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Brasil: UE e EUA exigem mais informações sobre o escândalo da carne

As autoridades de Brasília não têm disfarçado o desconforto pelo que consideram ser uma espectacularização da PF, numa operação que ameaça um comércio bilionário.

A União Europeia (UE) está preocupada e cobra o Governo de Michel temer a respeito do escândalo deflagrado na sexta-feira, 17, pela “Operação carne Fraca”, que investiga um esquema de fraude e propina, envolvendo fiscais e frigoríficos no Brasil, maior exportador de carne do mundo.

Segundo o jornal espanhol “El País”, o embaixador da UE naquele  país lusófono da América Latina, o português João Cravinho, informou que uma carta foi enviada de Bruxelas a Brasília com dois questionamentos centrais: a extensão do problema, se pontual ou com capacidade para ameaçar o sistema de controle brasileiro, e a existência ou não de carregamentos destinados a Europa que podem estar sob suspeita.

Cravinho esteve reunido com o presidente Temer neste domingo, 19, num encontro de emergência para discutir o tema, no qual participaram, ainda, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, e representantes do sector. “Temos um comércio intenso, que funciona 24 horas, e precisamos ter todas as garantias de que os consumidores europeus não correm risco”, disse Cravinho ao “EL PAÍS”.

O Brasil exportou perto de 2,5 bilhões de dólares de carne, frango e derivados para a UE, em 2016. Nos dois primeiros meses de 2017, foram 42 milhões de dólares só em carne bovina, de acordo com a associação de exportadores brasileiros, só atrás de Hong Kong e China.

Recentemente, a Polícia Federal deflagrou uma operação, que  teve como alvo 29 companhias do sector. De acordo com os investigadores, lotes de carne agora interditados, foram barrados na Itália, por suspeita de contaminação por salmonela, bactéria que causa vômito e diarreia.

Cravinho classificou a informação de “profundamente perturbadora”. “Estamos investigando a matéria. Nós temos um mecanismo de alerta sobre salmonela e outras ameaças à saúde na UE”, disse o embaixador.

Reembalagem de produtos fora do prazo de validade, substituição de carne por mercadorias mais baratas, como soja e frango, e até injecção de produtos potencialmente cancerígenos, para disfarçar o mau estado da comida estão entre as irregularidades descritas na “Carne Fraca”.

Três dos 21 estabelecimentos sob suspeita foram interditados, mas o governo insiste que se trata de um problema pontual.  Já foram afastados 33 servidores da Agricultura, num universo de mais de dez mil.

As autoridades de Brasília não têm disfarçado o desconforto pelo que consideram ser uma espectacularização da PF, numa operação que ameaça um comércio bilionário.

Além da União Europeia, os EUA também informaram que estão monitorando a situação e pedindo informações ao Ministério da Agricultura. A agência responsável norte-americana tentou tranquilizar os consumidores, afirmando que toda a importação para o mercado doméstico passa por uma reinspeção.

Neste sábado, 18, o Planalto informou que o presidente Temer teve uma conversa telefónica, já previamente agendada, com o colega Donald Trump, a segunda desde que o republicano assumiu, mas a nota não menciona o escândalo.

O escândalo atinge a indústria da carne brasileira num momento particularmente ruim, quando o país batalha para conseguir novos mercados para os produtos brasileiros enquanto pautas proteccionistas ganham força, catapultadas por Trump.

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