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Ângela Monteiro, uma hiacista de fibra e “sem sombra”

Esta santacatarinense é mais uma prova viva de que já não há profissões destinadas apenas aos homens.

Maria dos Anjos Monteiro dos Santos, conhecida por “Ângela”, é uma jovem condutora de hiace, que faz frete no seu haice, há três anos na linha Assomada – Praia – Assomada – Tarrafal e vice-versa, disputando passageiros na marra com os outros condutores. Esta santacatarinense é mais uma prova viva de que já não há profissões destinadas apenas aos homens.

Em conversa com A NAÇÃO, ela afirma que encara a profissão com muita responsabilidade e determinação. E, graças a isso, conseguiu conquistar a confiança dos passageiros e a admiração dos jovens locais, que vêem nela uma mulher batalhadora, “cheio de moral”, que não aceita “sombra” de ninguém.

Ângela Monteiro conta que ciente da sua capacidade, em 2014 um familiar ofereceu-lhe um hiace novo para trabalhar por conta própria, dado que também não conseguiu emigrar.“Na altura eu estava a estudar o 11º de escolaridade no ensino particular, mas fiz o esforço para fazer carteira profissional, que passou a ser exigida, e assim poder fazer fretes durante o dia e estudar à noite para concluir o 12º ano de escolaridade, na área Económico Social”.

A jovem condutora salienta que quando começou a fazer fretes muitas pessoas ficaram admiradas com a forma como ela disputa os passageiros no meio de homens, alguns deles conhecidos pela sua agressividade. “As pessoas começaram a comentar que eu tenho moral, e isso incentivou-me bastante. Tenho apenas três anos de trabalho como hiacista, mas isso não quer dizer que os condutores, com mais anos de serviço, consigam fazer fretes mais do que eu”.

Confiança dos passageiros

Ângela revela que a responsabilidade e o respeito são, contudo, os seus principais trunfos para conquistar a confiança e a preferência dos utentes. “Muitos passageiros queixam-se que alguns condutores de hiace, por vezes, param à frente dos bares e tascas, que ficam na beira das estradas, para ir consumirem álcool. Para além de sentirem desrespeitados, os passageiros sentem-se inseguros. Muitos preferem por isso viajar comigo, o meu comportamento é totalmente diferente”.

A nossa entrevistada acrescenta ainda que o facto de ser mulher acaba por ser, no seu caso, uma vantagem e isso é expresso no carinho e no respeito tanto dos passageiros como de outros condutores. “Quando convido um passageiro para viajar comigo dificilmente ele recusa. Ser mulher não me atrapalha, pelo contrário, em certos casos levo vantagem sobre os meus concorrentes pelo facto de ser mulher”.

Sem sombra

Ângela assume-se com “guerreira” destemida. “Ninguém me assombra quando estou no meu trabalho, se for necessário disputar passageiros com os outros condutores vou à luta, uso os meus meios. Trabalhar no hiace exige moral em alta, caso contrário, não funciona”.

A nossa interlocutora acrescenta ainda que, por vezes, ela mesmo troca os pneus e as pastilhas de travão do seu carro. “Procuro não depender de ninguém. Tudo que é trabalho procuro aprender a fazer e executar”.

Ângela incentiva as outras mulheres serem determinadas naquilo que fazem, sem vergonha de encarar nenhuma profissão, desde que legal e digna. “Quando queremos atingir uma meta devemos seguir em frente. Há várias jovens em Santa Catarina que já me disseram que estão a fazer carta de condução para virem trabalhar no hiace. Sempre as incentivo. Este é um sector de actividade em que as mulheres podem dar a sua contribuição, se calhar melhor do que os homens”, acredita.

 

 

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