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Assomada: Jovem universitário lava carros para financiar curso

Apesar de ser bolseiro da Fundação Cabo-verdiana de Acção Social e Educação (FICASE), o jovem lava carros há cerca de dois anos, nas ruas da Assomada, no sentido de ganhar dinheiro para suportar parte das despesas do curso e garantir o sustentoda família.

Janilton António Sanches Furtado, “Já”, é um jovem universitário, de 22 anos de idade, natural de Santa Cruz, que lava carros nas ruas da Assomada, para custear parte das despesas do curso e da família.

Em conversa com o A NAÇÃO, Janilton Furtado conta que é finalista do curso de Gestão de Empresas, na Universidade de Santiago (US), na cidade da Assomada, Santa Catarina, onde reside há quatro anos.

Apesar de ser bolseiro da Fundação Cabo-verdiana de Acção Social e Educação (FICASE), o jovem lava carros há cerca de dois anos, nas ruas da Assomada, no sentido de ganhar dinheiro para suportar parte das despesas do curso e garantir o sustentoda família.

Conforme conta Janilton, no segundo ano do curso sentiu a necessidade de trabalhar para arrecadar algum dinheiro para cobrir as despesas do curso e, assim, aliviar um pouco as finanças da mãe.

“Inicialmente, procurei trabalho em lojas chinesas, supermercados e padaria na Assomada, mas não consegui nada. Nisso, vendo o movimento nos arredores do mercado da Assomada, onde os rapazes lavam carros, fiquei admirado com a forma como faziam aquela actividade e o valor que conseguem arrecadar por dia. Resolvei perguntar a um colega, lavador de carro, conhecido por Castanho, o que deveria fazer para trabalhar com eles, uma vez que quando alguém novo chega é sempre visto como uma ameaça, e tudo fazem para afastá-lo. Mas se for juntamente com alguém do grupo a coisa é outra, é integrado sem problemas”.

Janilton conta que trabalhou durante seis meses como ajudante de Castanho, que já possuía muitos clientes fixos, e que este lhe pagava 50 escudos por cada carro que lavavam juntos. “Das 13 às 19 horas, eu ia para casa com cerca de 600 escudos. E, com o passar do tempo, ganhei meus próprios clientes, até que decidi passar aulas para regime de exame, isto é, os professores encaminham-me, por correio electrónico, os conteúdos para estudar e depois fazer exames”.

Sã convivência

Já no que toca a convivência com colegas universitários e lavadores de carros, Janilton afirma que se dá bem com todos. “Muitas pessoas conhecidas, professores e colegas da universidade, ao saberem que lavo carros para sustentar parte do curso e ajudar minha família, deram-me força, passaram a respeitar-me ainda mais. É claro que houve também casos de pessoas que ficaram com receio de lidar comigo, tendo em conta o ambiente e a má fama que existem no seio dos lavadores de carros. Mas sei lidar muito bem com uns e outros. Lavar carro é uma actividade rentável, mais do que muitos trabalhos em gabinete. Em média, quem lava carro bem e rápido consegue facturar cerca de dois mil escudos por dia, o que não é mau”.

Projecto futuro

Janilton avança que para o futuro já está a pensar na montagem de um espaço adequado e apetrechado para lavagem de carros na Assomada.

“O meu projecto final de curso baseia-se, precisamente, na criação de uma empresa de lavagem de carros. Neste momento estou pensar na possibilidade de alugar uma garagem ou improvisar um espaço num contentor, mas, para isso, também tenho que alugar um terreno. Estou a avaliar os custos disso tudo para decidir. O meu sonho é terminar o curso, conseguir financiamento e montar um pequeno negócio garantir auto-emprego e para outras pessoas”, diz.

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