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Chã das Caldeiras: Deslocado endereça carta aberta ao primeiro-ministro a solicitar cumprimento de promessas

Miguel Montrond referiu na sua carta que, das promessas, apenas a adega provisória foi cumprida, salientando que o diálogo com população, a acessibilidade e o novo assentamento, ainda “não saíram do papel”.

Miguel Montrond, jovem de Chã das Caldeiras (Ilha do Fogo), dirigiu há três dias, em nome dos deslocados, uma carta aberta ao primeiro-ministro Ulisses Correia e Silva, a solicitar o cumprimento dos compromissos assumidos a 29 de Março de 2016.

“Depois de muito tempo sem pronunciar e nada fazer para os deslocados, achei que esta era a única forma de chamar a atenção de sua excelência sobre os seus compromissos em relação à Chã das Caldeiras”, lê-se na carta que foi publicada na rede social, segundo a Inforpress.

O jovem foguense revela que esta iniciativa surgiu porque “os compromissos não estão a ser cumpridos”, outros estão “fora de órbita” e o povo de Chã das Caldeiras “está muito decepcionado” com quase um ano de mandato, pois “as promessas ainda estão engavetadas”.

Miguel Montrond, que foi membro da Comissão Interministerial para os deslocados de Chã das Caldeiras, referiu na sua carta, que das promessas apenas a adega provisória foi cumprida, salientando que o diálogo com população, a acessibilidade e o novo assentamento, ainda “não saíram do papel”.

“O assentamento foi abaixo, as actividades geradoras de rendimento que ajudariam as famílias a iniciarem as suas vidas nunca apareceram, as bolsas e subsídios prometidos aos estudantes não apareceram”, refere a carta de Miguel Montrond, que acrescenta ainda que a ampliação dos quartos nas casas reabilitadas para as famílias mais numerosas também não chegou a ser feita, assim como a mobilização de água para a população e a estrada mais acessível e de mais fácil entrada e saída da cratera ainda não há estudo.

Por tudo isso, Miguel Montrond, em declarações à Inforpress, disse que a população está “decepcionada” com o actual Governo, que “aproveitou da triste situação” vivida pelos deslocados para “ganhar as eleições no ano passado”.

Com relação às construções na cratera, Montrond considera que não são ilegais e nem irão ser destruídas por vários motivos, nomeadamente porque não há um assentamento para os deslocados, inexistência de um plano de ordenamento para Chã e porque várias famílias não dispõem das mínimas condições para ter uma vida digna como prometido nas eleições.

Com relação às construções, Montrond atribui a responsabilidade aos Governos (actual e anterior) e à Câmara Municipal de Santa Catarina (actual e anterior) que “não souberam canalizar os recursos” e resolver os problemas da população de Chã das Caldeiras. A mesma fonte deixa o aviso de que a decisão de suspender as construções e entrada de materiais de construção civil não será aceite pela população, que não vai esperar até às próximas eleições para resolver os problemas.

Miguel Montrond indica que, para o ano de 2016, no quadro do Orçamento do Estado, foi determinado o valor de cerca de 600 mil contos para Chã das Caldeiras, montante que segundo o mesmo não foi aplicado na resolução dos problemas dos deslocados de Chã.

“O povo está unido para lutar pelo que lhes pertence, a cratera, e para protegê-la assim como tem feito desde 1915 (povoamento de Chã) e lutaremos pelos compromissos assumidos pelo partido no poder”, alerta Miguel Montrond, para quem os deslocados estão a pedir que sejam cumpridas os compromissos de campanha.

Este disse que neste momento um total de 27 jovens originários de Chã das Caldeiras está a frequentar estabelecimentos de ensino superior e que o próprio tinha elaborado uma lista com todos os dados e remetida à ministra das Infra-estruturas para atribuição de bolsas e subsídios, mas há meses que estão a aguardar pela sua homologação e atribuição.

Com relação às famílias com mais dificuldades, Miguel Montrond indica que depois de se ter convertido às cestas básicas em dinheiro, desde Dezembro de 2016, que o apoio pecuniário foi suspenso mesmo sem ter implementado as actividades geradoras de rendimento.

AN c/ Inforpress

 

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