso repensar a forma de fazer festivais em Cabo Verde. Temos grandes músicos, instrumentistas que há muito não actuavam em Cabo Verde. Eu próprio peguei no meu cachet e paguei as viagens deles todos para poderem actuar cá. Tudo por amor à música de Cabo Verde”, enfatizou.

O autor de “Bia”, um sucesso que ficou por cantar, deverá lançar no Verão o seu álbum de 30 anos de carreira, com 30 temas inéditos.

Entre Grace Évora e Maria Gadu, a primeira noite do KJF ficou ainda marcada pelas actuações de Leyla MacCalla e pelo jazz puro do Sylvain Luc Trio. 

Cabo Verde, EUA, Cuba e Gana encerram festival

Hoje, sábado, o festival está previsto arrancar novamente às 20h30. A abertura está a cargo de Élida Almeida, que irá apresentar o seu novo trabalho, o EP “Djunta Kudjer”, que sucede ao primeiro álbum “Ora doci, ora margos”.

Spyro Gyra, grupo lendário dos EUA, são os senhores que se seguem. Estes veteranos levam já 40 anos de carreira e são um dos grupos mais bem sucedidos com sonoridades que variam entre o pop-jazz.

Antes do “leão” Path Thomas fechar com chave de ouro esta 9ªedição do Kriol Jazz, o piano do cubano Roberto Fonseca, e os sopros do seu quarteto, irão certamente levar ao público da Escola da Pracinha Grande os ritmos latinos, bem “calientes” da ilha do Caribe.

O senhor que se segue, o ganês Pat Thomas, dispensa também apresentações para quem gosta de boa música. Aclamado pela crítica como “a voz de ouro de África”, Pat virá acompanhado da “Kwashibu Area Band”, num espectáculo que se antevê enérgico e onde não vão faltar os cânticos inspirados na língua dos “fanti” e dos “ashanti twi”, duas das várias tribos do Gana.

O orçamento desta 9ªedição ronda os 23 mil contos, num evento onde a Câmara Municipal participa com cerca de 15 mil. Os bilhetes custam 1500 escudos por dia e podem ser adquiridos nos locais habituais. Quase a fazer 10 anos, o KJF já é um produto cultural de referência de Cabo Verde.

GC

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